Cirurgião mais jovem do DF, João Darques compartilha história de superação

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“Tudo o que faço é para que ninguém se rejeite como eu me rejeitei”. O impactante lema rege a vida do médico João Darques. Com 28 anos, o profissional de saúde foi considerado o cirurgião plástico mais jovem do Brasil. Na infância, os pais, Florentino Luiz Ferreira e Maria José Darques, descobriram que o filho possuía capacidade mental significativamente acima da média. Na escola, a criança sofria bullying por ser superdotada e por ter “características afeminadas”. Mas ele não recuou diante do que ouvia.

Por vezes, a indiferença até chegou a desencorajar João, porém, somente até determinado ponto. Quando aceitou a própria personalidade, como homossexual e superdotado, o burburinho negativo serviu como uma força motriz rumo à conquista dos sonhos. Com uma história de vida impressionante, o médico compartilhou os êxitos e instantes angustiantes com a coluna Claudia Meireles em uma entrevista capaz de fazer mudar de ideia quem pensa em desistir dos objetivos.

Aos 9 anos, João observou que a mãe, a advogada e dentista Maria José, estava com baixa autoestima. Como todo filho, o garoto percebeu que a matriarca tornou-se uma mulher empoderada e dona de si após submeter a uma cirurgia plástica, o que mudou o eixo familiar. Ao notar o poder de transformação do procedimento, o garoto decidiu que gostaria de proporcionar a vivência que a mãe desfrutou.

“Naquele momento, ainda criança, eu reconheci que queria repetir aquilo para outras pessoas. Lembro que minha mãe guardou um salto e disse que iria voltar a usá-lo. Nós recordamos disso até hoje. Quando ela ficou ainda mais forte e dona do próprio espaço, resolvi mimetizar a fim das pessoas se sentirem bem consigo mesmas”, rememora João Darques, com carinho.

O goiano descobriu que queria ser cirurgião ainda na infância

Atualmente, ele comanda o Instituto Darques, localizado no Edifício Dr. Crispim, na Asa Norte, em Brasília. Se algumas pessoas veem como um luxo, o especialista enxerga a cirurgia plástica como uma medicina de cura (e de elevar o amor próprio). Criado pelo expert em rosto e contorno corporal, o método Darques integra atendimento personalizado e psicologia a fim do paciente preparar-se para as mudanças decorrentes dos procedimentos cirúrgicos.

Transformação

Com o olhar voltado às minorias, João Darques resolveu dedicar-se ao atendimento e cuidado de mulheres trans. Ele integrou o corpo clínico do Hospital Regional da Asa Norte (Hran). Lá, dentre alguns casos atendidos, deparou-se com as complicações de cirurgias perigosas e malsucedidas, como a aplicação de silicone líquido. Diante da triste realidade, o especialista desenvolveu o projeto Transformação. Ao definir o nome, o médico pensou em envolver a comunidade de mulheres transexuais, ajudar no processo de mudança de gênero e oportunizar a formação profissional.

Foi um momento marcante da trajetória que incentivou João Darques a arregaçar as mangas e elaborar a iniciativa social. Ainda quando era residente no Hran, o médico estava prestes a operar um homem trans, mas o sistema burocrático o impediu de começar o procedimento de redução das mamas. O paciente estava havia sete anos na fila de espera por não ter como custear a intervenção. “Ele só queria viver. Tive de olhar nos olhos dele e dizer: ‘O sistema foi maior que todos nós’”, confidencia o cirurgião em meio a lágrimas.

João Darques
O especialista em rosto e contorno corporal já integrou o corpo clínico do Hran

A partir daquele episódio, o profissional estabeleceu como meta criar alguma ação para que menos transexuais passem pela situação, além de sensibilizar médicos de outros lugares a expandirem a corrente do bem. “Se eu conseguir ser o melhor que posso ser, influenciarei outras pessoas a sonharem também”, revela o cirurgião sobre o pensamento ensinado pelos pais. O projeto Transformação é o braço filantrópico do Instituto Darques.

Às vezes, o especialista imaginou ser impossível conseguir realizar o propósito. Ele não desistiu e, ao longo do processo, contou com mãos amigas que o incentivaram a ir adiante. Mentores de residência, os médicos Jefferson Lessa Macedo, Simone Rosa e Damião Feitosa serviram como uma mola propulsora, além de Juarez Procopio, gerente do Instituto Darques. Segundo o cirurgião, também são “sócios do sonho” os consultores de comunicação Bruno Aguiar e Deborah de Salles: “Eles acreditaram e fizeram acontecer”, entrega João.

Embora o projeto Transformação ainda não esteja registrado, o Instituto Darques já faz alguns procedimentos com o intuito de reduzir a quantidade de pessoas no aguardo de uma operação. De acordo com o expert, estima-se que no DF há mais de 4 mil pacientes na fila de espera do Sistema Único de Saúde (SUS). Na clínica, o pro bono e o serviço cirúrgico são oferecidos, no entanto, o interessado tem de pagar a parte hospitalar. Como sabe do potencial de unir forças, João pediu a colaboração de outros profissionais da saúde.

João Darques
O profissional dedica seu olhar social ao atendimento de mulheres trans

“Doando uma tarde, conseguimos fazer três operações”, frisa o especialista. No Transformação, ele realiza procedimentos no nariz e próteses mamárias. Outra atividade do projeto social do Instituto Darques é oferecer cursos preparatórios do Enem e atuar como integrador entre pessoas trans desempregadas e agências de emprego. “Temos de vislumbrar e maximizar a educação como um caminho de crescimento, aprendizado e libertação”, justifica o médico.

Superdotado

Geralmente, os adolescentes finalizam o ensino médio e, em seguida, ingressam na faculdade. João deu uma avançada na etapa estudantil. Ele começou o curso superior aos 16 anos, após autorização judicial. As autoridades competentes precisaram ser acionadas devido ao jovem ter garantido a tão sonhada vaga na Universidade Federal de Goiás (UFG), aos 15 anos. O garoto ficou entre os 30 colocados da faculdade, além de ter passado nas concorridas USP e Unicamp, ambas situadas no estado de São Paulo.

Por não querer ficar distante da família, o aluno optou por ingressar na UFG, unidade próxima do lar. Antes da conquista universitária, o futuro médico já trilhava passos de sucesso. Aos 13 anos, João esteve entre os nomes escolhidos em todo o país para um curso na Escola Avançada de Física, no Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA). De lá, deu saltos ainda maiores. Na ocasião, foi contemplado com uma bolsa de estudos no Canadá. No país, o brasileiro experimentou conceitos psicanalíticos e de análise social.

João Darques
João terminou a graduação aos 21 anos

Com tamanha dedicação aos estudos, João Darques tornou-se médico aos 21 anos. Por conta da pouca idade, ele emplacou o nome na lista dos médicos mais jovens do mundo. O brasileiro dividiu as primeiras posições do ranking com profissionais graduados em conceituadas instituições de ensino, como a Universidade de Oxford, nos Estados Unidos. À época, também garantiu a aprovação em primeiro lugar para perito médico do Ministério Público da União (MPU).

“Eu queria trabalhar com gente”, descobriu o profissional após o curso de física no ITA. Em razão do Hran ser o segundo maior hospital referência em cirurgia plástica eletiva, João apostou em Brasília para exercer a residência. Além do Instituto Darques, ele tem atuado na formulação, regulamentação e autorização das cirurgias eletivas em todo o DF. A paixão pelo “quadradinho” está estampada na pele em tatuagens, como o desenho do Lago Paranoá no antebraço.

Poesia

Além de doutor, como é chamado pelos pacientes, João também é poeta. Se não fosse médico, o profissional ativaria as habilidades artísticas. Amante do jogo de palavras em versos e estrofes, ele escreve sobre si mesmo e o que o surpreende. O ofício de bailarino também já passou pela mente do especialista e, na ocasião, surgiu o pensamento: “Como cuidarei das pessoas?”. Em viagem por dois meses a Bali, o brasileiro quase ficou por lá e virou um monge. No entanto, um conselho especial o fez decidir voltar à terra natal. “Você não pode ficar com o que sabe somente para si”. A mensagem o fez retornar e continuar a missão de “curar vidas por meio da cirurgia plástica”.

João Darques
O amor por Brasília o inspirou a fazer uma tatuagem no antebraço do Lago Paranoá e a Ponte JK

Confira abaixo os poemas escritos por João em homenagem à capital que o abraçou:

Sobre Joãozinho
E outros males

E ele se viu pequeno;
Se viu um grão de areia;
Se viu dispensável
Não necessário;
Se viu comum;
Um corpo só
Se viu Joãozinho de tudo
Por todos os lados
Percebeu que assim podia mais do que sabia.
E pela primeira vez foi completamente feliz. 

João Darques

 

Olhos Abertos

Olhava pra todos os lados;
Captava um pouco de tudo com seus olhinhos escuros;
Se embebia do mundo que o cercava;
Não queria mais a cegueira;
Não queria ser dela voluntário;
Queria ser livre de tudo;
Liberdade plena pra ver;
Ser espectador da vida;
Da beleza simples;
Do cuidado tenro;
Queria viver através da leveza;
Da felicidade;
Da calma;
Dos outros.

Joãozinho tinha calma na alma;

E ele iria olhar para você;

João Darques

 

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