Assim como Marília Mendonça, mulheres são cobradas por corpo “padrão” – Em tempo

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A Rainha da Sofrência também foi criticada por não seguir padrões | Foto: Reprodução da Internet

MANAUS (AM) – “Sinto que não me sinto bem comigo mesma quando me deparo com esses padrões que vejo no instagram”, diz Rayane Garcia, estudante de 21 anos, sobre o próprio corpo.

Assim como Rayane, muitas pessoas já passaram pela pressão estética, fenômeno  recorrente, principalmente na vida de diversas mulheres que, por não terem o “padrão” corporal estampado nas capas das revistas, propagandas, novelas e na televisão, acabam se sentindo diminuídas, o que prejudica suas vidas em diversos âmbitos.

  O caso mais recente e que ganhou notoriedade foi o da artista Marília Mendonça, vítima de um acidente aéreo na última sexta-feira (5). Após sua morte confirmada, diversos veículos de comunicação passaram a noticiar sobre sua vida e carreira. Porém, uma dessas matérias repercutiu negativamente nas redes sociais por fazer críticas a respeito da aparência da artista, diminuindo o trabalho da cantora.  

Esse episódio é um dos vários que ocorrem cotidianamente com tantas mulheres pelo país. A consequência desses padrões estéticos destrói a autoestima de quem teve sua aparência atacada, afetando inclusive no desempenho profissional e também nas relações sociais.

Cirurgias plásticas e saúde

Conforme a pesquisa realizada pela Sophia Mind, cerca de 56% das mulheres não se sentem satisfeitas com a própria aparência.

Essa insatisfação com o próprio corpo provoca uma procura por cirurgias plásticas e procedimentos estéticos cada vez mais crescente. De acordo com os dados da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), o Brasil lidera a lista dos países onde os jovens mais fazem cirurgias. No ano de 2016, mais de 1,5 milhão de cirurgias plásticas foram realizadas no país. Dessas, 97 mil (6,6%) foram feitas por jovens com até 18 anos.

Além disso, outro problema ocasionado pelo incansável caminho em busca do corpo dentro dos padrões estéticos é o desenvolvimento de distúrbios alimentares como a bulimia e a anorexia que afetam a saúde tanto mental quanto física.

 

Conforme a pesquisa realizada pela Sophia Mind, cerca de 56% das mulheres não se sentem satisfeitas com a própria aparência

Conforme a pesquisa realizada pela Sophia Mind, cerca de 56% das mulheres não se sentem satisfeitas com a própria aparência | Foto: Reprodução da Internet

Para a psicóloga Luenda Lira de Freitas,  as “mulheres podem se sentir insuficientes e diminuídas por conta de sua aparência, muitas vezes, não só por uma pressão interna dela mesma, mas por conta de outras pessoas”. 

Redes sociais

  As redes sociais também são um espaço que acaba provocando a rejeição da própria imagem. Com um feed repleto de corpos, cabelos e rostos parecidos e padronizados – além dos famosos filtros que alteram os traços físicos – muitas pessoas, que acessam constantemente as redes, acabam se questionando sobre sua própria aparência, como conta a estudante Rayane Garcia.  

“Já aconteceu várias vezes de eu me sentir mal ao olhar o feed do Instagram e ver belezas e padrões que não têm nada a ver comigo. São pessoas muito magras, com muitas curvas, que usufruem de uma vida saudável, quando a gente sabe que a intenção é totalmente estética. Aí é que está o diferencial, que a gente acaba se iludindo com essas imagens, porque todas elas não são naturais”, revela a estudante.

Para Rayane, os procedimentos estéticos, exibidos como naturais nas redes sociais, são caros e inacessíveis. A estudante conta que procurou fazer dietas para ficar com o corpo similar aos que aparecem na internet.

“Isso já me fez tão mal, acabou tanto com minha autoestima que, quando me dei conta, já estava fazendo dieta, tentando padronizar meu corpo também. Acredito que o importante não é a imagem estética, mas é ter saúde, principalmente nesse momento que a gente vive. Então eu tive que me afastar, parar de seguir muitas blogueiras para minha autoestima voltar ao normal”, salienta Rayane.

Conforme a psicóloga Luenda, umas das principais consequências da normalização da pressão estética ao longo dos anos é a comparação.

“A mulher se sente pressionada. Ela fica a todo momento se comparando, seja no trabalho, com outras mulheres que ela se relaciona. Seja na sua vida social, dentro da sua família, então ela precisa estar se comparando para entender se está respondendo a sociedade”, esclarece a psicóloga.

  Um episódio que reflete a procura por procedimentos estéticos em razão da influência dos filtros presentes nas redes sociais é o da cantora Anitta que publicou, em seu perfil do Instagram, alguns stories reclamando de um procedimento que não deu certo. A artista se queixou pelo resultado da boca após um preenchimento, que acabou não ficando parecida como quando utiliza os filtros.  

Para Luenda, o primeiro passo para não cair nas armadilhas das redes sociais é procurar aceitar as diferenças que caracterizam cada pessoa como tal.

“Nem todo mundo tem o mesmo biotipo. Beleza é algo subjetivo. É necessário entender o quanto esse padrão prejudica a relação com ela mesma”, alerta a psicóloga.

Exclusão social

Os impactos do padrão estético também se dirigem para o campo de trabalho. Por não se enquadrarem nas características específicas do que é padronizado para a aparência, pessoas que buscam novas oportunidades em vagas de emprego se veem excluídas do mercado de trabalho, tanto mulheres como homens. Para o pastor Wagner Marreiro, as empresas acabam priorizando mais o físico do que as qualidades profissionais.

Acabei indo fazer entrevista em uma loja. Primeiramente em uma loja de esporte, também fiz uma entrevista em uma loja de vestuário e tive o mesmo o mesmo retorno. Eu não entrei especificamente por ser inadequado, por causa da minha capacidade intelectual, mas porque eu não fazia parte do perfil daquilo que eles estavam esperando

Wagner Marreiro, líder religioso

 

Antes de ser pastor, Walter também sofreu as mazelas do modelo estético quando era mais jovem e trabalhava com música. Naquele período, viu sua capacidade como músico ser reduzida por não se encaixar no padrão.

“Eu era músico, tocava em barzinhos, em bandas famosas aqui, em Manaus. Em um momento, fui procurar um produtor para gravar um CD, mas ele olhou para mim e disse que eu tinha muito talento, porém, não possuía o estereótipo para o comercial. O meu corpo não estava de acordo com a linha comercial, com aquilo que o comércio precisa”, finaliza Marreiro. 

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