Cantora carioca se apresenta na janela para atenuar a tensão em meio à pandemia | Jornal Nacional

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    Um bairro da Zona Sul do Rio de Janeiro tem vivido a quarentena com uma vantagem sobre outras áreas na cidade e do país. Todos os dias, na mesma hora, as pessoas ganham uma espécie de afago pra atenuar as tensões.

    Mais um dia chega ao fim. Mais um dia igual aos outros, nesses tempos tão diferentes de tudo. “Na quarentena, todos os dias são um dia só”, diz uma moradora.

    Na Gávea, Zona Sul do Rio, a igrejinha escondida na paisagem dita o ritmo das ruas vazias do bairro. E foi ouvindo o sino que surgiu o impulso de pedir proteção e agradecer. “A minha intenção era fazer uma oração. Só que eu sou cantora, saiu na forma de música”, conta a cantora lírica Juliana Sucupira.

    O impulso virou um hábito da cantora e da plateia. É um sentimento de expectativa que toma conta de um bairro inteiro todos os dias, no mesmo horário. É como se a vida ficasse em suspenso. Dezenas de prédios entram numa contagem regressiva, esperando o grande momento em que aquela janela se transforma num palco e enche a vida de esperança.

    Os vizinhos começaram a fazer pedidos e o incrível aconteceu: novas amizades nasceram pela janela. “Pelo que eles me transmitem, eu acho que está fazendo bem para as pessoas. Tá todo mundo preso em casa. Há casos de idosos sozinhos. Eu recebo tanta mensagem. Teve uma senhora que falou assim: ‘o meu dia se divide entre antes das 18h e depois das 18h’”, conta Juliana.

    A vizinha Magaly virou uma espécie de presidente do fã-clube e cinegrafista oficial. E pensar que, antes da pandemia, as duas nunca tinham se falado. “Ela já entrou na nossa casa. Só que ela entrou de uma forma muito generosa, muito afetiva. Isso muda muito a vida das pessoas”, afirma.

    Até hoje, foram 40 apresentações, de domingo a domingo, com algumas datas especiais no caminho. “Eu avisei. Eu vou fazer aniversário, saiba que sábado, eu estou aqui sozinha. Eu estava carente e aí ela cantou para mim e foi lindo”, elogia a atriz Cissa Guimarães.

    O espetáculo é rápido: dois, no máximo, três minutinhos, que são como um sinal de mais uma pequena vitória. Um dia a menos de isolamento. E, graças à força da música, esses dias inesquecíveis não são todos iguais. “Ela consegue com isso lembrar para a gente que a vida continua. Cada vez que ela canta, ela traz aquela renovação de ânimo. Mostra: olha, vai passar, vai passar, um novo dia vai nascer. É um privilégio”, exalta Magaly.



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