Curta ‘Preciso Parir uma Lágrima’ aborda vivências de mulheres negras e ancestralidade

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A produção, da atriz e dramaturga Priscila Ribeiro, com direção e roteiro de Cibele Appes, é uma adaptação do monólogo ‘Lágrima de Laura’, de 2019, e foi contemplado pela Lei Aldir Blanc.

Com uma estética que explora as narrativas apresentadas no monólogo teatral, o curta foi filmado na centenária Casa da Frontaria Azulejada, usando as sombras da noite e a iluminação amarelada do Centro Histórico de Santos, em contraste com a luz natural diurna e sonoridade típicas de regiões de praia e manguezal, evidenciando a diversidade arquitetônica e ambiental de Santos, São Vicente e demais cidades da baixada Santista.

Trata-se de uma história de muita sensibilidade, com reflexões do cotidiano das mulheres, em especial aquelas que se identificam como negras ou pardas: abandono, ausência de afeto, objetificação dos corpos e invisibilidade.

Com apresentações em espaços de cultura, teatros e festivais (presenciais, antes da pandemia e virtuais, durante este período), ‘Lágrima de Laura’ foi bem recebido pelo público, que contribuiu de forma significativa para os projetos que conduziram ao curta-metragem.

“Estudei produções de mulheres negras e algumas trajetórias. Falei com as minhas iguais: através dos olhos da minha avó Laura, minha tia Maria, minha mãe e tantas outras mulheres negras da minha família e amigas, tento falar sobre o que, na minha observação, atravessa a maioria dessas mulheres, que cresceram em diáspora ou que foram atravessadas pela violência da colonização”, explica Priscila.

O monólogo

Realizado pelas produtoras Cia Vozavós, 7saias Produtora e Fuzuê Filmes, ‘Lágrima de Laura’ foi dirigido por Juliana do Espírito Santo e estreou em fevereiro de 2019, com uma brilhante apresentação no teatro do Sesc, em Santos.

Desde então, o espetáculo tem sido uma referência para a cena cultural preta da Baixada Santista, inspirando pesquisadores, atores e produtores na construção de projetos e propostas que evidenciem o protagonismo negro, por meio da fala, da dança, da música, das artes visuais e de outras expressões artístico-culturais.

Em tempos de pandemia, a convite do Centro Cultural Banco do Nordeste de Sousa/PB, o monólogo teatral ganhou uma versão para as telas, filmada na Casa da Frontaria Azulejada e exibida no canal do youtube da organização.

O texto forte e atuação marcante, convidam o espectador a acompanhar as memórias de Laura e sua visão de mundo, de acordo com suas vivências. Um mundo pautado pela escravidão contemporânea, estigmas e injustiças, não tão diferente do contexto no qual vive sua neta, que insiste em confrontar a si mesma, aos outros e as realidades de seu entorno.

Além das aparências semelhantes, elas têm algo ainda mais em comum: o “desaguar” de suas emoções depende de uma única lágrima, algo aparentemente fácil (por ser um processo natural do organismo). Contudo, em alguns contextos, chorar pode ser sinônimo de vulnerabilidade e fraqueza, algo que nem sempre é confortável ou seguro.

Para assistir ao curta, clique aqui



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