Documentos mostram que Mayra Pinheiro ofereceu ajuda ao governo de Portugal para uso de medicamentos sem eficácia contra a Covid | Jornal Nacional

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    Documentos obtidos pela CPI da Covid mostram que a secretária do ministério da Saúde Mayra Pinheiro propôs ao governo de Portugal usar medicamentos sem nenhuma eficácia contra a Covid.

    No início de janeiro, a secretária de Gestão do Trabalho do Ministério da Saúde, Mayra Pinheiro, viajou a Manaus, que vivia um colapso no sistema de saúde por causa do aumento dos casos de Covid. A principal meta dela era promover o uso em massa de medicamentos ineficazes para combater o vírus. A estratégia não deu certo.

    No dia 25 de janeiro, o Amazonas registrou 86 mortes por Covid, chegando a uma média móvel diária de 132 óbitos. Ainda assim, no mesmo dia 25, Mayra Pinheiro enviou um e-mail a autoridades de Portugal oferecendo compartilhar com o país o que considerava o sucesso brasileiro no combate à Covid: o tratamento com remédios como a cloroquina, sem nenhuma comprovação científica.

    No e-mail, endereçado ao Ministério dos Negócios Estrangeiros de Portugal, Mayra Pinheiro desconsidera a tragédia em Manaus:

    “Prezados,
    Diante das informações sobre o elevado número de casos e desfechos clínicos desfavoráveis da Covid-19 em território português e na qualidade de cidadã portuguesa e de secretária nacional do Ministério da Saúde, coloco-me a disposição para contribuir com compartilhamento da nossa experiência em atendimento precoce no enfrentamento à doença”.

    No dia 25 de janeiro, a média diária de óbitos em Portugal era de 242. O governo português não adotou a estratégia sugerida por Mayra Pinheiro. Optou pelo isolamento social, e, dois meses depois, em março, a média diária de mortes caiu para 50.

    A defesa da compra e uso em massa da cloroquina é um dos sete núcleos de investigação da CPI que serão aprofundadas durante o recesso do Senado. Há também outros núcleos que apuram, por exemplo, o negacionismo, as fake news, o papel de empresas intermediárias nos negócios de compra de vacinas e a Covaxin.

    Nesta terça-feira (20), no caso que envolve o contrato da Covaxin, a Polícia Federal enviou ao Supremo Tribunal Federal um pedido do ministro da Justiça, Anderson Torres, para investigar o deputado Luís Miranda, do Democratas.

    O governo defende que ele seja investigado por crime de denunciação caluinosa. A PF quer saber se o deputado vai ser investigado no mesmo inquérito aberto para investigar se o presidente Jair Bolsonaro cometeu crime de prevaricação.

    O deputado Luis Miranda e o irmão dele, o servidor do Ministério da Saúde, Luís Ricardo Miranda, contaram ter denunciado ao presidente em uma reunião no Palácio da Alvorada, em março, suspeitas de corrupção na compra de 20 milhões de doses da vacina Covaxin, do laboratório indiano Bharat Biotech – um negócio de mais de R$ 1,6 bilhão.

    Após as declarações dos irmãos Miranda, o Supremo Tribunal Federal abriu inquérito para investigar o presidente pelo crime de prevaricação, praticado quando funcionários públicos dificultam, deixam de praticar ou atrasam, indevidamente, atos que são obrigações de seus cargos.

    Bolsonaro disse que repassou para o então ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, investigar o caso. Pazuello, por sua vez, disse que entregou a tarefa para o então secretário-executivo do ministério, Élcio Franco, mas, até agora, o governo não apresentou nenhum documento que prove a investigação.

    A ministra Rosa Weber, relatora do inquérito no STF, é quem decidirá se o deputado Luís Miranda vai ser investigado por denunciação caluniosa no mesmo inquérito.

    Na avaliação do vice-presidente da CPI, Randolfe Rodrigues, da Rede, o pedido do ministro da Justiça é uma tentativa de intimidar quem fez a denúncia contra o presidente Bolsonaro.

    “A CPI já está investigando as denúncias dos Miranda. O que não pode é o Ministério da Justiça do governo Bolsonaro obstruir os trabalhos da Comissão e confundir os papéis de investigador e investigado. Essa abusiva pressão sobre a testemunha tem nome: atestado de culpa!”, afirmou Randolfe Rodrigues.

    Na segunda-feira (19), no processo aberto pelo STF, o servidor Luís Ricardo disse à Polícia Federal que trocou de celular e que por isso, não tem mais as mensagens que provariam as pressões contra ele no Ministério da Saúde, para acelerar a importação da Covaxin. Mas afirmou que antes da troca do aparelho, repassou as mensagens ao irmão, o deputado Luis Miranda, que ainda será ouvido pela Polícia Federal.

    O depoimento estava marcado para esta terça, mas foi adiado a pedido do próprio deputado.



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