‘Chip da beleza’: será que compensa colocar a estética acima da saúde? – 18/11/2021

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Você já deve ter ouvido falar no “chip da beleza” que vem ganhando fama nos últimos anos por prometer melhorias na performance física e estética das mulheres que o implantam.

O termo “chip” nos faz pensar em um microdispositivo eletrônico que capta ou transmite alguma informação, mas isso não condiz com a realidade. Na verdade, ele é um tubinho de silicone de cerca de 3 cm inserido no subcutâneo (gordura abaixo da pele) que libera diariamente hormônios no sangue.

Esse implante hormonal é geralmente divulgado com um pacote sedutor de benefícios: perder gordura corporal, aumentar a libido, definir a musculatura, disfarçar celulites, interromper a menstruação, entre outras vantagens. Tentador, não é mesmo?!

Então qual seria o problema, além do custo elevado?

Pois bem… O principal composto desses “chips” é a gestrinona, um hormônio sintético derivado da 19-nortestosterona que apresenta efeito androgênico e com potencial de aumentar os níveis de testosterona (hormônio masculino) no corpo da mulher.

Em virtude dessa ação, a gestrinona é reconhecida internacionalmente como anabolizante e encontra-se na lista de substâncias proibidas no esporte pela Wada (da sigla em inglês Agência Mundial Anti-Doping), embora ainda não conste na lista atualizada (C5) da Anvisa.

A grande questão é que o uso (e abuso!) dessa substância, isoladamente ou em associação a outros hormônios, não está isento de riscos, que nem sempre são esclarecidos ao paciente.

Os principais efeitos indesejáveis observados são: acne, queda de cabelo, aumento da oleosidade na pele, excesso de pelos no corpo, alterações no colesterol, mudança no timbre da voz, aumento do clitóris, entre outros danos, alguns deles até irreversíveis.

Tendo em vista que a gestrinona não é produzida pela indústria farmacêutica brasileira e nem comercializada em drogarias comuns, uma outra preocupação reside no fato desses implantes serem fabricados em farmácias de manipulação, algumas vezes sem a garantia de um rigoroso controle de qualidade e/ou sem informações claras das substâncias e doses contidas na formulação.

Preocupada com o aumento avassalador da utilização dos implantes hormonais e com os inúmeros relatos de efeitos colaterais, a SBEM (Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia) publicou recentemente um posicionamento que rechaça veementemente o uso dos implantes de gestrinona para fins estéticos e de aumento do desempenho físico.

Considerando a escassez de estudos e de comprovação de segurança, bem como a não regulamentação pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), o implante de gestrinona também não é uma opção terapêutica reconhecida e recomendada pela Endocrine Society (Sociedade de Endocrinologia Americana), pela North American Menopause Society (Sociedade Americana de Menopausa – NAMS) e pela Febrasgo (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia).

Até o momento, não há estudos robustos que comprovem a segurança e eficácia dessas medicações a longo prazo. Além disso, não há padronização nas formulações, já que são apresentações customizadas sob a forma de manipulados, o que dificulta determinar a dose ideal para cada pessoa, bem como aumenta o risco de superdosagem. Então, fica o nosso apelo aos órgãos responsáveis para fiscalizarem a utilização desses implantes com motivação estética.

Qualquer terapia envolvendo hormônios requer uma avaliação criteriosa e individualizada, levando em consideração a condição de saúde e as características de cada paciente. Um adequado acompanhamento médico especializado é fundamental.

Esteja sempre alerta! Apesar de ser tentadora a ideia de inserir um “chip” que garanta uma silhueta perfeita, será mesmo que compensa colocar a estética acima da sua saúde?

Referências

1. Posicionamento da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) sobre o uso (e abuso) de implantes de gestrinona no Brasil, 2021. https://www.endocrino.org.br/wp-content/uploads/2021/11/Posicionamento-da-SBEM-sobre-Implante-de-Gestrinona_2021.pdf

2. https://www.febrasgo.org.br/pt/noticias/item/1312-posicao-das-comissoes-nacionais-especializadas-de-anticoncepcao-e-climaterio-da-febrasgo-sobre-implantes-hormonais



Fonte