Atenção às próteses de mama deve ser total até seis meses após cirurgia

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Colocar prótese de mama é um procedimento cada dia mais popular, mas que ainda exige muitos cuidados antes e, principalmente, depois da cirurgia. Em alguns casos, as próteses podem causar problemas e a paciente deve estar atenta para quando surgirem sinais de que algo não caminha bem.

É raro que o silicone, o material mais usado nas próteses no Brasil, desencadeie uma alergia. “Não é à toa que os implantes são, majoritariamente, desse material, um dos mais inertes ao corpo humano”, diz o médico cirurgião plástico Guataçara Salles Junior, professor da Escola de Medicina da PUCPR.

Porém, mesmo sendo o silicone o material mais biocompatível, isso não isenta alguma reação do sistema imunológico à prótese, explica o cirurgião plástico Fernando Amato, membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica.

O período mais crítico para observar complicações é o primeiro mês, segundo Amato, pois podem acontecer nesse período sangramento, infecção e mau posicionamento. “Depois desse tempo, ainda é importante respeitar as orientações até o sexto mês, pois que ainda podem ter alguma influência”, diz ele.

Rejeição é infecção

Segundo Salles Junior, pode haver uma “rejeição” inicial à prótese, que na verdade nada mais é do que uma infecção causada ou por bactéria, ou mais raramente por fungo. “Esta infecção ocorre nas primeiras semanas ou meses, muito raramente após seis meses, com vermelhidão da pele da mama, aumento da temperatura, dor local, inchaço e até mesmo febre.  Nestes casos, lança-se mão do uso de antibióticos e antifúngicos para combater a infecção”, diz ele.

Caso não haja resposta aos medicamentos e haja comunicação dessa infecção com o implante mamário, a prótese precisará ser retirada, alerta Amato. 

Então, somente passados seis meses de um pós-operatório tranquilo, pode-se considerar que a prótese “pegou”, diz Salles Júnior, alertando que pode haver uma “rejeição” mais tardia. “Assim sendo, nunca poderemos considerar que a prótese é para sempre”, explica.

Reações autoimunes

Como a prótese é um corpo estranho, ela pode induzir também reações imunes e cicatriciais, como no caso de doenças autoimunes, como as reumáticas. Assim, pode sofrer “descompensação” do sistema imune e promover exacerbação da doença autoimune de base ou mesmo agressão à própria prótese, como “rejeição” contra este corpo estranho, como explica Salles Junior, que também é membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica e especialista em Microcirurgia Reconstrutiva.

Em longo prazo

Pensando-se em longo prazo, os principais problemas que podem surgir com as próteses são o encapsulamento (contratura capsular) e a ruptura, relacionada à ela. “Em ambas as situações, o principal sinal detectado no autoexame ou no exame clínico é a mudança da consistência das mamas. Na contratura, mais rígidas e duras. Na ruptura, mais moles. Exames de imagem (ecografia mamária, mamografia e ressonância magnética) podem evidenciar as alterações”, diz Salles Junior.

Também podem aparecer, com o tempo, segundo Amato, dor, vermelhidão, endurecimento, nodulações, assimetrias e aumento do volume. “Alteração de sensibilidade, mal posicionamento que leva a prótese a dobrar e até mesmo rodar pode mudar o formato da mama”, diz Amato. Aparecimento de estrias na pele, queda precoce da mama, deslocamentos do implante e mesmo insatisfação com tamanho escolhido podem aparecer. “Sangramento, hematoma e infecções, embora raros, também podem ocorrer”, completa.

Doenças à vista

Raramente doenças derivadas do uso de próteses podem ocorrer. Há algumas patologias descritas na literatura e que são relacionadas, como a contratura capsular (rejeição tardia da prótese), ASIA (do inglês, síndrome autoimune induzida por adjuvantes) e BIA-ALCL (linfoma anaplásico de células gigantes), de acordo com Salles Junior. “A contratura ou encapsulamento ocorre, usualmente, em pacientes com mais de dois anos da cirurgia, e mais comum após dez anos de implante”.   

A ASIA, uma síndrome mais encontrada em pacientes com histórico de doenças autoimunes, como doenças reumáticas (lúpus e artrite reumatoide) é rara e dá sinais claros. “Dor articular e muscular, fadiga crônica, distúrbios do sono, boca seca, olhos secos, alteração da memória e da concentração são alguns dos sintomas”, afirma Amato.

O BIA-ALCL, também raro e descoberto há pouco tempo, ao que tudo indica está relacionado à superfície rugosa de algumas próteses texturizadas. Segundo Amato, ela causa alterações na consistência e volume da própria mama, muitas vezes formando um seroma, que é uma coleção de líquido. Por este motivo há o alarde de que a prótese poderia causar câncer mas, segundo os especialistas, isso não procede.

Cuidado periódico

O fim da cirurgia dá início a um período de cuidados que não podem ser colocados de lado. Fazer visitas periódicas e seguimento com o cirurgião plástico para acompanhamento da cicatriz e da evolução do implante é imprescindível. Ele pode detectar sinais precoces de “rejeição” (contratura capsular) e encaminhar tratamento medicamentoso, evitando que o quadro evolua para a remoção da prótese.

O recomendado, de acordo com Amato, é a visita anual ao médico, quando ele avalia a consistência das mamas, simetrias, e qualquer alteração visível ou palpável. “Os exames complementares como ultrassom, mamografia e ressonância podem ser realizados. A ressonância melhor avalia o implante, a cápsula e a mama, porém é um exame muito caro e por isso não é realizado com frequência no Brasil”, diz ele. 

Hidratar a mama com frequência mantém a pele elástica e evita surgirem estrias e a queda precoce da glândula. “O uso de sutiã para estabilizar as mamas, especialmente em atividades físicas, é recomendado”, explica Salles Junior. Ele diz que quando a cicatriz se torna grossa e muito perceptível, há fitas e géis de silicone e algumas pomadas cicatrizantes que podem torná-las o menos notáveis possível.



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