Criança plástica

0
216

Lima & Santana Propaganda, sua agência de publicidade e propaganda em Santos

.

Esta semana, vimos ressurgir a história do cirurgião plástico Michael Niccole, profissional argentino que há anos faz procedimentos estéticos nas próprias filhas.

Já conhece o Instagram do Yahoo Vida e Estilo? Segue a gente!

As irmãs Charm e Brittani conhecem o trabalho do pai, claro, desde que nasceram, mas é mais do que apenas saber o que ele faz e visitar o consultório vez ou outra. A primeira vez que entrou na sala de cirurgia, Charm tinha 10 anos e reclamava de um desconforto em relação ao umbigo protuberante.

Em uma das mais recentes operações que fez, Charm colocou silicone, seguindo os passos da irmã, que fez a mesma operação quando completou 18 anos. Aos 21, Brittani ganhou também de aniversário do pai uma cirurgia no nariz.

Leia também

As duas afirmam não só que são um catálogo ambulante para o trabalho dos pais, como também se sentem seguras entrando na sala de cirurgia sob as mãos dele. “Fazer cirurgia plástica com o meu pai faz sentido, já que ele é o melhor na área e eu sei que estou em boas mãos”, explicou Charm em entrevista para o jornal Metro há algum tempo.

Além das próprias cirurgias, as duas fazem inúmeros outros procedimentos, como aplicação de Botox, desde novas.

Cirurgia plástica e padrões de beleza

Não é nenhuma novidade que os padrões de beleza ditam o comportamento e os hábitos femininos há muitas décadas, mas quando o assunto é cirurgia plástica, precisamos pensar duas vezes sobre até onde esses padrões estão indo e a necessidade de colocar meninas desde tão novas debaixo da faca.

É óbvio que esses procedimentos são importantes no caso de necessidades médicas comprovadas. Segundo a cirurgiã Dra. Tatiana Moura, parte da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, de fato não há limite ou restrição de idade para esse tipo de especialidade, principalmente quando se fala em casos de malformação ou de questões de pele logo após o nascimento ou na infância. É o caso da correção das “orelhas de abano” ou dos lábios leporinos, por exemplo, passando por mamas super desenvolvidas durante a adolescência. “São muitas as patalogias ou condições em que o cirurgião plástico atua no paciente pediátrico”, explica.

O que preocupa, porém, é o número de adolescentes que têm buscado a cirurgia como uma opção para lidarem com os próprios corpos. Apenas em 2017, por exemplo, o relatório de cirurgias plásticas da Sociedade Norte-Americana de Cirurgiões Plásticos relatou que aproximadamente 300 mil procedimentos estéticos foram realizados em adolescentes com idade entre 13 e 19 anos naquele ano. No total, os adolescentes fizeram 66 mil procedimentos cirúrgicos e 163 mil não invasivos.

O Brasil não ficam muito longe: segundo a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, o número de procedimentos entre os adolescentes aumentaram 141% nos últimos 4 anos. De acordo com o último censo feito pela instituição, em 2016, no total foram feitos em torno de 97 mil procedimentos em jovens com até 18 anos – o que coloca o país como campeão mundial quando se fala no assunto.

Muito se diz também que esse crescimento no número de cirurgias estéticas em adolescentes se dá por causa do aumento do bullying com o advento das redes sociais e da internet – afinal, comentários maldosos em fotos e mensagens anônimas é o que não faltam online.

Não existem legislações que proíbam esses procedimentos em pacientes menores de idade, mas é um fato que ele divide a comunidade médica. Muitos acreditam que não é ideal mexer na aparência de uma criança até que ela tenha passado totalmente pela fase de crescimento.

Outros, não veem problemas, desde que o paciente tenha autorização dos pais e esteja ciente do que está acontecendo. Tatiana, por exemplo, explica que se o procedimento for bem indicado e respeitar as fases do desenvolvimento do corpo – por exemplo, não mexer nas orelhas até os seis anos de idade ou no nariz antes dos 16 anos para meninas e 18 anos para os meninos -, não existem riscos a longo prazo.

Mas o assunto se torna ainda mais polêmico quando olhamos para outro dado alarmante: apenas 11% das meninas sentem que são “bonitas o suficiente”, de acordo com um estudo feito pela Dove, e 72% delas sentem uma pressão enorme para serem belas.

Como resultado, essas meninas buscam em procedimentos estéticos e até cirurgias uma forma de compensarem essa sensação de que não são bonitas o bastante, gerando uma epidemia de um padrão de beleza irreal e, claro, um impacto profundo na sua autoestima.

Um outro estudo feito por duas universidades britânicas no começo deste ano revelou que as redes sociais têm mais chances de afetar a saúde mental das meninas do que dos meninos – 50% das que usam as redes por cinco horas ou mais por dia demonstraram sintomas de depressão, ante 35% dos meninos que ficaram online pelo mesmo período.

Isso, claro, é também um reflexo da pressão as que as mulheres sofrem, historicamente, para atenderem um padrão de beleza e de comportamento que seja, de certa forma, adequado para a sociedade, segundo a visão masculina. O aumento no número de cirurgias, cada vez mais cedo, apenas demonstra de forma prática como esse efeito vai longe e nos faz questionar, realmente, a necessidade de colocar crianças na sala de cirurgia sem necessidade real.



Fonte



Outros sites desenvolvidos pela Lima & Santana Propaganda


Lima & Santana Propaganda