Casal circense se reinventa com a pandemia e produz pães para garantir a renda no litoral de SP | Santos e Região

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    Um casal circense de Santos, no litoral de São Paulo, teve que se readaptar com a pandemia de Covid-19, que impediu que eles continuassem vivendo de sua arte. Devido ao avanço da doença e suspensão dos espetáculos com público, eles passaram a vender pães artesanais com o objetivo de garantir uma renda. Contudo, não deixaram para trás sua paixão pelo circo.

    Thays Oliveira de Carvalho, de 35 anos, e Jorge Luis Olivares Arcos, de 31, se conheceram em 2015 e começaram a namorar. Na época, ambos trabalhavam a bordo de um navio de cruzeiros espanhol que passava por diversos países. Thays conta que era bailarina e Jorge acrobata, mas que ele havia se formado em circo em Santiago, no Chile, após estudos durante quatro anos.

    Em 2016, devido aos talentos de bailarina dela e acrobáticos do namorado, ambos passaram a treinar juntos, e surgiu a oportunidade de entrarem para o grupo de acrobatas do cruzeiro em que atuavam. Desde então, o circo foi se somando às habilidades que Thays já possuía como bailarina, e ela se especializou em diversos cursos voltados à área.

    Casal circense relata desafios com a pandemia e expectativa de retorno aos palcos — Foto: Rodolfo Magalhães

    A partir daí, o casal passou a viver da arte circense. Depois de trabalharem embarcados, se casaram, e em 2019 foram selecionados para atuar no Circo da Turma da Mônica, época em que fizeram turnê por dez capitais do Brasil. Além disso, se apresentavam em eventos corporativos e outros espetáculos. “Foi muito enriquecedor e lindo. O circo é o que faz nosso coração bater, o olho brilhar. Tínhamos planos para continuar com isso, mas, com a pandemia, acabou tudo. Foi muito difícil. Hoje, já nos acostumamos com a ideia de não saber quando vamos voltar aos palcos”, diz a circense.

    Sem a principal fonte de renda, o casal teve que pensar em uma alternativa para manter o sustento da casa. Como produziam pães para consumo próprio, familiares deram a ideia da produção dos alimentos para venda. “Nós fazíamos para nós, pão integral. Então, fizemos para vender. A princípio, só conhecidos compravam, mas, após uma ação de uma mulher para divulgar pequenos comércios locais, rapidamente as vendas aumentaram para pessoas de fora”.

    Pães foram forma de casal driblar pandemia — Foto: Jorge Olivares

    A produção e a venda dos pães aumentaram. O casal mudou a estrutura da cozinha, comprou um forno industrial e se especializou na produção do alimento. “Nosso pão ganhou mais qualidade, e aumentamos as opções. Além dos integrais, temos pão australiano, um pão recheado de chocolate e de chocolate com nozes”, explica Thays.

    Os pães passaram a garantir a renda do casal. “Foi uma série de fatores que ajudou, a Caixa parou por um período a cobrança do financiamento do apartamento, e teve o auxílio emergencial. Mas, os pães foram nossa principal fonte de renda. E a produção foi algo muito bonito, que nos ajudou a superar muitas coisas. O Jorge estava no processo do Cirque du Soleil antes da pandemia, e foi tudo dando errado com o avanço do coronavírus, porque a equipe do circo não veio mais para o Brasil. Sentíamos que estávamos no escuro, e que nossa profissão estava em extinção. Então, o pão nos mostrou que tínhamos uma saída, uma esperança para o momento”, diz.

    Venda de pães ajudou casal circense a garantir renda mensal — Foto: Jorge Olivares

    O casal também aproveitou o tempo fora dos palcos para se especializar em outras áreas, como o caso de Thays, que se dedicou à yoga e à terapia holística. Além disso, com a retomada da Lei Aldir Blanc, criada no ano passado para ajudar profissionais do setor cultural durante a pandemia, eles voltaram com alguns trabalhos artísticos, que divulgam em suas redes sociais. “Foi um respiro da arte”, diz ela.

    Thays reitera que a esperança de retomar os espetáculos prevalece, e que o casal continua treinando suas habilidades durante a pandemia. “Nós sonhamos em retornar aos palcos com nossa arte, mas quando for seguro para todos. Porque a arte é para agregar e trazer alegria às pessoas, então, sonhamos com o fim da pandemia, para que todos possam assistir uma apresentação de forma segura. E sabemos que, mesmo retornando com o circo, a produção de pães já se tornou parte da nossa vida, e queremos continuar. Queremos de volta a magia de nos apresentar”, finaliza.

    Casal afirma que tem esperança de retornar aos palcos — Foto: Fausto Franco

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