Pressão estética na quarentena

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Julho de 2020. “Eu perdi 8kg, e quando eu perdi foi embora tudo junto. Foi embora a minha autoestima, a minha vontade de viver, tá? Aí, agora que eu saí para fazer um procedimento estético que me devolveu um pouco disso, (…) tenho que ser ridicularizada na internet?”, desabafa a influenciadora Gabi Prado furou a quarentena para fazer o foxy eyes (procedimento estético que alonga e arqueia as sobrancelhas). Na mesma época Bárbara Evans caiu na mesma malha fina da internet após ter feito preenchimento labial. “Eu não estou defendendo, eu só estou falando por mim. Não estou falando que fiz algum procedimento, só estou falando que é muito chato essa cobrança”, falou em suas redes na época.

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Bem longe dos sites de celebridade, a advogada Mariana Gonzalez fazia um procedimento estético. “Eu odiava tudo que eu via em mim. Eu tinha um sorriso torto, um nariz de batata, uma cara redonda. Era horrível. Agora sinto que eu sou quem eu realmente sou, sabe? Agora eu consigo ver meu reflexo no espelho ou na câmera e sentir que este é o meu verdadeiro eu”, fala. Gonzalez fez o primeiro tratamento estético aos 17 anos e hoje, aos 27 anos, soma nove intervenções, entre cirurgias e procedimentos não-cirúrgicos. “A vantagem de fazer na pandemia é o pós operatório. A gente consegue ficar mais tranquila, tem menos eventos, dá para trabalhar de casa… é muita vantagem”, fala.    

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Em um levantamento feito pelo Yahoo, de junho para setembro houve um aumento de 30% em cirurgia plástica em comparação com o mesmo mês no ano passado. Ou seja, a crise pode até ter afetado financeiramente o bolso das pacientes, mas a vontade de mudar uma ou outra coisinha no rosto, não. Os procedimentos plásticos mais procurados são rinoplastia, lifting facial e lipoaspiração. “Muitas pessoas quiseram ganhar tempo, aproveitar esse momento que era recomendado ficar em casa. Acredito que esta procura se deve ao tempo que as pessoas tiveram para se observar durante o confinamento na pandemia, principalmente por conta das vídeo-chamadas”, fala Dr. Regis Ramos, membro Titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica. Faz sentido: neste ano, 63% dos usuários do aplicativo Whatsapp (presente em 99% dos aparelhos no Brasil) estão fazendo chamadas por vídeo, segundo levantamento feito pela Mobile Time e pela Opinion Box, em parceria com a Infobip.  

Atento a essas mudanças, o Instagram proibiu em outubro de 2019 o uso de filtros que imitam efeitos de cirurgia plástica, como afinação de nariz, queixo quadrado e etc. A medida foi tomada após uma série de estudos, incluindo uma pesquisa publicada na revista ‘Current Psychology’, em abril de 2019, que fala sobre a vontade de mulheres com idades entre 18 e 29 anos tinham de fazer cirurgia plástica por causa das redes sociais.

Segundo números da Sociedade Americana de Cirurgia Plástica Estética, o número de liftings faciais realizados nos Estados Unidos aumentou 21,8% nos cinco anos, entre 2013 e 2018. Aqui no Brasil os números não são diferentes: foram 1.050.945 de cirurgias estéticas, de acordo com o último Censo 2018 da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica. Isso representa um aumento de 25% em comparação com 2017. Desse número, 60,3% são cirurgia estética e apenas 40% é reparadora. Trocando em miúdos: independente do país, a cirurgia estética está em ascensão.

O outro lado

Enquanto há gente que aproveitou o tempo para fazer procedimentos estéticos, muita gente relaxou não só com a aparência, mas também como a cobrança que tem de si mesmo. “A quarentena e o isolamento fizeram com que muita gente se olhe no espelho e questione: ‘Será que eu preciso fazer tudo isso? Tô dentro de casa’. A gente começa a questionar, questionar nosso consumo, questionar a nossa relação com a gente mesma. Afinal de contas, o que é um corpo perfeito?”, fala Alexandra Gurgel, influenciadora e criadora do Movimento Corpo Livre, uma campanha das redes sociais para cada um aceitar e amar o corpo que tem. “Todo mundo sofre pressão estética, seja você gordo ou magro. A pressão estética é a pressão para você ser perfeita, para que você se encaixe naquele padrão. Não só estético, como também comportamental também”, explica.

Outra pessoa que já era bastante exposta, mesmo antes do período das vídeo-chamadas, era a atriz e cantora Cleo. Filha de pais famosos e figurinha bastante presente nas novelas, desde muito jovem foi julgada por causa de seu corpo. “Eu não sei se existe uma forma de não sentir pressão estética. Se você é mulher, você sentiu isso pelo menos uma vez na vida”, fala. “No passado foi bem difícil lidar com os ataques. Profissionais fazendo vídeos e falando que eu tinha deformado minha cara com plástica, preenchimento, “coisa mal feita” ou ‘coisa feita de uma forma errada”  sendo que eu só tinha engordado. Ver as pessoas usando de forma sensacionalista, mentirosa para tentar justificar algo que foi natural do meu corpo foi uma coisa que me doeu bastante”, relembra Cleo. 

Impossibilitada de mudar o olhar das outras pessoas, ela decidiu mudar a forma de encarar o espelho e os comentários. “Acho que minha relação com meu corpo, atualmente, é uma relação de muito respeito, muito cuidado, muito carinho. Eu priorizo muito a minha saúde em primeiro lugar, minha saúde mental também. Foi uma decisão mesmo, decidi que eu vou fazer de tudo para que o julgamento do outro sobre meu corpo sobre minha aparência não me adoeça”, conclui.  



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