Brasileiro fenômeno com filtros de Instagram usados por Madonna e Anitta criou efeito para ‘Cruella’

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Jeferson Araujo se formou, mas nem foi buscar o diploma de arquitetura. A vida do gaúcho de 28 anos, morador de Santa Maria, deu uma guinada vertiginosa no último ano, desde que passou a desenvolver efeitos para rede sociais e viu seus filtros de Instagram serem compartilhados por nomes como Anitta e Madonna. No mês passado, por exemplo, ele foi surpreendido com a notícia de que havia sido escolhido para criar o filtro oficial em realidade aumentada de “Cruella”, o filme da Disney, que estreou no último dia 28.

 

A criação, feita com base na estética gótica do longa e no visual da personagem, cujo cabelo preto e branco é marca registrada, levou cerca de um mês para ficar pronta. Diferentemente de outros trabalhos, em que o filtro estreou na conta do cliente, desta vez, o lançamento foi no próprio perfil do artista, @jepharaujo, que conta com mais de 1 milhão de seguidores.

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Não dá para dizer que foi uma longa caminhada até ele alcançar números impressionantes na internet — só para se ter uma ideia, seu filtro mais popular, “Angel”, criado em junho de 2020, chegou a 9,1 bilhões de visualizações, com 672,4 milhões de aberturas (a pessoa experimenta, mas não compartilha), 243,7 milhões de capturas com câmera (a pessoa tira uma foto e salva) e 23,6 milhões de compartilhamentos. De fato, foi do dia para a noite que ele se transformou em um fenômeno da cultura digital com seus efeitos.

Um marco com Anitta

A rota de expansão começou a se desenhar em março do ano passado, quando Jeferson decidiu postar filtros que já vinha desenvolvendo e viu suas criações serem compartilhadas na velocidade da luz. Naquela época, somava 24 mil seguidores. Até que Anitta compartilhou o filtro “Glitter”, e esse número pulou para 350 mil em um mês.

— Um amigo compartilhou, aí foi para outro amigo, por aí em diante até chegar na Anitta. Foi quando a minha vida mudou — lembra o artista. — Na época, Anitta disse que ia ficar usando o filtro até fazer um procedimento estético para ficar com aquele bocão do filtro. E ela fez!

Outros filtros foram se espalhando para outros artistas e alguns se tornaram clientes de Jeferson. Caso de Pabllo Vittar, para quem foi criado o filtro “Rajadão”, baseado no clipe da cantora. Caso também da apresentadora Rita Lobo, para quem Jeferson criou o filtro “Irrita Lupo”, usado pela chef de cozinha para dar vida ao seu alterego homônimo, que dá receitas engraçadas e irônicas repletas de críticas aos negacionistas.

O “Irrita Lupo” foi inspirado em “Gurl”, usado por Madonna, em março deste ano. A diva pop aplicou o efeito em si mesma e em uma de suas filhas gêmeas. E tascou na legenda: “Viciada”. A atriz Dove Cameron postou em abril uma foto com o filtro “Stacy”, que agora está nos destaques de seu perfil.

Pouco antes disso, Jeferson tinha jogado nas redes o “Ink”, mais conhecido como “filtro da tatuagem”, que gerou 187 milhões de impressões (quantidade de vezes que um conteúdo foi exibido) em uma semana (agora, já são mais de 3 bilhões). O filtro, que aplica, por meio da realidade virtual, tatuagens pelo rosto e pescoço, virou um hit entre celebridades como Whindersson Nunes, Jojô Todynho, Maluma (o cantor colombiano), entre outros.

Foi na aptidão para a realidade aumentada somada à paixão pelos virais de internet que Jeferson encontrou seu espaço. A partir daí, bye bye arquitetura. E, no fim das contas, o aprendizado do curso até que ajudou bastante, já que ele credita seu sucesso à formação, que lhe deu noções finas de proporção, geometria, desenho 3D, trabalho com texturas e cores (“minha noção estética me jogou muito na frente”, acredita). Mas, em lugar dos projetos meticulosos e de aprovação demorada, ele optou pela velocidade da web como plataforma.

E, atualmente, seus filtros estão anos-luz mais elaborados do que sua primeira criação (a do meme na testa, “as feias que lutem”). Se a profissão começou meio de brincadeira, Jeferson foi escolhido, recentemente, pelo Snapchat como um dos criadores oficiais de filtros. Também foi contratado por uma empresa de cosméticos para desenvolver os seus com cores de batom, já que, por causa da pandemia, não é possível fazer o teste diretamente na boca. E está em desenvolvimento também um para uma grife de perfumes estrangeira.

Universo drag queen

Ele planeja ainda um curso para ensinar a criação dos filtros, em que pretende focar mais em personagens construídos a partir de referências de filmes, videogames, músicas e universo drag queen. Quer oferecer às pessoas a possibilidade de brincar de serem outras pessoas.

— Antigamente, filtro era só para deixar as pessoas mais bonitas. Diminui nariz, aumenta a boca, coloca cílios, e temos uma receita. Mas podemos criar muito mais que isso — diz. — Hoje, não busco mais visualizações, conquistei o meu público e quero que meu trabalho contribua com algo mais saudável, que seja divertido e não cause dando à autoestima de ninguém. Tomo cuidado para não ferir suscetibilidades e criar ilusões de perfeições, porque não existe o rosto, a pele, lábios perfeitos. A pessoa precisa gostar de se ver no espelho, sem nenhum filtro.

 



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