Crianças de Londrina aprendem sustentabilidade e alimentação saudável

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Da semente germinada no quintal da escola floresce conhecimento. Vinte unidades escolares de Londrina provaram que é possível aproveitar o terreno do pátio para construir uma horta e ensinar na prática noções de convivência, sustentabilidade e alimentação saudável. Os resultados foram apresentados na 1ª Mostra de Projetos Hortas Escolares, realizada em outubro.

A produção da horta vai para a cantina e também para a casa dos alunos, como uma forma de estimular o consumo de alimentos saudáveis | Lais Taine – Grupo Folha

 

No CMEI (Centro Municipal de Educação Infantil) Laura Vergínia de Carvalho Ribeiro, localizado na zona oeste, a horta de ervas aromáticas faz as vezes de um jardim sensorial. Em formato de mandala, o espaço traz a ideia lúdica de um labirinto e conta com o apoio de sistema de irrigação, composteiras e minhocário. “É um espaço muito rico que contempla os seis direitos da aprendizagem da BNCC (Base Nacional Comum Curricular), que são conviver, brincar, participar, explorar, expressar e conhecer-se. Existe uma possibilidade muito grande de trabalho aqui”, aponta Jane Ester Bazoni, coordenadora da unidade. 

Bebês e crianças de seis meses a cinco anos aproveitam o local de formas diferentes. Para isso, foi necessário planejamento com agrônomo da SME (Secretaria Municipal de Educação). “Para criança tem que ser mais estreito, mais lúdico e atrativo. Montamos na altura delas, então, elas sentem os cheiros por onde andam, nós incluímos ervas aromáticas e cada mês que você vem aqui a horta está diferente”, conta o agrônomo Paulo Roberto Guilherme.  

ALUNOS 

Thaisa de Oliveira: "Sempre quis ter natureza na minha casa"
Thaisa de Oliveira: “Sempre quis ter natureza na minha casa” | Lais Taine – Grupo Folha

 

Para algumas crianças, a horta da escola foi a primeira oportunidade de mexer com a terra. “No começo eu fiquei com nojo, mas depois eu gostei”, comenta um. “Eu não tenho nojo da minhoca, ela faz ‘cosquinhas’”, rebate outro. Thaisa de Oliveira, 6, descobriu um novo hobby. “Foi a primeira vez que eu participo e eu senti que adorava natureza, sempre quis ter natureza na minha casa”, afirma,  enquanto mostra uma minhoca na palma da mão.  

Izabelle Lima, 6, conta que o que mais gosta são os bichinhos que ela encontra na plantação. “Já vi caracol, joaninha, minhoca, borboleta…”, enumera. “Minhoca não é nojenta, ela cavouca a terra para fazer adubo”, ensina. Saber para que serve cada planta também motiva a continuar aprendendo sobre o ambiente. “Eu descobri que melissa serve para fazer chá que acalma as pessoas”, revela. 

Izabelle Lima: “Já vi caracol, joaninha, minhoca, borboleta...”
Izabelle Lima: “Já vi caracol, joaninha, minhoca, borboleta…” | Lais Taine – Grupo Folha

 

COMUNIDADE 

A horta na CMEI começou em 2015, mas neste ano ganhou maturidade. Isso porque ganhou apoio. “A avó de uma aluna veio aqui carpir o terreno antes do Paulo instalar a mandala”, recorda a coordenadora. Agregar os moradores da região fez diferença, eles participaram do concurso para escolher o nome Espaço Vida Saudável para a horta e também podem buscar itens cultivados pelas crianças em dias de feira. “O excedente que a gente não usa na nossa cozinha, nós cedemos para as famílias. A gente não vende, nós queremos criar o sentimento de pertença”, revela.

ALIMENTAÇÃO 

A produção da horta vai para a cantina, mas além de saborear a refeição, as crianças aprendem a cozinhar os alimentos na oficina de culinária. Fora das aulas, elas podem levar os itens para dividir com a família e estimular o consumo de alimentos saudáveis. “A única forma de a criança se interessar é experimentando. Tem criança que não come verdura, porque a família não tem o hábito. Levando para a casa, envolve todo mundo. Assim, começamos a perceber que algumas famílias passaram a cultivar horta em casa e vêm tirar dúvidas sobre compostagem”, explica Bazoni.  

SUSTENTABILIDADE 

Além de ser construída a partir de telhas de demolição e materiais recicláveis, a escola também confeccionou sacolinhas retornáveis e recolhe tecido e óleo usados para arrecadar fundos. O controle das pragas na horta é feito de maneira biológica, sem o uso de defensivos agrícola, o formato mandala ajuda na economia de água e na acessibilidade do colega cadeirante, e a composteira e minhocário transformam o lixo orgânico em adubo. 

Como se não bastasse o aprendizado que se tem sobre o cuidado com o meio ambiente, a horta ainda é utilizada para as disciplinas regulares. “A gente veio estudar o desperdício dos alimentos, nós pesamos o conteúdo e calculamos com eles, ensinando matemática, por exemplo”, afirma.  

PRAZER NA TERRA 

Caderno de receitas, espantalhos e cata-ventos de material reciclado, interação com a comunidade, a horta vai além do ensino e se torna um prazer que agrega. “Com esse processo, as crianças passam a valorizar a terra, o planeta, é uma aproximação que ocorre quando todo mundo está se distanciando disso”, afirma a coordenadora, que acredita no potencial de educação e transformação por meio desse trabalho. Para ela, a semente está plantada. “Quando você passa a cuidar da natureza, vai percebendo o desequilíbrio que existe e passa a desenvolver consciência ambiental aqui e fora da escola”, defende. 

CONHECIMENTO PARA AS FAMÍLIAS 

Na Escola Municipal Hélvio Esteves (zona norte de Londrina), as crianças estão aprendendo sobre a vida, natureza e a comer melhor. “Antes eu não comia nada, agora eu como de tudo. Rúcula mesmo eu nem colocava na boca, falava que não gostava, mas eu levei rúcula daqui da horta e experimentei em casa, acabei gostando”, revela João dos Santos Piraí, 11. 

Escola Municipal Hélvio Esteves
Escola Municipal Hélvio Esteves | Gina Mardones – Grupo Folha

 

O estudante recorda de ter espalhado pó de serra na composteira para fazer adubo como primeira atividade da plantação. Hoje, com estufa e irrigação, eles já aprenderam a plantar, cuidar e colher. “A gente planta, tira os matinhos em volta, tira as verduras, colhe tudo e vende”, menciona Bruno Fiori, 10. Todo o trabalho faz parte da oficina de Educação Ambiental, que integra várias disciplinas e turmas para ensinar o cuidado com a natureza e alimentação saudável. 

“É uma rede de convivência, eles têm oficina de alimentação, então a alface vai para a cozinha, a professora ensina sobre o maracujá, os menores vêm e provam os tomatinhos, algumas famílias compram os itens da horta e fazem salada em casa. São muitos benefícios, com a horta se consegue valorizar a natureza e a vida em seus pequenos detalhes e com isso complementamos a educação de ciências, matemática e alimentação, por exemplo”, afirma a professora de educação ambiental Neila da Silva Biazotto. 

As oficinas são realizadas de uma a duas vezes por semana. Além da horta, a sustentabilidade é trabalhada em outros projetos de reciclagem, mas o impacto se apresenta na alimentação. “A aceitação de verdura é muito grande, porque além de vivenciar a horta, eles se sentem motivados a consumirem os alimentos que produziram”, afirma a professora.  

Além disso, a diretora Simone Aguair Adati afirma que a atividade entusiasma as crianças. “Para nós é muito natural, desde o primeiro ano eles têm atividades que se tornaram rotineiras e prazerosas, eles gostam de mexer na horta, colhem, não se importam com a sujeira, eles lidam com muita facilidade”, explica. A plantação conta com apoio da comunidade, que ajuda na conservação e na compra produtos da feira. A unidade também conta com parceria de empresa que melhorou a estrutura da área.  No local, diversos vegetais ensinam sobre o ciclo da vida, clima e temperatura, cuidado com a natureza e alimentação. As crianças aproveitam para descobrir e brincar.

 

MOSTRA 

A escola participou da I Mostra de Projetos Hortas Escolares – Lições da Terra: Saberes, Aromas e Sabores, realizada em outubro. Ao todo, foram 20 unidades: 12 CMEIs, uma CEI e sete escolas. “Para participar, os professores tinham que entregar um banner com a descrição do projeto, objetivos, metodologia, os resultados esperados, conclusão e importância desse trabalho na escola com um vídeo de dois minutos. Essas escolas vão receber uma menção honrosa”, explica Cristina Borba, professora do apoio pedagógico da SME (Secretaria Municipal da Educação).  

“Nós sempre tivemos horas escolares na rede municipal. É um trabalho muito rico que contribui para a formação de consciência e respeito a natureza, preservação do meio ambiente e influencia na alimentação da criança. Os relatos dos professores apontam que quando as crianças plantam, elas levam o conhecimento para as famílias e estimulam a alimentação saudável e produção de hora em casa”, afirma Borba. 



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