Cirurgião plástico é preso por suspeita de abuso de pacientes no RS – 09/11/2021

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Um cirurgião plástico, suspeito de crimes sexuais, foi preso pela Polícia Civil em uma clínica de Porto Alegre, nesta terça-feira (9). O médico Estevão José Rodrigues, 69 anos, é suspeito de abusar de, pelo menos, nove mulheres que o procuraram para realização de procedimentos. Além do mandado de prisão preventiva, os agentes cumpriram dois de busca e apreensão nos bairros Três Figueiras e Chácara das Pedras, ambos de classe média alta na Zona Norte da capital gaúcha.

À frente das investigações da Operação Narciso, a titular da Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam), delegada Jeiselaure de Souza, diz que a investigação apura crimes contra a dignidade sexual cometidos pelo profissional. Ela explica que Rodrigues atuava em Porto Alegre e Novo Hamburgo, na Região Metropolitana, onde mantinha um espaço que não foi alvo da ofensiva. Embora realizasse procedimentos em hospitais, também atendia em sua sala, no bairro Três Figueiras, onde foi encontrado com o celular em mãos, sentado no seu consultório.

Segundo Jeiselaure, no espaço mantido pelo profissional com mais de 30 anos de atuação funcionava também uma espécie de clínica clandestina, indo além de procedimentos estéticos. “Pouco antes dos policiais chegarem ao local, ele havia feito uma cirurgia de desvio de septo, em uma idosa, sem nenhuma condição, sem oxigênio, anestesista, com instrumentos enferrujados e sem autoclave”, descreve.

A Vigilância Sanitária foi acionada para acompanhar o trabalho dos agentes.

“O local funcionava sem equipamentos adequados ou autorização legal e completamente fora dos padrões de higiene e saúde.” A equipe encontrou vários medicamentos vencidos, além de lixo descartado de forma irregular, preservativos usados e Viagra. Havia sangue em vários locais, objetos e móveis do consultório. Durante a ação, a Polícia Civil apreendeu equipamentos eletrônicos, armas, documentos, medicamentos, lubrificantes íntimos, preservativos e outros objetos. “Ele foi autuado em flagrante por porte ilegal de arma de fogo e, após os trâmites legais, será encaminhado ao sistema penitenciário”, frisa.

Cirurgião plástico suspeito de crimes sexuais: agentes cumpriram mandados de busca e apreensão nos bairros Três Figueiras e Chácara das Pedras, na capital gaúcha

Imagem: Divulgação

A delegada revela que o médico, ao tomar conhecimento das denúncias, procurou as vítimas e ofertou procedimentos estéticos para que dissessem à polícia que seus depoimentos não eram verdadeiros. “Também tomamos conhecimento que estava em tramitação a renovação do passaporte, junto à Polícia Federal, para fugir do país. Diante disso representamos junto ao Ministério Público e a Justiça, o pedido de prisão do investigado”.

Todas as mulheres, tanto dos casos prescritos quanto dos ativos, foram encaminhadas para avaliação psicológica. A expectativa é de que, com a operação, mais denúncias cheguem até a polícia. Depois da operação, o Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio Grande do Sul (Cremers) diz que abriu sindicância para apurar as denúncias envolvendo o profissional. A defesa do médico se limitou a informar que provará a inocência do mesmo.

‘Senti que ele era abusador ao me examinar’

Com o sonho de melhorar o corpo após uma bariátrica, uma mulher de 43 anos, moradora de Porto Alegre, resolveu procurar um cirurgião plástico. A ideia era amenizar as marcas deixadas pelo excesso de peso ao longo dos anos. Foram três procedimentos realizados com Rodrigues: em 2010 foi uma abdominoplastia; depois de 40 dias, uma lipoaspiração nas coxas; e, há cerca de cinco anos, uma mamoplastia.

“Eu fui até o hospital em que meu convênio atendia e, então, procurei um profissional da área. Ele era um dos que menos cobrava por fora, porque todos os profissionais cobravam valores elevados, mesmo o plano liberando o procedimento”, relembra. Cada uma das intervenções custou R$ 2.500 —os demais médicos cobravam cerca de R$ 10 mil. “Na primeira oportunidade eu notei algo diferente, a mulher percebe. Senti que ele era abusador ao me examinar. Ele passava a mão, alisando, não era algo natural. Quando fui retirar meus pontos fiquei desconfiada”, relembra.

Até então, era apenas impressão. Foi na segunda cirurgia que houve algo que comprovou a impressão. “Ele me beijou, me deu um selinho, quando estava saindo da sala. Veio e me puxou. Fiquei assustada, saí ansiosa, sem entender direito o que era. Imagina, apenas eu e o médico, fiquei perplexa com a situação”.

Mesmo assim, com o sonho de se olhar no espelho e se sentir melhor, sem condições de pagar os valores cobrados pelos colegas de profissão do cirurgião plástico, ela retornou em 2017.

No dia do procedimento, enquanto fazia as marcações, ele deu um tapa na minha bunda. Imagine, no dia da tua cirurgia, como se tivesse intimidade, faz isso. Nem sei o que pensei na hora, não consigo descrever.

Ela fez a cirurgia e, então, retornou para retirar os pontos e nunca mais voltou. Por medo, deixou de fazer as revisões necessárias para o pós-cirúrgico. O resultado disso são pontos que não foram removidos como deviam e marcas na pele no lugar do que era para ser quase imperceptível. “Quando fui na clínica dele remover os pontos do peito, infeccionou. Ficou horrível. Não sei se por falta de higiene.”

União de mulheres busca justiça

Na opinião da paciente, ele brinca com o sonho de quem o procura no consultório ou hospital. “Conheço outras mulheres que viveram a mesma situação, tenho certeza de que outras vão aparecer. Já marquei, tomei coragem e, agora, vou à delegacia prestar meu depoimento. Não fiz antes porque pensava que ele tinha dinheiro e nada aconteceria”, diz. Seguindo o exemplo das outras mulheres, ela acredita que mais terão coragem de procurar a Polícia Civil agora. “Só pensava por que ele fazia aquilo. Tem uma menina de pouco mais de 20 anos que contou a mesma história que eu vivi. Ele precisa pagar pelo que fez.”

Conselho Regional de Medicina do Estado do RS se pronuncia em nota

“Em relação às informações divulgadas pela imprensa sobre a detenção de cirurgião plástico por suspeita de abuso de pacientes, o Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio Grande do Sul (Cremers) informa que recebeu denúncia da Polícia Civil e abriu sindicância para investigar a existência de ilícito ético no exercício da Medicina.

Como sindicâncias e processos correm em sigilo, por conta dos trâmites determinados pelo Código de Processo Ético Profissional (Resolução CFM 2.145/2016), o Cremers fica impedido de fornecer mais informações para não incorrer qualquer nulidade aos processos em andamento.

Porto Alegre, 9 de novembro de 2021.”

O que diz o advogado de defesa

Rafael Alvim, advogado de defesa do médico, se pronunciou por meio de nota na noite de terça (9), reproduzida a seguir:

“NOTA DE ESCLARECIMENTO

Em atenção à operação policial realizada na manhã de hoje pela Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher, contra médico acusado pela, suposta, prática de Assédio Sexual e prática irregular da medicina, a defesa informa a sociedade gaúcha e brasileira que tais acusações trazidas por pacientes que teriam sido vítima, além de inverídicas, são desprovidas de lastro probatório que faça jus às acusações.

O que se pode dizer é que no atual momento, o investigado – ora acusado – terá comprovado a sua inocência no decorrer do instrutório criminal.

Ademais, oportuno salientar que o acusado é médico respeitado perante a classe médica e muito bem conceituado em razão da sua atuação profissional, atuando como profissional da saúde, de acordo com sua especialidade junto ao corpo clínico e médico dos Hospitais da Brigada Militar, Hospital Mãe de Deus e Moinhos de Vento.

Face a isso, reiteramos nossa confiança na inocência do médico, repudiando, assim, a irreparável injustiça em manter preso um idoso de 69 anos atuante como médico não só na área da cirurgia plástica, portador de doenças, sem que tenha veredicto acerca das acusações que estão lhe sendo imputadas.

Porto Alegre/RS, 09 de novembro de 2021.

Carlos Rafael D. Alvim,
Advogado-OAB/RS nº. 107.230″



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