Operação mira distribuidoras de medicamentos e farmácias que teriam sonegado R$ 10 bi | Jornal Nacional

    0
    14

    Lima & Santana Propaganda, sua agência de publicidade e propaganda em Santos

    .

    O Ministério Público e a Receita Federal fizeram uma operação em São Paulo contra distribuidoras de medicamentos e farmácias que teriam sonegado R$ 10 bilhões em impostos.

    Gavetas abarrotadas de dinheiro: R$ 9,5 milhões organizados em notas de R$ 100. O montante foi encontrado na casa do sócio da rede varejista Bifarma em Santana de Parnaíba, na Grande São Paulo, que não demonstrou nenhuma preocupação com a apreensão do dinheiro.

    “Ele se manteve calmo e ainda disse ao promotor e aos policiais civis que ele ia trabalhar para ganhar tudo de novo”, conta Alexandre Castilho, promotor de Justiça.

    Em outro endereço na Zona Sul da capital paulista, o diretor da Associação Brasileira de Distribuição e Logística de Produtos Farmacêuticos demorou a abrir a porta porque, segundo os promotores, tentava esconder R$ 200 mil em sacos de lixo.

    A segunda fase da Operação Monte Cristo foi deflagrada nesta quinta (1º) em 32 municípios dos estados de São Paulo, Minas Gerais e Goiás. A operação é resultado de uma força-tarefa que reúne o Ministério Público de São Paulo, a Receita Federal, a Secretaria da Fazenda e a Procuradoria-Geral do Estado de São Paulo, para apurar supostas fraudes bilionárias no setor farmacêutico.

    Na primeira fase da operação em 2017, o alvo foi uma rede de farmácias. Os executivos se tornaram delatores e apontaram os nomes dos suspeitos de envolvimento no esquema de sonegação fiscal e lavagem de dinheiro.

    Segundo a investigação, participariam das fraudes cinco distribuidoras de remédios: Medicamental, Navarro, Dismed, Divamed e Mais Bella; duas redes varejistas Bifarma e Campeã e a Abradilan, Associação Brasileira de Distribuição e Logística de Produtos Farmacêuticos.

    Os promotores afirmam que o esquema driblava o pagamento do ICMS, o Imposto sobre Circulação de Mercadorias. Quando muda de estado, a alíquota pode ficar menor. Por exemplo, para não pagar mais em São Paulo, os suspeitos enviavam os medicamentos para Goiás. De lá, a mercadoria era levada de volta para São Paulo, onde distribuidoras fantasmas ficariam encarregadas de recolher o ICMS com a alíquota menor de Goiás.

    Segundo a investigação, essas empresas de fachada também não recolhiam os impostos.

    “O caminho da fraude é sempre muito parecido. E essa nota fiscal passeia por Goiás e volta para o estado de São Paulo”, explica Fernando Poli, auditor fiscal da Receita Federal.

    “Quando o fisco chegava para cobrar, essas empresas já não existiam, não tinham patrimônio ou não se encontrava nenhum sócio efetivamente dessa empresa”, afirma Gustavo Ley, coordenador de administração tributária/SP.

    A força-tarefa calcula que o esquema tenha causado um prejuízo aos cofres do governo federal e do estado de São Paulo de R$ 10 bilhões. Esse é o montante que deixou de ser pago em impostos e contribuições pelas empresas suspeitas nos últimos seis anos. E, a partir do material apreendido nesta quinta, a força-tarefa pretende ampliar as investigações para o setor farmacêutico de todo o país.

    “Estamos aí combatendo a sonegação fiscal, são recursos que o estado tanto necessita. A lavagem de dinheiro, outras práticas criminais envolvidas, e inclusive a proteção à livre concorrência, na medida que essas empresas, pagando menos impostos, elas ficam em uma condição privilegiada em relação às demais, causando danos inclusive à população”, avalia José Roberto Mazarin, superintendente regional da Receita Federal/SP.

    A Medicamental declarou que não teve acesso aos autos e que prestará todas as informações por ter interesse no esclarecimento do caso.

    O Grupo Bifarma também afirmou que não tem informações sobre as investigações, que jamais praticou qualquer irregularidade e que está à disposição das autoridades.

    A Navarro afirmou que jamais compactuou ou incorreu em ilícitos de ordem tributária e fiscal e que atendeu aos pedidos do Ministério Público e dos demais órgãos envolvidos na operação.

    A Associação Brasileira de Distribuição e Logística de Produtos Farmacêuticos declarou que a medida contra a entidade é um equívoco, que é uma entidade representativa do setor e que por isso não compra, não vende e nem estoca produtos.

    O Jornal Nacional entrou em contato com a Dismed e a Divamed, que ficaram de se manifestar, mas não deram retorno.

    Com a distribuidora Mais Bella o Jornal Nacional não conseguiu contato.

    A Rede Campeã não se manifestou.



    Fonte



    Outros sites desenvolvidos pela Lima & Santana Propaganda


    Lima & Santana Propaganda