Após amputar braço deformado por câncer, jovem enfrenta problemas para custear transporte e realizar tratamento | Mais Saúde

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    Lucas Andrade Rizzo, de 16 anos, começou a sentir fortes dores no braço direito no início deste ano, e percebeu um calombo crescendo acima do cotovelo. Ele passou por diversas consultas médicas, mas foi informado de que se tratava de uma “dor de crescimento”, por ele estar se desenvolvendo fisicamente, e que era normal. Após meses de idas e vindas ao hospital, ele foi encaminhado a um hospital em Santos, e ao realizar uma biópsia, foi diagnosticado com osteosarcoma, um câncer nos ossos, em abril.

    Durante o tratamento da doença, Rizzo descobriu que teria de amputar o braço, pois, no estágio em que o tumor foi diagnosticado, já não havia chances de recuperar o membro. No dia 2 de julho, ele realizou a amputação, e desde então, seguiu realizando tratamentos oncológicos contra o câncer, para evitar metástases.

    Adolescente amputou o braço direito no dia 2 de julho, após iniciar tratamento contra um osteosarcoma — Foto: Arquivo pessoal

    Em entrevista ao G1 nesta terça-feira (24), a mãe do adolescente, a manicure Damaris Angelique Rizzo, relatou que a família tem enfrentado dificuldades para custear o transporte de Itanhaém a Santos, onde o filho realiza o tratamento.

    Damaris explica que a Prefeitura de Itanhaém disponibiliza uma van para levá-lo junto a outros pacientes, porém, de acordo com ela, por conta da imunidade baixa, a médica de Lucas disse que ele não poderia estar no mesmo veículo com várias outras pessoas. Ao explicar isso aos responsáveis pelo serviço, eles relataram que ela deveria entrar com um processo judicial.

    “Processo? Eu não tenho tempo para processar ninguém, para entrar na Justiça. Eu só tenho tempo para cuidar do meu filho. Ele precisa de mim”, diz.

    Desta forma, a família faz o transporte por meio de carros de aplicativo, para levar o menor para as internações e trazê-lo para casa após receber alta médica.

    Adolescente descobriu câncer após ir diversas vezes a médicos e ouvir que sentia apenas ‘dores de crescimento’ — Foto: Arquivo Pessoal

    Com ela e o marido desempregados, devido ao tempo destinado para acompanhar Rizzo nos tratamentos e internações, Damaris começou a realizar rifas de itens doados para Lucas, como bonecos antigos e produtos de higiene. Com roupas também doadas, ela abriu um bazar em casa para tentar conseguir o dinheiro do transporte.

    Além do trajeto, a família tem gastado com a alimentação do adolescente, já que ele não consegue comer a comida do hospital e acaba vomitando. Preocupada com a situação, ela está tentando vender a casa onde mora em Itanhaém para comprar uma mais próxima ao hospital onde o tratamento acontece. “Estou tentando vender a minha casa e comprar uma mais perto, em São Vicente, por exemplo, que acredito ser mais barato”, explica.

    Lucas Andrade Rizzo, de 16 anos, segue realizando tratamentos oncológicos para evitar a metástase do câncer ósseo — Foto: Arquivo pessoal

    Após perder um membro aos 16 anos, Lucas relatou ao G1 como tem sido o período de adaptação depois da amputação. “É bem complicado. Eu era destro, e ficou mais difícil ainda fazer tudo com a mão esquerda. E, também, tem a questão emocional de viver nessa situação. Penso que, por um erro médico, isso está acontecendo”, conta.

    O jovem ainda relata que costumava ser independente, mas, atualmente, precisa de ajuda para a maioria das atividades, o que o deixa desanimado.

    “Não é muito encorajador saber como eu vou continuar. Apesar de eles [família] me ajudarem muito, minha vida mudou bastante. Depois da amputação, eu sinto que as coisas estão piores, porque fico mais desanimado para fazer qualquer coisa. Fico muito atrapalhado com um braço só, derrubo as coisas, então, me sinto mal de ter que pedir ajuda”, desabafa.

    Em relação às dores, Rizzo conta que elas diminuíram, mas que ele ainda sente uma “dor fantasma”, que acontece quando o cérebro continua enviando sinais de dor ao nervo cortado, por ainda não ter se adaptado à nova condição física. As dores são reais e persistem por um tempo após a amputação.

    Após amputar braço, adolescente enfrenta problemas para custear transporte e realizar tratamento oncológico — Foto: Arquivo Pessoal

    O G1 entrou em contato com a Prefeitura de Itanhaém para saber se o município oferece algum auxílio financeiro ou meio de transporte que possa levar Lucas individualmente para Santos. Confira a resposta na íntegra:

    “A Sra. Damaris, mãe do Lucas, esteve na Secretaria de Saúde no mês de abril para agendar o transporte para a primeira consulta com o oncologista de hospital em Santos. Após essa data, ela esteve mais algumas vezes para agendar o transporte e depois não retornou mais. A equipe da secretaria chegou a realizar a alta hospitalar do paciente em transporte a pedido do hospital. Segundo nossos arquivos e verificações junto aos servidores, nunca foi solicitado ou questionado se haveria outro tipo de transporte, não tendo, assim, a oportunidade de orientarmos sobre como abrir um processo administrativo para auditoria em demanda especial, para avaliação de serviço especializado. Em relação ao relatado pela Sra. Damaris, acreditamos que tenha ocorrido algum desencontro de informações, e nos encontramos à disposição para mais esclarecimentos”.

    De acordo com dados da Sociedade Brasileira de Cancerologia, o tumor ósseo representa 2% das patologias oncológicas no Brasil. São registrados, em média, de dois a três casos da doença a cada 1 milhão de habitantes, sendo que, nas crianças e adolescentes, o tipo mais comum é o osteosarcoma.

    O câncer ósseo normalmente afeta os ossos longos dos braços e coxas, coluna e bacia. “A doença é classificada em tumor ósseo primário, que é quando o câncer se desenvolve diretamente no osso; e tumor ósseo secundário, que surge a partir de um processo conhecido como metástase óssea, quando um câncer em outro órgão se dissemina pelos ossos”, explica o ortopedista oncológico Fernando Brasil.

    A causa específica da maioria dos tipos de câncer ósseo é desconhecida. Porém, acredita-se que ela esteja relacionada a um erro no DNA de algumas células, que faz com que haja uma mutação ou divisão celular de forma irregular.

    A exposição a altos níveis de radiação, síndromes genéticas e doenças pré-existentes, como a doença de Paget, contribuem para o aumento das chances de desenvolvimento do tumor ósseo. Alguns dos principais sintomas desse câncer são as dores intensas e frequentes em determinadas partes do corpo e fraturas patológicas causadas por algum acometimento prévio do osso.

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