Naufrágio cultural – Revista Nove

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Lima & Santana Propaganda, sua agência de publicidade e propaganda em Santos

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Há muito tempo, numa galáxia muito, muito distante, naufragava um navio misterioso, chamado “Kestrel”, numa praia de um lugar mágico e místico… Assim poderia começar um enigmático curta metragem sobre o navio naufragado na paria do Embaré, em Santos/SP.

Alguns historiadores dizem ser um veleiro inglês e que encerrou sua jornada, de forma trágica, junto ao Canal 5. O mesmo 5 que no Tarô representa o Hierofante, uma carta cheia de significados sobre os caminhos que nos ajuda a acessar o divino mistério da existência.

Eis que este veleiro naufragado trás exatamente essa sensação, de quantas possibilidades podemos explorar a partir deste ‘esqueleto de civilização’, exposto e desnudado sempre em períodos de maré baixa, após a ressaca avassaladora que come, pouco a pouco, partes da orla.

Há quem diga que o fim deste navio ocorreu em fevereiro de 1895, mesmo ano da primeira sessão pública de cinema, que aconteceu em 28 de dezembro, em Paris, França. Fato que marca o nascimento desta arte e nos leva a pensar “Como este local de naufrágio não virou um ponto cine afetivo, na cidade que ostenta a conquista do selo de cidade criativa em cinema, outorgado pela Unesco?”.

Cinema é movido por afeto e desejo, já que é a falta que nos move. E o que falta neste navio alimenta nossa imaginação. Daí passar por este local e ver o interesse de muitos, trás este questionamento sociocultural. O próprio cinema pode ser base para nos fazer passear nesta história, assim como fazem os livres pássaros, nos restos deste naufrágio.

Talvez numa galáxia muito, muito distante, exista uma Santos, onde a história seja respeitada, festejada sem oba oba pueril, e que tenha uma política cultural propositiva que sabe lidar com os naufrágios que teimam em reaparecer.

E saber lidar não é cercar com estacas de ferro e fitas para delimitar um “defunto” que ali jaz naquele território. Mas é saber colocar um totem criativo que informe sobre o fato histórico, e assim trabalhar com o afeto de todos que ali questionam que histórias contam essa carcaça da civilização antiga?

Convido você após uma ressaca, do mar, claro, ir a este local rico de possibilidades, e ficar um tempo ouvindo as histórias que surgem nos papos dos peregrinos praieiros. Fiz isso durante este breve ensaio fotográfico, que expande esse texto de estreia da coluna ‘Cinema Afetivo’.

Um grande abraço cheio de afetos!



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