Cirurgias eletivas salvam vidas | Opinião

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Por Alfredo Guarischi

Em abril de 2020, questionei as consequências do cancelamento de procedimentos não urgentes. Na mesma época, o “New York Times” indagava onde estavam os pacientes com ataque cardíaco. Isso porque o número de admissões por infarto do miocárdio havia sido drasticamente reduzido. Ao mesmo tempo, foi constatado um aumento do número de mortes domiciliares por problemas cardiológicos em relação ao ano anterior. Uma tragédia a mais no começo da pandemia.

O que vimos meses depois nos EUA, e também no Brasil, foi o assustador aumento do número de pacientes com situação médica, decorrente de outras doenças, agravadas pela demora no atendimento hospitalar. Claro que a Covid-19 pode levar a internações prolongadas e à morte; porém, as outras doenças não desapareceram.
 
Neste mais de um ano de pandemia, os centros de diagnóstico e hospitais estabeleceram fluxos e locais de atendimento diferenciados para os casos suspeitos de viroses, com os demais pacientes sendo atendidos em outros setores. Não faltam cuidados e equipamentos de proteção individual, bem diferente do que ocorre nos ônibus ou trens. Nos hospitais fazemos o racional, o correto e o seguro.

O medo foi substituído pela conscientização de que a vida continua. A suspensão de cirurgias eletivas, assustando e negando aos pacientes a assistência necessária, ocasionará mais sofrimento e agravará as doenças. Isso não é ciência, é descaso com a saúde.

É um equívoco considerar necessárias apenas as cirurgias de urgência. Um cálculo de vesícula ou de rim, um mioma uterino ou uma hérnia podem agravar-se, e o paciente precisará ser operado às pressas. Uma próstata aumentada pode ocasionar retenção de urina e infecção, transformando um procedimento de curta duração num problema sério de saúde física, emocional e financeira.
 
A quantidade de sedativos, antibióticos, ventiladores e outros recursos usados em cirurgias eletivas é muito pequena. Mais de dois terços dos pacientes cirúrgicos fazem o pós-operatório em quartos ou enfermarias, sem precisar de transfusão de sangue ou CTI. As doenças que precisam de tratamento cirúrgico evoluem e pioram ao longo do tempo. Isso não ocorre com o adiamento de uma cirurgia plástica estética, por exemplo. Porém, esse tipo de cirurgia é realizada em pacientes sem morbidade, com uma internação raramente maior que dois dias.

No último ano, a maioria dos planos de saúde apresentou lucros seguidamente maiores comparados aos dos anos anteriores a essa tragédia sanitária. Por quê?

Esses planos cometem uma grave falha ética ao cercear acesso a atendimentos eletivos, sendo grande o número de leitos de CTI ocupados por doentes que foram afastados dos seus tratamentos. A história está se repetindo.

A responsabilidade do médico e sua relação com o paciente, mediadas pela direção técnica dos hospitais, tanto públicos como privados, é que deve decidir sobre a necessidade da realização de uma cirurgia. 

Cirurgias eletivas salvam vidas a um custo financeiro menor.

*Médico



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