Cirurgias de reconstrução de mama são afetadas pela pandemia

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Há 21 anos, a reconstrução da mama feita pelo Sistema Único de Saúde (SUS) é por lei um direito de mulheres que passam por cirurgia de mutilação total ou parcial no tratamento do câncer de mama. Desde 2013, o SUS tem que oferecer condições técnicas para que essa reconstrução seja feita logo após a retirada do tumor, em uma mesma cirurgia. No entanto, por mais que a pandemia não tenha inibido tratamentos do câncer, interrompeu as reconstruções.

Em Jundiaí, o Hospital São Vicente (HSV), referência do SUS para tratamento oncológico na cidade, fazia em média uma cirurgia de reconstrução mamária por mês nos anos anteriores à pandemia. Entre 2020 e 2021, com a demanda da covid-19, não realizou nenhuma. Quando a reconstrução não pode ser imediata, a paciente deve fazer acompanhamento e ter a cirurgia garantida assim que alcançar as condições clínicas requeridas.

O tratamento continua e, atualmente, não há fila de espera para início de quimioterapia no HSV. Em média, os pacientes aguardam 10 dias para início devido ao recebimento de documentação, liberação e agendamento das sessões. Para a radioterapia, há cinco pacientes em fila, mas que estão dentro do prazo descrito em lei, de até 60 dias após o diagnóstico.

IMPORTÂNCIA

Selma Maria da Silva, de 43 anos, descobriu um câncer de mama em 2018 e fez a cirurgia para a remoção do tumor em 2019, em abril. Terminou o tratamento em outubro daquele ano. “Quando fiz a biópsia, fui ao mastologista e vimos que o tumor estava com 2,5 cm. Entrei na sala de cirurgia para fazer a mastectomia ciente de que ia sair sem a mama, mas o médico conseguiu fazer a reconstrução na mesma cirurgia.”

SEM HISTÓRICO

Praticante de yoga, atleta, a tesoureira Patricia Zanini Merello descobriu um câncer de mama aos 45 anos, mesmo sem ter herança genética. Após a quimioterapia, ela retirou o tumor e fez um lifting de mama. Em tratamento, Patricia afirma que o câncer trouxe uma ressignificação à sua vida. “Quando meu cabelo começou a cair, pedi para que cada membro da minha família cortasse um pedaço dele. Quis passar por este momento de forma leve e encontrar alegria, mesmo nas horas difíceis.”

Patricia não deixou de trabalhar e afirma que foi convidada para ir a Santiago de Compostela em março, no final de seu tratamento. “Fiz terapia, constelação familiar. Entendi que o processo precisa de apoio espiritual para que a gente entenda que este momento também é repleto de conexão com o divino.”

ACOMPANHAMENTO

Priscila Porcari Ferreira, de 36 anos, tem uma mutação genética hereditária, que aumenta as chances de desenvolvimento de um câncer de mama. Ela perdeu muitas familiares na década de 90 devido ao câncer de mama, inclusive a mãe. Por conta disso, Priscila foi aconselhada a realizar a mastectomia nas duas mamas.

“Na semana que eu recebi o resultado do teste genético, eu descobri que estava grávida e não podia fazer muito exame invasivo, então a oncogeneticista me orientou a ter o bebê, amamentar e depois a mastectomia”, conta.

Depois que seu filho parou de mamar, Priscila, aos 33 anos, fez a retirada das mamas e, após a cirurgia, descobriu que já tinha um início de tumor microscópico.

Mesmo com 95% menos chance de ter um câncer de mama, aos 35 anos, Priscila descobriu dois nódulos cancerígenos e os retirou. Ela ressalta que o acompanhamento é essencial. “Em nenhum dos meus dois cânceres eu consegui apalpar. Tenho frisado que a mulher precisa fazer o autoexame, precisa, de fato, se conhecer, mas nem sempre o câncer é em formato de nódulo, várias coisas podem acontecer. Por isso, é imprescindível ir pessoalmente ao médico e fazer exames de imagem.”

CIRURGIA

Cirurgiã plástica do HSV, Roberta Lopes Bariani explica que toda mastectomia, mesmo que não seja a radical – quando toda a mama e tecidos adjacentes são retirados -, necessita de reconstrução. “Mesmo as menores, precisa de reconstrução. Em muitos casos, é preciso colocar só o implante, mas depende de cada caso, às vezes precisa só de retalho glandular, sem implante.”

Ela diz que a reconstrução imediata nem sempre é feita, por opção da paciente ou condições do momento da cirurgia, mas é importante. “Essa reconstrução imediata é cada vez mais comum. É importante para a autoestima e é importante ter essa opção. A reconstrução tem um custo alto e nem todas podem pagar. O mastologista que costuma indicar os casos em que deve haver a reconstrução e como a paciente quer, porque também é doloroso o pós-operatório e há o risco do corpo rejeitar a prótese.”



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