Cirurgia estética e gato – Gabriel Novis Neves

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A indústria da cirurgia estética atualmente é uma das que mais prospera no mundo.  Com a “ideologia da juventude” disseminada, o número de pessoas que procuram permanecer sempre jovens é enorme.

O “consumismo da juventude” se inicia precocemente, onde é grande a procura de próteses mamárias de silicone e lipoaspiração.  Depois, são os preenchimentos no rosto com botox, harmonização facial, deformando às vezes essas vítimas da “ideologia da beleza”, transformando-as em verdadeiras bruxas.

A procura por procedimentos estéticos é tão grande, que hoje temos hospitais especializados para atender apenas essas pessoas.

A cirurgia – puramente para aparentar ser mais jovem -, é bem diferente daquela realizada por competentes e experimentados cirurgiões plásticos para a reabilitação e melhoria da qualidade de vida das pessoas.

A minha admiração pelos cirurgiões plásticos teve o seu início quando do incêndio do Circo em Niterói, em 17 de dezembro de 1961.

Na época, tinha um ano de formado em medicina e trabalhava no Hospital e Pronto Socorro Municipal Souza Aguiar do Rio de Janeiro. Nosso hospital recebeu inúmeros queimados em extensas áreas corporais para receberem cirurgia restauradora.

O cirurgião Ivo Pitangui tornou-se uma celebridade mundial então, ao atender dezenas de vítimas e demonstar que a cirurgia plástica não era apenas vaidade. Era também reconstrutora.

Acompanhei nas enfermarias de queimados muitos desses pacientes e pude constatar o sucesso das novas técnicas restauradoras criadas pelo Dr. Pitanguy.  Com essas técnicas desenvolvidas por ele, a cirurgia plástica no Brasil muito deveria à tragédia de 1961, quando morreram mais de 500 pessoas.

O Brasil é hoje referência mundial nessa especialidade.

O que comento é a banalização de procedimentos puramente estéticos em clientes cada vez mais jovens, muitas das vezes. O cliente – e não o cirurgião plástico – tem passado a solicitar e até mesmo “indicar” os procedimentos cirúrgicos de sua preferência, constrangendo o profissional. E aí que está o perigo.

Minha funcionária, lendo esta crônica ainda inacabada, comentou comigo que alguns cirurgiões plásticos que cuidam apenas da beleza, se comportam como gatos.  Estes estão sempre a encobrir as suas “feiuras”.

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