“As oportunidades do Turismo médico no Brasil e na Suíça”, por Ricardo Brito, CMO da Biomecanica e Grupo Bioscience

0
46

Lima & Santana Propaganda, sua agência de publicidade e propaganda em Santos

.

“As oportunidades do Turismo médico no Brasil e na Suíça”, por Ricardo Brito, CMO da Biomecanica e Grupo Bioscience

Ao estudar esse mercado, fiquei surpreso com as informações que obtive: o Brasil e a Suíça estão muito distantes nesse quesito. A MTA (Medical Tourism Association) – associação sem fins lucrativos – e a Health Travel media (editora da Patients Beyond Borders que dispõe informações confiáveis no âmbito global sobre consumidores de viagens internacionais de saúde), elegeram de forma qualitativa; em conjunto com os governos dos países participantes, seguradoras de saúde e pacientes; os “Top 10 medical tourism destination in the world”.

O Brasil está no topo da lista, ocupando o 2º lugar no ranking mundial. Perde apenas para a Índia, a número 1 dessa classificação. Ainda nos top 10, podemos destacar nas Américas, o México; e no território europeu, a Turquia.

É importante enfatizar que essa pesquisa mede, por exemplo, a infra-estrutura, a logística e o atendimento clínico, não levando em consideração o volume de pacientes.

Neste último requisito, os países asiáticos como Japão, Malásia, Tailândia, China, Coreia do Sul e Singapura destacam-se atendendo mais de 1 milhão de pacientes ao ano, segundo a Câmara Britânica de Comércio.

No caso específico de cirurgia plástica e procedimentos estéticos, com preços muito acessíveis, grande gama de serviços e médicos globalmente reconhecidos, o Brasil disputa com o EUA e a China como melhor destino para próxima década.

A infraestrutra brasileira conta com mais de 50 hospitais aprovados e acreditados pela Joint Commission International.

O mercado de turismo médico no mundo movimenta mais de 500 bilhões de dólares com 15 milhões de pacientes e vem crescendo em média, 20% ao ano. Apesar dos números do Brasil serem quantitativamente pequenos, movimentando 180.000 pacientes e US$25 bilhões de dólares, os turistas médicos (pacientes) e também respectivos familiares gastam uma média de US$120,00 por dia, e permanecem até 22 dias, em média, no país.

O turismo médico está se tornando importante, ocupando um papel relevante no segmento de turismo. As empresas do trade turístico estão se estruturando para atender 24 horas, 7 dias por semana.

Seus serviços englobam: câmbio de moeda local, intérpretes, hotéis, restaurantes e todas as demais conveniências necessárias para a logística local, além da localização e contato com médicos especialistas e o atendimento pós-cirúrgico.

Para o sucesso do turismo médico, alguns requisitos são essenciais, entre eles: a infraestrutura ofertada, segurança local, bom atendimento, humanização, logística fácil, hotelaria de alto padrão, alta qualidade do corpo médico e hospitalar, alta tecnologia, inovação com bom padrão e preços acessíveis.

Isso porque, a razão para a busca desses serviços médicos fora de seus países de origem, normalmente vem por conta da decepção com o tratamento médico oferecido, falta de acesso ao sistema, longo tempo de espera das consultas e procedimentos com alto custo.

Com certeza, o turismo médico ajuda a economia com a criação de empregos na área de saúde (de forma direta e indireta), investimentos na área hospitalar e suporte, movimentando uma grande e abrangente cadeia de supliers e propiciando ganhos sociais e políticos.

Ainda existe, sem dúvida, muitos desafios e oportunidades a serem trabalhados. Alguns desafios são ligados à própria cultura e hábitos do país, como a limitação do idioma.

Outras, tem origem à infraestrutura das cidades e afetam diretamente os pacientes e seus familiares; podemos citar a logística como um dos pontos mais relevantes – limitadas linhas de metrô, ônibus e serviços deliveries.

Entretanto, questões culturais e religiosas também devem ser levadas em conta, além da área jurídica vulnerável, falta de acreditação dos hospitais, clínicas e laboratórios para prestação de serviços .

A Suíça, por outro lado, possui todos os pré-requisitos de infraestrutura necessários. Com quatro idiomas oficiais (francês, alemão, italiano e o romanche) e quatro falados na maioria dos Cantões (muitos falam inglês), a facilidade de comunicação entre médico e paciente, é um grande diferencial.

A logística e infraestrutura de serviços merece destaque: a Suíça detém uma malha ferroviária gigantesca, bons aeroportos, estradas, hospitais, laboratórios, tecnologia e centros de inovação.

O país é sede também de importantes empresas químico-farmacêuticas multinacionais, que juntas representam 40% do volume exportado pelo país alpino.

Estabelecidas em uma micro-região (clusters de saúde), a logística e abastecimento são otimizados. Apesar das favoráveis questões logísticas, infra-estrutura e por possuírem um excelente atendimento, corpo clínico e especialistas; creio que o fator complicador nesse universo sejam seus altos custos de procedimentos médicos e custo de permanência.

Atualmente, a Suíça, assim como toda a União Européia, está enfrentando um momento ainda mais difícil no estabelecimento desse mercado promissor: o endurecimento dos pré-requisitos regulatórios.

As mudanças das legislações locais para venda de produtos médicos tem acarretado mais custos à saúde, tirando agilidade, inviabilizando diversos segmentos industriais e minando as empresas de serviços.

Acredito que como consequência, nos próximos anos acompanharemos diversas empresas encerrando suas atividades, aquisições e incorporações e escassez de produtos.

Além disso, é muito provável que aconteça um aumento da inflação médica local, pela baixa oferta e alta demanda do mercado.

Essas possíveis previsões abre, ainda, mais espaço para os países estrategicamente estruturados, como o brasil, para crescerem e concentrarem a demanda desse mercado tão promissor que é o turismo médico.

Cabe à Suíça, então, repensar sua estratégia e analisar se com pequenas mudança não poderiam, quem sabe, gerar um negócio lucrativo para o setor de saúde local. Afinal de contas, este líder mundial de produção de chocolate, não tem sequer um pé de cacau.



Fonte