Bienal Sesc de Dança: 5ª noite emociona com dança inspirada nas matrizes africanas | 2021

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    O quinto dia de apresentações da 12ª Bienal Sesc de Dança teve como destaque o espetáculo “Imalẹ̀ Inú Ìyágbà”, em que a artista emocionou o público com uma dança inspirada nas matrizes africanas, ancestralidade, melodia com tambores, atabaques e cuíca, além da potente expressividade no olhar e nos gestos.

    Os espectadores ainda foram brindados com “Delirar o Racial”, que trouxe questionamento, filosofia, universalidade e movimentos lentos em tomadas de audiovisual. Confira, abaixo, a programação desta quinta-feira (7).

    Certa vez, a escritora Prêmio Jaboti Conceição Evaristo afirmou: “Gosto de dizer que a escrita é para mim o movimento de dança-canto que o meu corpo não executou, é a senha pela qual eu acesso o mundo.” O que a intelectual, ícone de literatura afro-brasileira, não sabia à época era que ela guiou um corpo e um canto na Bienal de Dança para o acesso ao mundo.

    A senha está no talento de Adnã Ionara, que empolgou o público do festival na estreia para grande público de Imalẹ̀ Inú Ìyágbà.

    “Tudo muito à flor da pele. Lindo demais”, disse Homero Dantas. “Lindo ver nossos ancestrais representados com tanta ternura e expressão”, comentou Kaue Vinicius. “Os contrastes de fundo estão arrasando com a emoção corporal desta dançarina nota mil”, escreveu Ana Claudia Silva.

    Esses foram alguns comentários de quem assistiu ao vivo à performance na plataforma Youtube do Sesc.

    Os espetáculos da mostra ficarão disponíveis nos canais do Sesc São Paulo, realizador da Bienal de Dança com apoio da Prefeitura Municipal de Campinas e Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Toda a programação é gratuita e on-line.

    “Delirar o Radical”, obra audiovisual que encerrou a 5ª noite de apresentações da 12ª Bienal Sesc de Dança — Foto: Matheus Freitas

    “Delirar o Racial” foi exibido em versão inédita nesta quarta (6), numa produção exclusiva para a mostra de dança contemporânea. Diferentemente das performances apresentadas até então nas noites do festival, a obra de Wallace Ferreira e Davi Pontes tem o formato audiovisual, com edição, luz e sonoplastia mais próxima do cinema do que do teatro.

    Wallace conta que o projeto foi pensado para ser visto como um filme, não como registro de um espetáculo.

    “Começamos gravando como se fosse uma sequência inteira, no ritmo de um espetáculo, e depois fomos que era outro lugar, outra proposta. É interessante pensar o quanto possibilitou nosso trabalho chegar a lugares. Nosso filme viajou o mundo, muitas pessoas nos conheceram, algo que a gente não tinha imaginado em 2018”, disse durante uma conversa na tarde desta quarta na Bienal.

    Segundo o Davi Ponte, que participou da live sobre Telas e Palcos, o filme foi guiado por pela ideia de anular as convenções de duração e extensão.

    “Uma delas era tempo e sua relação com a coreografia e o espaço, como fazer tudo sem tempo; outra era como elaborar uma coreografia de autodefesa porque a gente acha que tem sido a nossa possibilidade de viver”, disse.

    E, ainda de acordo com artista, a obra é sustentada por uma equação que, ao ser acionada, ela elimina a determinante da soma ou da subtração, por exemplo, para anular as diferenças.

    “Delirar o Radical” propõe o questionamento em apresentação marcada por movimentos lentos — Foto: Matheus Freitas

    Programação desta quinta (7)

    19h (ao vivo): Na Fresta da Certeza, o Vermelho Escuro – Luciane Ramos Silva (São Paulo)

    • Quatro artistas balizam em cena o movimento de um grupo de mulheres que, impulsionadas pela memória, decidem mudar a ordem das coisas e prospectar outras formas e sentidos. Para elas, o espaço instituído e delimitado não é mais forte que a velocidade ancestral da imaginação.
    • O trabalho toma como motor a premissa do feminismo negro que observa que a escuridão deve ser abraçada e que o mistério é fundamento e força de contestação. Em pulso coletivo criam interrogações, fricções e alegrias explorando as infinitas possibilidades de jogo narrativo da história.

    21h: Viaduto – Renan Martins e Frankão (Brasil/Portugal/Alemanha)

    • A audiência brasileira não deve demorar a ser capturada pela escuta na exibição do espetáculo português gravado este ano numa sessão sem público, na região do Porto. Há momentos com músicas de Noel Rosa, passinho do funk e uma canção gospel.
    • Cariocas lá radicados, o diretor e coreógrafo Renan Martins (que também trabalha na cidade alemã de Heidelberg) e o músico Frankão evocam memórias da terra natal e rendem homenagem às manifestações culturais populares urbanas por meio do tradicional baile sob o viaduto Negrão de Lima, em Madureira, templo do charme e do hip hop na zona norte.
    • Adota a ótica DIY, o faça você mesmo da sigla em inglês, pois criadores e bailarinos operam tudo em cena, e o low-fi, em que a imperfeição sonora e performativa contraria a divisão entre intérpretes e público ao permitir que ambos comunguem da festa.

    12ª Bienal Sesc de Dança

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    Fonte