Adolescente da periferia sem computador para escrever tem prosa publicada em antologia na Suíça | Santos e Região

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    Mesmo sem ter um computador para escrever, um adolescente da periferia de São Vicente, no litoral de São Paulo, conseguiu que sua prosa fosse publicada em uma antologia lançada em Genebra, na Suíça. O estudante escreveu sua obra à mão para um concurso literário, e a ditou para que uma de suas professoras passasse a história para um arquivo no computador.

    Tudo começou quando Alexandra Rodrigues, de 46 anos, docente do Caic Ayrton Senna da Silva, publicou no grupo que tem com os alunos na web a inscrição para o Concurso Literário Nacional Cultive. Mesmo sem recursos para participar, Makawllim Tomé, de 15 anos, topou o desafio, pegou papel e caneta e iniciou a produção do texto, com o tema ‘Era uma vez um anjo’.

    “Ele já havia ganhado um concurso de literatura quando era mais novo. Quando eu vi esse, logo pensei nele. O intuito era incentivar”, conta a professora de língua portuguesa. Diante do interesse do garoto, ela se propôs a ajudá-lo nas correções e estruturação do texto.

    “Inicialmente, achei que era um projeto mais curto, mas depois analisei que precisava escrever mais. Tive que adicionar mais elementos à história, para ficar mais interessante”, afirma Makawllim. Inspirado na história da própria mãe, Monalisa Tomé, o adolescente escreveu a prosa intitulada ‘A Trajetória de um anjo’, pois é assim que enxerga a mãe, sua grande protetora.

    Adolescente escreveu livro inspirado na mãe — Foto: Arquivo Pessoal

    “O processo de escrever foi exaustivo, desgastou muito a mim, minha mãe e a professora. Basicamente, trabalhamos sob pressão, pois tinha que fazer uma história em um curto período de tempo”, explica o jovem. Após a conclusão do texto, vendo que o menino não tinha como digitalizar, a professora decidiu dar uma mãozinha.

    “Por causa da pandemia, não podíamos nos encontrar na escola, então, falei para fazermos a correção online. Ele lia pelo telefone, mas ficava ruim, até mesmo por causa da pontuação. Pedi para que escrevesse pelo celular, mas ele disse que ficaria complicado, até devido ao tamanho. Decidimos fazer uma chamada pelo Meet, e eu compartilhei a tela com ele. O Makawllim me ditava, e assim, conseguimos escrever”, conta Alexandra. Foram cerca de 40 minutos para digitar toda a prosa do garoto.

    A dedicação dele e o esforço da professora foram recompensados. Makawllim ganhou em primeiro lugar na categoria ‘Prosa’, o que garantiu a publicação do texto na antologia ‘Era uma vez um anjo’, livro lançado em Genebra e que fez parte do 1º Salão Internacional do Livro e da Cultura de Genebra Cultive, promovido pela Association Cultive Club International D´Art, Littérature et Solidarité, criado por brasileiros, mas com sede na Europa. O evento ocorreu no dia 15 de maio.

    “Não esperávamos esse resultado. A professora teve a maior paciência com ele. Fiquei muito feliz, porque, embora estejamos na periferia de São Vicente, o modo de pensar é o que faz a diferença”, afirma a mãe do estudante, orgulhosa do trabalho do filho.

    A professora compartilha do sentimento de Monalisa, e afirma que é gratificante ver que conseguiu, de alguma maneira, contribuir positivamente para a educação do adolescente. “A escola fica em uma região de periferia, e nem sempre o resultado é esse. Às vezes, o retorno é triste. Trabalhamos para que eles [alunos] sigam uma vida diferente. Eu sei que o futuro dele vai ser bom”, finaliza a docente.

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