Marina Person estreia programa sobre culinária saudável, mas sem militância – 04/11/2019

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De família libanesa, a apresentadora e cineasta Marina Person, 50, lembra que aprendeu a cozinhar ainda na infância, quando sua madrinha e tia-avó colocava os primos juntos para enrolar a massa das esfihas. Era sua maior diversão. Talvez por isso foi natural, muitos anos depois, em 2013, levar para o YouTube seu projeto Marinando, em que encarnava o papel de chef e ensinava receitas saudáveis, fáceis e rápidas, “para pessoas que acham que não sabem cozinhar, mas também nunca tentaram”, sempre ao lado de algum convidado. Depois de um hiato, ela volta com a proposta, agora em Universa, a partir do dia 6 de novembro, e ao lado do cineasta Chiko Guarnieri.

Entre os convidados do programa, que terá novos episódios sempre às quartas, estão o humorista e escritor Gregorio Duvivier, a jornalista e youtuber Fernanda Catania, mais conhecida como Foquinha, e a cantora Teresa Cristina. A ideia é discutir a relação entre alimentação e bem-estar, mas sem colocar o dedo na cara e sem ser militante, destaca Marina. A Mira Filmes, produtora da qual Marina é sócia e fundadora, segue por trás da atração, agora com parceria da MOV, produtora de vídeos do UOL, e de Universa.

Nesta entrevista, Marina, que ficou conhecida do público ainda nos anos 1990 como VJ da MTV, conta sobre o retorno do projeto e fala da sua relação com a comida, mas também de temas indigestos para ela, como o governo Bolsonaro: “Autoritário e despreparado”.

Existem muitos programas de culinária hoje, de diferentes formatos. Por que acha que há tanto interesse no tema?
Há uma demanda grande por qualidade de vida. Não é só falar de culinária. Em Marinando, por exemplo, a gente fala sobre o poder da alimentação, o que ela pode fazer por você. Tem pessoas que não sabem realmente fazer nada, sequer arroz, o que é muito simples e não tem segredo. Então, o programa é para essas pessoas que acham que não sabem cozinhar, mas também nunca tentaram. E, se errar a receita, é normal. Isso requer prática.

Qual o diferencial do programa?
As pessoas não associam a alimentação diretamente ao bem-estar, então talvez o diferencial esteja no fato de conversar sobre esse assunto, trazer essa atenção para o corpo. Quando recebo um convidado, procuro entender a relação que a pessoa tem com a cozinha. Com o Gregorio Duvivier, por exemplo, falamos sobre ser ou não vegetariano. E, nessas discussões, não colocamos o dedo na cara. Não somos militantes.

Como é feita a escolha das receitas?
Cada dia é de um jeito. Tenho muitos livros de receitas, ganho muita coisa. Minha produtora-assistente, a Eugênia Kimura, tem pós-graduação em nutrição e gastronomia vegana e, vira e mexe, surge com alguma receita. Também faço adaptações em pratos e estimulo as pessoas a fazerem o mesmo. Só tem que ter bom senso.

Você já teve algum problema alimentar?
Tive, quando não podia cozinhar. Quando comecei a trabalhar na MTV (1995 a 2011), saía de casa cedo e chegava tarde da noite, sem tempo para ir ao mercado. Comia fora todos os dias, tinha sobrepeso, não ficava feliz. Você fica muito sem controle do que você vai comer. Era um pouco desesperador para mim. Até que comecei a levar marmita. Era tipo garfo e Tupperware na escrivaninha. Como bastante e toda hora, de 3h em 3h, mas presto atenção na qualidade do alimento. Gosto de ser magra, e isso vai para além da estética. Você se sente bem, não tem problemas de saúde.

Você é multifuncional, trabalha com cinema, rádio, internet, culinária. Como se organiza?
Acabo conseguindo aos trancos e barrancos. Vira e mexe trabalho de madrugada. Mas faço por temporada. Com o Marinando, gravo quatro episódios num dia, por exemplo. E aí não pego nem no telefone. Na rádio Eldorado, é a mesma coisa. Gravo uns cinco programas. Parece uma rotina muito atribulada, mas na verdade é muito intercalada. O segredo é a organização.

Nesta segunda (4), você vai ao Supremo Tribunal Federal participar, junto com outros artistas, de uma audiência sobre a suspensão de um edital de TVs públicas destinado a financiar, entre outras produções, alguns filmes de temática LGBTQ+. Há um medo real de censura?
É difícil fazer qualquer prognóstico porque esse governo tem essa característica autoritária. É muito despreparado. O que a gente pode fazer é aproveitar o espaço que os artistas terão no STF para debater. A gente não pode desistir. Estão ferindo não só a classe cultural, mas a população brasileira. A Ancine (Agência Nacional de Cinema) está parada, o presidente tem medo de assinar qualquer coisa sem se responsabilizar por aquilo. Ele quer colocar ainda a mão no Fundo Setorial do Audiovisual. O pior disso é ver milhares de pessoas sem trabalho porque as produções estão paradas. E a burrice maior é que é por questões ideológicas.

Falando em cinema, a cada premiação do ramo pelo mundo, atrizes, roteiristas e diretoras falam em seus discursos sobre a ausência de mulheres no meio. Quais são as maiores dificuldades enfrentadas?
As maiores continuam sendo o tempo em que as mulheres foram preteridas no cinema como um todo. No comecinho de tudo, havia várias cineastas. Quando se tornou uma indústria lucrativa, elas foram afastadas, e isso perdurou por muitos anos. Por isso, historicamente, temos poucas mulheres premiadas. Em todos os festivais pelo mundo, as mulheres são preteridas porque fizeram menos filmes. E fizeram menos filmes porque a cadeia foi dominada por homens. Eles que decidiam quais roteiros seriam filmados. É importante haver mulheres em todas as etapas do cinema, desde roteiro até a crítica. E não existe nada na feitura de um filme que a mulher não possa participar. Já vi muita mulher maquinista, por exemplo.

Agora em novembro, vai acontecer a 5ª edição do Prêmio Cabíria, voltado apenas para roteiros escritos e protagonizados por mulheres. Há quem fale que um festival só com mulheres segrega, afasta os homens do debate. Qual é a sua avaliação?
Vamos inverter então 2.000 anos de patriarcado. Em vez de homens queimarem mulheres na fogueira porque eram curandeiras, vamos trocar os papéis. É a mesma falácia do racismo inverso. Vamos dizer que em vez de os brancos invadirem a África, os africanos que vieram para as Américas. Quem pensa assim ignora anos de história. É muito confortável achar que nosso mundo foi sempre perfeito. Tem que olhar para a história de opressão em cima das mulheres. Não é possível que as pessoas sejam egoístas e não olhem minimamente para isso.

A gente vê muitas mulheres, até as mais experientes, sendo oprimidas por seus companheiros, dentro de uma relação abusiva. Você mesma já disse que há muitos anos viveu um relacionamento abusivo. Como podemos ajudar quem passa por isso?
Em primeiro lugar, ouvir. E conversar e entender, sem julgar. O julgamento não ajuda a gente. Tem que ter sororidade. Quando se está muito apaixonada, é difícil desapegar. Hoje tenho uma couraça mais forte. Não acho que cairia num relacionamento abusivo, mas vai saber? É muita pretensão falar que estou vacinada.



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