“Após 9 meses com uma cicatriz aberta, tirei o silicone”, diz Evelyn Regly – 08/11/2020

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Com 5 milhões de seguidores no Instagram e 4 milhões de inscritos no canal do Youtube, a criadora de conteúdo Evelyn Regly entrou na conta das mulheres que resolveram tirar a prótese de silicone dos seios.

Em quatro anos, Evelyn foi “do sonho ao pesadelo”, como descreveu em suas redes sociais, em relação à estética dos seios. Passou por uma cirurgia em que a cicatriz ficou aberta por nove meses. Corria risco de infecção e, por conta disso, precisou conviver com um quadro de depressão. O estado extremo no qual chegou fez Evelyn querer falar mais sobre os riscos que colocar o silicone trouxe à sua saúde, para conscientizar outras mulheres.

“Acho que estar neste lugar de levantar bandeira “não coloque silicone” ou “tire o silicone” é delicado. Rolou um bafafá na internet com pessoas dizendo que ‘agora que não deu certo para ela, ela está aterrorizando as pessoas’. A questão não é essa. É que hoje eu tenho mais informação, que está aí para todo mundo acessar”, disse, em entrevista para Universa, cinco dias após a cirurgia de “explante”. “É importante a gente falar sobre isso, porque realmente é muito banalizada a colocação do implante. As pessoas esquecem que é uma cirurgia”.

A seguir, a youtuber conta sobre o período entre a colocação e a retirada da prótese, e como a mudança impactou em sua autoestima.

Evelyn Regly tirou silicone: das cicatrizes à escolha da médica

A cirurgia de implante dos silicones, conta Evelyn, serviria para deixar os seios “direitinhos”. “Eu não tinha filhos e parecia que eu tinha amamentado cinco”, conta aos seguidores, em suas redes sociais. As complicações da cirurgia, no entanto, fizeram com que ela repensasse a decisão: por nove meses, as cicatrizes nos seios decorrentes da intervenção estética não fecharam. E a influenciadora precisou esperar.

“Eu até queria tirar naquela época, mas todos os médicos em que eu ia, mastologista, cirurgião plástico, infectologista, diziam que eu só poderia operar novamente depois que a cicatriz fechasse, porque eu correria risco de infecção se mexesse ali. Depois que ele fechou, eu engravidei e fiquei muito preocupada, porque o seio iria inchar. Tanto que, com dois meses de gestação, a cicatriz abriu de novo. Fui cuidando, passando os óleos indicados para isso, e ele fechou”, relata. “Só que depois que eu amamentei, o que consegui até os três meses do meu filho, Lucas, comecei a sentir uma dor crônica”.

O nascimento de Lucas, hoje com um ano e dois meses, também trouxe urgência à ideia de retirar a prótese.

Eu estava sem estrutura na pele e a prótese estava descendo. E, com a amamentação, mudou tudo ali dentro: acelerou o processo de encapsulamento da minha prótese. No grau que ela estava, tinha que operar de qualquer jeito naquela hora.

As complicações: ‘Que merda que eu fiz?’

Já há comunicados que abrangem as chamadas “doenças do silicone”, além de inúmeros relatos que circulam nas redes sociais de mulheres que sofreram com sintomas como fadiga, boca seca, ou desenvolveram doenças autoimunes após a colocação das próteses. Com Evelyn, o quadro foi de “dores fortes”. “O médico falava que era normal até porque o organismo teria que se acostumar com ela”, relembra.

“Naquele momento, eu já pensei: “Que merda que eu fiz”. E aí, depois que meu filho nasceu e eu senti outras coisas, comecei a pesquisar informações que eu não tinha. A de que, por exemplo, todo corpo cria essa cápsula porque é como se ele isolasse aquilo que é estranho…Pesquisando tudo isso, eu cheguei a conclusão: não é isso que eu quero para mim.

Decidi que minha saúde não vale um peito bonito. Eu fiquei muito arrependida, e hoje penso muito mais na saúde do que na questão estética.

Depois de eu ter colocado silicone, tive vários problemas: queda de cabelo, descompensação hormonal que não se sabia o motivo, crise de espinhas, que eu nunca tive, enxaqueca que não passava por nada. Sentia uma fadiga muito grande e dores muito fortes”.

A cicatriz

Segundo Evelyn, o fato de a cicatriz não fechar foi um erro médico. A situação impactou diretamente em sua saúde mental. “Quando a cicatriz estava aberta, eu chorava demais, ficava o tempo inteiro com medo de pegar uma infecção, de morrer. Sem contar que não podia molhar a região no banho, e a dependência que tinha do meu marido para fazer curativo…Acabei tendo um processo de depressão”, comenta. “Só quando passei a ir em outro médico, que me ajudou a cuidar dela, eu mudei o pensamento para: ‘Estou viva’. Porque podia ter perdido o seio, poderia ter acontecido pior. Então, eu só focava nas coisas boas.”

Falar sobre cicatrizes nas redes deu força

A via crucis de Evelyn principalmente sobre as cicatrizes está documentada em seu canal do Youtube. E ela diz que precisou superar a vergonha para expor o caso.

“Fiz com muita insegurança o vídeo sobre isso. Mas, aí, recebi o feedback das pessoas, agradecendo por ter alertado sobre algumas questões, que estavam passando por aquilo também, e isso me deu uma força muito grande. Há comentários de julgamento, inclusive de pessoas que escrevem ‘agora que deu merda, falou sobre isso’. Só que eu recebo 90% das respostas de “obrigada por falar de uma coisa que eu nunca tinha ouvido falar”.

Eu tinha muita vergonha das cicatrizes porque mostravam tudo que eu passei. Pareciam queimadura. Agora, eu sei que vou ficar com uma cicatriz dessa nova cirurgia, mas me libertei. Essa marca agora conta minha história, de tudo que passei antes, mas desse processo de aceitação também. E isso faz muita diferença.

“Não vai ficar masculinizada”

Evelyn Regly é youtuber e criadora de conteúdo digital: em seu canal, ela dividiu com os seguidores os problemas pós-silicone

Imagem: Reprodução/Instagram

Evelyn conta que, até a cirurgia de retirada dos implantes, só tinha se consultado com médicos homens. Topar com uma mulher para entender suas motivações para a nova intervenção cirúrgica fez toda a diferença.

“Eu só tinha ido até hoje para fazer as cirurgias plásticas em médicos homens. Até quem refez minha rinoplastia, que também deu problema, era homem. E quando eu fui tirar o silicone, também fui em dois cirurgiões homens. E eles foram categóricos: disseram que eu iria ficar “masculinizada”, que não iria ficar bom”, relembra. “Mas eu já estava decidida. Só precisava encontrar um médico que soubesse fazer aquilo. Aí, foi quando encontrei minha médica, que disse: “Não vai ficar masculinizada, até porque a mulher que tem seio pequeno não é masculinizada…”,

E ela falou uma coisa que não esqueço: o homem até opera, para colocar o implante nas mulheres, mas ele não vive isso. Ele não sabe o que a gente passa.

No caso de Evelyn, a técnica usada foi a lipoenxertia, que retira gordura do próprio corpo da paciente para enxertar na área. “A médica me disse que não seria comparado ao silicone, mas que o resultado ficaria bonito, natural. Aliás, ela me ouviu e foi uma benção. Como pode, né? Uma mulher, que as pessoas tentam sempre pintar como rival, me entendeu e se colocou no meu lugar”.

Cirurgia decidida, era hora de investigar como a mudança estética refletiria na autoestima, já que mulheres são constantemente pressionadas a seguirem “padrões de beleza” em relação ao corpo.

“Peguei umas fotos antigas minhas e pensei: ‘Cara, eu era linda. Meu seio era normal!’. Mas é que foi criado um padrão, né? Teve a época dos peitões, das saradonas…”.

“Como eu sou uma pessoa muito ligada à aparência, meus amigos e minha família ficaram com medo de que eu tivesse depressão depois da retirada do silicone, por causa do meu histórico, relacionado à doença, à questão da imagem. Só que eu passei tanta segurança na decisão que eles ficaram animados comigo, virou o evento da família do mês! Tirei a foto segurando a prótese e vou guardar, emoldurar”, brinca, ao falar para Universa.

A decisão de tirar a prótese: ‘Meu filho me libertou dos padrões’

Evelyn Regly e o filho Lucas - Reprodução/Instagram - Reprodução/Instagram

Chegada de Lucas, primeiro filho de Evelyn e do parceiro Diego Cabral, fez youtuber repensar padrões de beleza

Imagem: Reprodução/Instagram

Além do apoio da família, dos amigos e do parceiro, Diego Cabral, Evelyn diz que a chegada do primeiro filho a fez pensar sobre prioridades na vida. Foi tempo de colocar na balança saúde e estética.

“O Lucas me fez perceber que, ao mesmo tempo em que a gente fica mais forte quando se torna mãe, também passa a ter um “medinho”. Então veio o sentimento de “preciso cuidar da minha saúde para estar aqui para ele”. Não que se eu não estiver aqui ele não vai ser cuidado, mas a gente tem isso. Então, Lucas me libertou de muitas coisas. Eu sempre fui uma garota padrão, e estava na busca incansável do corpo perfeito. Com isso, tive três períodos de anorexia”, diz.

“E foi meu filho que me livrou dessa busca. Eu tive diástase, um primeiro baque. Esses dias, fiz um vídeo provando biquíni nas redes sociais e comentei: ‘Gente, quando eu tinha as medidas padrões, magrinha, sem barriga, jamais gravaria algo de biquíni para vocês. Hoje, que eu tô cinco quilos acima do meu peso, tenho diástase e barriguinha leve, estou aqui’. Lucas me ajuda nisso, a me libertar dos padrões. Me sinto saudável e tão maravilhosa quanto antes.”

Agora, se recuperando do explante, Evelyn quer divulgar os riscos da cirurgia plástica para que as mulheres que pensam em fazer o procedimento tenham mais informações. “ nos EUA, regulamentaram que precisa vir na caixa do silicone um aviso de tarja preta — falando que é um produto de alto risco, que tem efeito colateral e que altera sua vida. São informações que, quando você entra no consultório do cirurgião, ele jamais vai te falar. Que seu corpo pode rejeitar, que pode desenvolver doença autoimune, câncer…O risco da cirurgia, a gente já sabe que tem. Por isso que é importante falar dos riscos do pós-cirúrgico”.



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