Casal de brasileiros relata medo e incerteza dentro em navio na Itália: “pedido de socorro” | Santos e Região

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    O sonho de dez brasileiros que embarcaram em um cruzeiro de um mês com destino à Itália acabou se tornando um pesadelo por conta da pandemia do novo coronavírus. De quarentena há 13 dias no navio Costa Victoria, atracado no porto de Civitavecchia, em Roma, eles ainda não têm ideia de quando conseguirão embarcar em um voo de volta ao Brasil. A Itália é um dos países que mais sofrem com a doença e já chegou a ser o epicentro do Covid-19.

    O G1 conversou com a professora Maria de Lourdes de Brito Machado que viajou com seu marido, o publicitário Nelson Machado, moradores de Santos, no litoral de São Paulo. O casal conta que está em isolamento rigoroso na cabine, sem poder sair e recebendo três refeições por dia na porta. Além disso, eles passam por duas medições de temperatura por dia.

    O cruzeiro começou no dia 29 de fevereiro em Mumbai, na Índia, e deveria terminar em 28 de março em Veneza, na Itália. No início da viagem, não se falava sobre o coronavírus dentro do navio. Os passageiros começaram a desconfiar de que algo estava errado quando a embarcação não atracou no porto de Mangalore (Índia) e, em seguida, também passou reto pelas Ilhas Maldivas.

    “O Costa seguiu em frente para Dubai. Em um entendimento de prudência, já deveria ter encerrado ali, para proteger passageiros e tripulantes. Absurdamente, o navio continuou e só conseguiu parar em Roma, no dia 25 de março, nos colocando nessa situação. Desde então, estamos confinados. A quarentena termina nesta terça (7) e estamos aguardando uma definição. Estamos com medo dessa incerteza”, explica Maria de Lourdes.

    Agora, tudo que os passageiros brasileiros podem fazer é aguardar um posicionamento da Costa Cruzeiros e da Embaixada Brasileira em Roma, para que possam embarcar o mais rápido possível de volta para o Brasil. Enquanto isso, o casal santista está passando por um momento de grande ansiedade e medo.

    “Isso é um pedido de socorro. Queremos que, nessa semana, nos coloquem em voos para o Brasil. A Costa tem sido muito relutante e nós exigimos isso. A Embaixada está sabendo do nosso caso, conversou conosco, e busca atuar com a Costa e autoridades italianas para nos liberar. Queremos que a empresa cumpra sua responsabilidade e nos coloque em um dos voos que estão sendo feitos regularmente. Estamos saudáveis e queremos sair o quanto antes”, relata Machado.

    Procurado pelo G1, o Itamaraty não respondeu até o fechamento desta reportagem.

    Passageiros recebem as refeições na porta das cabine, onde estão confinados — Foto: Arquivo Pessoal

    Passageiros recebem as refeições na porta das cabine, onde estão confinados — Foto: Arquivo Pessoal

    Em nota, a Costa Cruzeiros informou que tem trabalhado incansavelmente em estreito contato com as autoridades italianas relevantes de saúde e com os representantes diplomáticos dos países envolvidos, a fim de obter um retorno seguro para os hóspedes em seus países de origem. A empresa precisa cumprir as indicações e os regulamentos das autoridades sanitárias italianas sobre desembarque e repatriamento.

    Todas as operações de desembarque são realizadas sob as diretrizes das autoridades italianas, começando pela Proteção Civil, responsável pela emergência Covid-19 na Itália e em colaboração com as autoridades de saúde, as autoridades locais e nacionais, além das embaixadas, para garantir que tudo seja feito protegendo a segurança e a saúde das comunidades, bem como dos hóspedes e da própria tripulação.

    Enquanto o navio Costa Victoria estiver na Itália, segundo a Costa, é preciso seguir as diretrizes fornecidas pelas autoridades de saúde italianas, que realizam exames de saúde constantes a bordo, juntamente com a equipe médica.

    O cenário do transporte aéreo apresenta um alto nível de incerteza devido a inúmeras medidas, incluindo bloqueios totais adotados por quase todos os países do mundo. A empresa está determinada a encontrar uma solução e todas as energias da companhia estão se movendo nessa direção. A companhia segue em constante contato com as autoridades envolvidas para encontrar uma solução que possa ser operada em breve.

    No sábado, dia 4 de abril, Daniel Lins, vice-cônsul geral do Brasil em Roma, foi à Civitavecchia e embarcou no navio Costa Victoria para visitar os brasileiros a bordo, a fim de verificar suas condições e responder a todas as dúvidas. Além disso, os hóspedes brasileiros estão sendo contatados por cartas, enviadas em suas cabines, com informações sobre os procedimentos antes do desembarque.



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