Resultado de eleições presidenciais da Bolívia não deve ser conhecido neste domingo | Mundo

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    O resultado das eleições presidenciais da Bolívia – realizadas neste domingo (18) – pode levar mais de um dia para ser conhecido, depois que o Tribunal Superior Eleitoral decidiu eliminar o sistema de apuração preliminar e manter apenas a contagem individual, muito mais lenta, uma decisão anunciada na noite de sábado.

    Na eleição de 2019, foi justamente a adoção dos dois sistemas paralelos que causou confusão, quando números do sistema de Transmissão de Resultados Eleitorais Preliminares, batizado de Trep, começaram a diferir da contagem individual de votos.

    Luis Arce, candidato do MAS, exibe cédula ao votar em eleição presidencial em La Paz, na Bolívia, no domingo (18) — Foto: AP Photo/Juan Karita

    A votação deste domingo transcorreu em clima pacífico, e foi encerrada sem problemas às 17 horas (18 horas em Brasília), ainda com filas em algumas sessões eleitorais. Quem ainda estava nesses locais teve direito a votar.

    Os eleitores votaram para escolher quem vai substituir Jeanine Añez, a presidente interina que assumiu em novembro de 2019, após a anulação da votação daquele ano e os distúrbios que levaram Evo Morales a renunciar (leia mais no final da reportagem).

    Essas foras as primeiras eleições na Bolívia sem a participação de Evo Morales desde 1997.

    Carlos Mesa, candidaro do Comunidad Ciudadana, vota em eleição presidencial em La Paz, na Bolívia, no domingo (18) — Foto: AP Foto/Martín Mejía

    A eleição pode ser decidida já no primeiro turno se um dos candidatos tiver pelo menos 40% dos votos válidos e mais de dez pontos percentuais a mais que o segundo colocado. Se ninguém conseguir esse resultado, um segundo turno está marcado para o dia 29 de novembro.

    Para evitar os problemas do ano passado, grupos ligados a fundações e universidades observaram os locais de votação, segundo Juan Carlos Nunes, da Fundación Jubileo, uma fundação católica de incentivo à democracia no país.

    Os eventos de 2019, diz ele, fizeram com que as pessoas perdessem a confiança no tribunal eleitoral. Os bolivianos criaram suas próprias “missões de observação” doméstica, recebendo instruções de técnicos da OEA e da União Europeia.

    Nunes prevê que o país terá um segundo turno. “O eleitorado do MAS é muito fiel, especialmente na área rural. Esse voto seguirá com Arce, mas ele tem um limite que não é como o dos anos passados, quando Evo tinha um apoio de 70%, 80% das áreas rurais ou das pessoas que tinham migrado do campo para as cidades.”

    Veja abaixo quem são os três concorrentes que lideram as pesquisas:

    Luis Fernando Camacho, Carlos Mesa e Luis Arce, os candidatos à presidência da Bolívia — Foto: Reuters

    • Luis Arce é o candidato do MAS, o partido de Evo Morales. Arce foi ministro da economia de Evo – nesse cargo, ele foi responsável por estatização de empresas. Durante a campanha, ele buscou se distanciar dos aspectos mais polêmicos dos anos de Evo – ele afirmou, por exemplo, que não vai interferir em investigações contra ex-ministros do MAS.
    • Carlos Mesa já foi presidente da Bolívia entre 2003 e 2005. Ele concorreu contra Evo nas eleições de 2019 e ficou em segundo. É considerado um centrista.
    • Luis Fernando Camacho é um líder de extrema-direita que liderou protestos contra Evo. Ele é de Santa Cruz, o estado mais populoso.

    Há outros candidatos, mas eles pontuam pouco nas pesquisas de intenção de voto.

    Arce tem 33,6% da preferência dos eleitores, seguido de Mesa, com 26,8%, de acordo com uma pesquisa da organização Tu Voto Cuenta, feita entre 2 e 5 de outubro. Camacho, em terceiro, tem 13,9% das intenções de voto.

    Dois candidatos de direita abandonaram a corrida eleitoral: a presidente interina, Jeanine Añez, e Jorge Quiroga, que também já foi o líder do país.

    Os dois deixaram as eleições para evitar uma vitória em primeiro turno de Arce, o candidato de Evo. No entanto, nenhum dos dois declarou apoio a Mesa, o segundo colocado.

    Alguns assuntos são centrais na atual disputa pelo poder na Bolívia:

    • Evo Morales: O ex-presidente está exilado na Argentina. Ele é investigado por promotores por supostos crimes de naturezas distintas –ele nega todos. Há acusações de corrupção, fraude eleitoral e abuso sexual. Mesa disse que, em seu governo, Evo não ficaria impune por seus crimes (que ainda não foram julgados). Arce, aliado do ex-presidente, sinalizou que facilitará a volta de seu aliado.

    O ex-presidente da Bolívia, Evo Morales, durante entrevista coletiva em Buenos Aires, na Argentina, em 2019 — Foto: Reuters/Agustin Marcarian

    • Política para a coca: A folha de coca é uma cultura tradicional na Bolívia. Nos anos de Evo, os agricultores que plantam a folha de coca tiveram apoio do governo, que acabou com as operações das agências antidrogas dos EUA no país. Os dois candidatos afirmam que é preciso combater as drogas. Arce afirma que as regiões tradicionais de cultivo devem ser protegidas por lei. Mesa afirma que é preciso controlar mais a produção legal.

    Aplicação de pesticidas em plantação de coca na Bolívia — Foto: William Wroblewski/AFP

    • Relação com os EUA: Durante o governo de Evo, a relação entre a Bolívia e os EUA esfriou –não há embaixador americano na Bolívia desde 2008. Arce prometeu “trabalhar com todos”, e Mesa disse que não há razão para não retomar uma relação plena, com embaixadores, com os EUA.
    • Lítio: O mineral é usado e baterias para veículos elétricos. A Bolívia tem grandes reservas do material, e elas foram pouco exploradas. Os dois candidatos sinalizaram que pretendem mudar isso. Mesa já afirmou que pretende transformar o país em um produtor global. Arce disse que quer industrializar o lítio e criar 130 mil empregos diretos e indiretos dessa cadeia.

    Entenda as eleições canceladas de 2019

    A votação para eleger o próximo presidente é a segunda em um ano. Em 20 de outubro de 2019, Evo concorreu pela quarta vez e ficou em primeiro (Mesa, que agora concorre novamente, ficou em segundo). Como teve mais de 40% dos votos, ele foi considerado vencedor.

    O resultado inicial da apuração indicava um segundo turno, mas houve interrupções na contagem. Depois de dias de indefinição, o processo foi retomado e Evo saiu como vencedor.

    Começaram, então, protestos contra os resultados.

    No dia 10 de novembro de 2019, a Organização dos Estados Americanos (OEA) tornou público um relatório que apontava que as eleições haviam sido fraudadas.

    Evo cancelou os resultados e convocou novas eleições imediatamente. Porém, a ação não foi suficiente: pressionado por militares, ele renunciou e, em seguida, fugiu do país. Inicialmente, ele foi para o México e, depois, se exilou na Argentina.

    Posteriormente, estudos de grupos de pesquisas dos EUA colocaram em dúvida a alegação da OEA de que as eleições de 2019 foram fraudadas.

    O governo interino de Jeanine Añez

    Presidente Jeanine Áñez, durante pronunciamento — Foto: Governo da Bolívia/Reprodução

    Uma senadora de direita, Jeanine Añez, assumiu a presidência de forma interina. Quando ela chegou ao poder, textos antigos dela em redes sociais mostravam que ela havia dito que os aimaras, povos indígenas da Bolívia, praticavam rituais satânicos.

    Durante os meses dela no poder, foram abertas investigações de dirigentes do MAS por terrorismo.

    Em maio, seu ministro da Saúde foi preso por desviar dinheiro que deveria ser usado para comprar respiradores para os pacientes de Covid-19.

    Añez adiou as eleições presidenciais duas vezes.

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