O que você deseja? | Blog Pela Lente da Gente

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    Lima & Santana Propaganda, sua agência de publicidade e propaganda em Santos

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    O número de brasileiros que não conseguem pagar as contas bate recorde, um supermutirão de renegociação de dívidas acontece nesta semana e eu me perguntei sobre desejos. Como aproveitar esse momento para trazer uma reflexão leve e valiosa pra gente atravessar 2019 podendo desejar mais em 2020? Busquei duas grandes professoras pra nos ensinar.

    Desejo é bom. É o que nos move em cada alvorada, leva energia para o corpo despertar, o coração bater e a mente viajar em tantas possibilidades possíveis. A sensação de falta é necessária, nos move mas não pode ser o único guia. Foi um dos primeiros aprendizados que tive com Vera.

    “O desejo nunca será plenamente satisfeito. É infinito. Saber que esse buraco não será totalmente preenchido é fundamental pra não se atrapalhar pela vida afora”.

    A Vera Rita de Melo Ferreira é doutora em psicologia social, tem muitos desejos e há 25 anos estuda como consumimos.

    Pra começar, começou contando que desejo e consumo são diferentes. Desejo é um sentimento de incompletude, falta. Desejo não tem fim. “A gente nunca sabe o que deseja, de fato, no máximo o que quer naquele momento”, lembrou. Consumo veio depois e tem a ver com a sensação de que precisamos sempre de mais, sempre de fora.

    Pergunto: você já pensou no que realmente mobiliza seus desejos, gasta o tempo que a tarefa exige?

    A missão da Miriam Lund é essa. Fazer seus clientes repensarem. As dívidas que angustiam os mais de 62 milhões de brasileiros, hoje inadimplentes, nasceram dos pequenos desejos, das pequenas dívidas.

    Planejadora financeira há mais de 15 anos, ela diz que o momento do país também não ajuda: “As pessoas estão infelizes, insatisfeitas com trabalho. O consumo é uma válvula de escape. Você precisa transformar, como uma empresa, criar objetivos”.

    O que eu quero pra minha vida?

    O que eu desejo? Por que?

    A gente não parcela desejos, só as dívidas. Só no começo deste século, os economistas começaram a estudar com mais profundidade o ser emocional que nos habita. E vem crescendo a tal da “Ciência Comportamental”, com experiências de sucesso, como a do banheiro do aeroporto de Amsterdam, na Holanda. A partir de problemas simples. O banheiro era muito sujo porque os homens erravam a mira com bastante frequência. A mudança foi simples e barata: colocar um adesivo de mosca no mictório. Os usuários passaram a ter um ponto de concentração e o resultado veio rápido.

    Os estímulos estão a nosso favor nessa lida com os desejos.

    As maiores dívidas, no geral, são com cartão de crédito e cheque especial. Mas a maior dívida mesmo é com o olhar pra dentro, com nosso autocontrole. Exige, mas dizem que vale a pena.

    “É difícil mesmo, não está fácil. Cada um matando um leão por dia, você já tem que se controlar em tanta coisa pra se proteger da violência diária, pra não jogar tudo pro alto, pra não mandar o chefe passear, pra educar os filhos, ainda entender as prioridades e nem sempre acertar. O autocontrole se esgota”, disse Vera.

    O perrengue diário ganha um tamanho dentro de cada um de nós e extravasa de jeitos bem particulares também. Pode ser num chocolate, naquele tênis, na viagem de navio, no sapato que disseram que ia entrar em promoção mas não entrou… Ahhh, eu mereço. Você não!?

    Vera lembra que o desejo sempre pulsará dentro de todos nós e o consumo vem com charme e conveniência pra tentar responder a esse anseio. Anseio que só vai cessar quando: a gente morrer. Desejo encanta e desencanta fácil. O tempo para a próxima compra. Desejo é cheio de pegadinhas. Aprendi também que é inconsciente, no máximo a gente sabe o que quer naquele momento.

    O desejo nunca será plenamente satisfeito, é provisório. Dali a pouco o vazio volta. O desejo cria ilusões. Criamos realidades paralelas ao ponto de achar que dinheiro do banco é nosso.

    Voltemos a Miriam e os treinamentos. Ela me contou dos ensinamentos de Richard Thaler – Nobel de Economia em 2017 – e sua arquitetura de escolha. O Thaler defende que não é fácil mesmo, precisamos entender como mudar e, portanto, os governos devem criar políticas públicas que nos ajudem nas tomadas de decisões. A tendência humana é de procrastinar tudo o que demanda tempo e concentração.

    “Tempo para despertar para as armadilhas do marketing e as que estão dentro de você”, relembrou Miriam.

    Vamos treinar. O que você deseja? E por que?



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