Camila Monteiro e amamentação: pediatra explica por que o aleitamento materno pode ser difícil | Saúde

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Na noite de segunda-feira (10.01), a influenciadora Camila Monteiro, que deu à luz gêmeos recentemente, tornou públicos os ataques virtuais sofridos por não amamentar os bebês Noah e Aurora. Emocionada, ela afirmou em seus Stories que sente muita dificuldade. “Ninguém sabe o que eu passei tentando amamentar e o que eu tento até hoje”, afirmou na ocasião.

Em entrevista a Glamour, relembrou as tentativas. “Experimentei medicamentos, consultora… Tudo mesmo, e não deu. São muitas variáveis e elas precisam ser consideradas, afinal, nenhuma mulher é igual à outra e nem sempre é possível seguir uma cartilha. Queria muito amamentar os meus filhos de uma forma que não precisasse de fórmulas, mas essa não é a minha realidade – nem a de milhares de mulheres”, defendeu.

Em razão da pressão social e da romantização da amamentação, a troca do leite materno pelas fórmulas e mamadeiras é uma decisão acompanhada de receio e culpa, mas não é incomum. Costuma, inclusive, estar atrelada a diversos fatores que vão muito além do “quero ou não quero amamentar”, como explica pediatra Patrícia Terrivel, membro do Departamento de Aleitamento Materno da Sociedade de Pediatria de São Paulo.

Por que amamentar não é assim tão simples?

“O fator físico está entre os principais empecilhos na hora da amamentação. Entre eles, a remoção dos dutos de leite nas reduções mamárias ou por outro fator importante, como tumores”, introduz. É o caso de Camila, que passou por uma cirurgia redutora há seis anos.

A falta de leite também entra na conta e pode estar ligada, inclusive, às questões psicológicas. “Ansiedade, depressão pós-parto, preocupação como os filhos após o nascimento — se estão saudáveis, se estão na UTI. Tudo isso impacta nesta produção”, diz a médica.

Há ainda quem sinta a necessidade de complementação. “Algumas mulheres produzem o leite, mas não o suficiente, então fazem a amamentação mista”, diz. Em todos os casos, ela lembra, com acompanhamento médico adequado, há solução. “Algumas mães simplesmente não produzem e não é um problema, pois temos fórmulas infantis atuais que substituem muito bem o leite materno”, reforça.

A rede de apoio também importa

Para a especialista, fundamental é que haja uma rede de apoio para dar suporte às lactantes e puérperas. “Existe a ideia da mãe perfeita, do parto normal e da amamentação exclusiva, mas a realidade não é essa. Muitas não conseguem amamentar por inúmeros motivos. O mais importante é dar acolhimento e mostrar para essa mulher que ela é mãe, sim”, diz a Patrícia.

Na contramão dos haters, Camila também diz que recebeu este tipo de carinho. “Sinceramente, eu não imaginava a quantidade de seguidoras que passou e ainda passa pelo que eu passei. Amamentar é maravilhoso, tem muitos benefícios para a saúde do bebê e da mãe, e todo mundo sabe. Mas sou uma pessoa que aprendeu da pior forma possível que tenho um limite e que, às vezes, não dá, mesmo com informação e recursos”, diz Camila.

Para ela, que viveu essa experiência, é preciso entender até onde se pode ir para evitar mais sofrimento. “A mulher deve insistir até quer – e se essa for uma escolha dela. Nem todas podem ou querem. Cada uma sabe dos seus limites e do seu corpo”, finaliza.



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