Apesar de estragos, advogada brasileira planeja ir a Beirute ajudar vítimas – 06/08/2020

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A advogada goiana Renata Abalem é filha e neta de libaneses e procura ir ao Líbano todos os anos. Ela é apaixonada por Beirute, agora praticamente destruída pela explosão que atingiu o porto da cidade, que fica a três quilômetros do Hotel Fenícia, em frente ao mar Mediterrâneo, onde ela costuma se hospedar quando vai à cidade, hoje muito danificado pela explosão.

A cada vez que lê ou vê algo sobre a cidade, as belas lembranças são substituídas pelo choro. “Depois da explosão, só consegui dormir às 6h de hoje [ontem], porque passei a noite chorando”, disse à reportagem do UOL.

Desde a explosão, ela e a amiga Ana Claudia Badra estão em contato com a comunidade libanesa no Brasil e os consulados do país no Rio e São Paulo visando organizar um SOS Líbano.

Os patrícios aqui são bem-sucedidos e têm muita condição de ajudar. Não é só bater no peito e dizer que são libaneses. É a hora de botar a mão no bolso”
Renata Abalem, advogada, filha e neta de libaneses

Uma das iniciativas que ela quer organizar é uma doação de grãos de Goiás para o Líbano, uma vez que o maior silo libanês foi destruído na explosão do porto.

Quer ir para o Líbano, apesar da destruição

“Desde terça-feira, tudo o que eu estou tentando fazer é comprar uma passagem para lá. Eu quero tentar ir e tentar ajudar pessoalmente, fazer comida, o que for possível. Não quero só ficar aqui olhando e chorando”, diz.

Os parentes mais próximos de Renata não moram em Beirute, mas em Zgharta, no norte do país. Sua família é de cristãos maronitas, que domina a política no país desde o acordo firmado após a Guerra Civil do Líbano, nos anos 80. A cidade onde vivem seus parentes mais próximos não sentiu abalos com a explosão, sentida até no Chipre.

Falta de energia e dificuldade de contato

Apesar de seus parentes libaneses mais próximos não terem sofrido prejuízos financeiros, o contato com eles está mais difícil, devido aos cortes de energia (com problemas econômicos, o país estava vivendo uma crise energética) e a maior parte dos contatos que ela teve foi com amigos de Beirute.

Segundo Renata, a região próxima ao porto, além do centro histórico, concentra o bairro onde ficam as melhores casas noturnas do país, famosas por festas que vão até tarde e que emendam umas nas outras e que a tragédia só não foi maior, pois o bairro turístico, ainda não havia sido totalmente reaberto.

Marina do Iate Clube de Beirute, localizada a três quilômetros do porto, local da explosão que deixou 300 mil desabrigados

Imagem: Renata Abalem/Arquivo Pessoal

Segundo a advogada, ontem era o primeiro dia de flexibilização do comércio, após o lockdown imposto para o combate à pandemia do novo coronavírus.

Há feridos sem acesso a resgate

Conversando com um amigo médico que deixou a pós-graduação em cirurgia plástica que fazia no Brasil para atuar na linha de frente do combate à covid-19 no Líbano, Renata recebeu a informação de que o número de feridos pode ser muito maior e o de mortos também, pois há muitos queimados e feridos graves ainda não resgatados.

Segundo o profissional de saúde lhe contou, a maior parte dos feridos contabilizados foram aqueles que, atingidos por estilhaços, conseguiram ser atendidos na rua e nas portas dos hospitais, uma vez que grandes hospitais da cidade foram evacuados, devido aos danos.

“Esta é a maior tragédia contemporânea da história do Líbano. É preciso mobilizar o mundo. Como disse uma jornalista em um artigo no jornal L’Orient Le’Jour [o maior editado em francês no país], ‘amanheceu e Beirute já não existia mais'”, disse.

Sírio-libaneses com dificuldades para contatar parentes

O jovem Amir Al-Maktoum, 19, passou a tarde de ontem (5) com dificuldades para trabalhar. De origem síria, ele viveu a maior parte da infância em Beirute, antes de se mudar para o Rio de Janeiro em 2018. Os amigos e alguns familiares, no entanto, continuam na capital libanesa e mantinham contato com ele através das redes sociais. Desde a explosão, no entanto, o contato com a maioria deles cessou.

“Eu vim trabalhar para não enlouquecer. Não bastasse conviver com a instabilidade na região em que vive parte da minha família na Síria, agora também não sei quem segue vivo no Líbano”, relata o vendedor de salgados típicos que marca ponto em frente a uma estação de metrô da zona norte da capital fluminense.

Desde a tarde de terça, ele é tomado por um sentimento de alívio a cada postagem de amigo no Facebook. “Eu só consigo comemorar por saber que estão vivos”, relata. “A maioria segue sem internet, sem ter como mandar uma mensagem para os grupos de Whatsapp ou para fazer uma postagem simples nos tranquilizando”, explica.

É nos grupos de libaneses residentes no Brasil que se concentram nas redes sociais, que muitos se apoiam neste momento. Estima-se que a população libanesa no país chegue a 5 milhões de pessoas, entre imigrantes e descendentes. Entre eles, está a comerciante Soraia Al-Atar, 40.

“Quem consegue sinal de internet em Beirute corre atrás de informações dos amigos, dos familiares de quem está no Brasil. Graças a Deus, até agora não tive perdas, mas outros amigos tiveram familiares feridos. É imaginar o coração da sua cidade destruída, mas se confortar no fato de que todos os seus amigos e familiares estão vivos, que vão poder reerguer as suas vidas”, conclui.



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