O desejo do corpo ideal entre o espelho e a realidade – docon

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O cirurgião plástico Juliano Pereira (Foto: Divulgação)

“Narciso acha feio o que não é espelho”.

Com a pretensão de iniciar aqui uma conversa bastante oportuna, peço licença ao compositor Caetano Veloso para mudar ligeiramente a letra da canção. Em uma modesta e nada poética versão, digo que Narciso, justamente, “acha bonito o que é espelho”. Se pensarmos no mundo moderno, as redes sociais cumprem hoje em dia a função de “espelhos” em que homens e mulheres se miram desejosos de um padrão de beleza que nem sempre é possível na vida real.

A silhueta esguia, o abdômen tanquinho, a mama bonita… Não é preciso procurar muito nos “espelhos” do Instagram, do Facebook, para encontrar a beleza idealizada. Pelo desejo de ter o corpo e o rosto perfeitos do artista e do digital influencer, as pessoas recorrem ao cirurgião plástico na ânsia de alcançar os padrões estéticos propagados pela mídia.

Seja qual for o biótipo e a realidade facial e corporal, muitos pacientes imaginam que as técnicas cirúrgicas são capazes de oferecer exatamente o que se vê nas redes sociais. Na realidade, não é bem assim.

Não raramente no consultório, o cirurgião plástico depara-se com o desejo “espelhado” do paciente em face de uma série de limitações.

A primeira consideração que se faz no momento da avaliação é sobre o peso no pré-operatório. E este é um fator limitante. Nas cirurgias bem-sucedidas, a boa forma física, conquistada com a prática regular de exercícios e a alimentação adequada são condições mais que desejáveis.

A segunda limitação leva em consideração a estrutura corporal. Uma pessoa brevilínea, de baixa estatura e corpo largo, por exemplo, nunca será longilínea, ou seja, alta e delgada.

Ainda sobre a realidade de cada indivíduo e as limitações determinadas pela constituição física, nem sempre o cirurgião pode colocar o volume de prótese desejado pelo paciente. Da mesma forma, nem sempre é possível retirar o tanto de gordura que se almeja com a lipoaspiração.

Sem dúvida, a cirurgia plástica é uma grande aliada da melhora estética. Mas de tudo o que foi observado até aqui, afirmo que é muito importante que exista sempre o alinhamento entre a expectativa e o que pode ser oferecido pelos recursos da cirurgia plástica.

Mas voltemos à versão nem um pouco poética, emprestada dos versos geniais de Caetano Veloso. Embora exista uma legião de Narcisos “espelhando-se” em belos padrões de corpo e rosto, reafirmo que a cirurgia plástica avançou consideravelmente quanto aos recursos para melhorar a autoestima dos pacientes. Mas não tem o poder do milagre.  

Juliano Pereira (CRM 141574) é cirurgião plástico, membro especialista e titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica. Coordenador do Departamento de Cirurgia Plástica da Sociedade de Medicina e Cirurgia de Campinas (2018-2020). Preceptor da Residência Médica (MEC) em Cirurgia Plástica do Serviço Professor Ricardo Baroudi (Hospital Irmãos Penteado). www.julianopereira.com.br


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