Empresário acusado por morte de trans em incêndio em clínica de SP é flagrado em endereço sem alvará da vigilância sanitária | Profissão Repórter

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Em fevereiro deste ano, um incêndio em uma das clínicas administradas por Paulino acabou matando a jovem. Quando o fogo começou, Lorena estava desacordada dentro de uma sala e foi abandonada por sete minutos inalando fumaça.

Mesmo acusado de homicídio culposo pela morte de Lorena, o Profissão Repórter apurou que Paulino estava intermediando por cirurgias plásticas em uma casa sem alvará da Vigilância Sanitária na Avenida Nove de Julho, na Zona Sul de São Paulo. Durante cinco dias, nossa equipe acompanhou a movimentação do local para tentar confirmar a denúncia e flagrou a saída de mulheres operadas e do próprio Paulino da casa. O local tem registro de CNPJ no nome da esposa de Paulino de Souza, que faleceu há alguns anos.

O empresário Paulino de Souza e mais seis pessoas vão responder por homicídio culposo, quando não há intenção de matar — Foto: Profissão Repórter

A saída de outras pessoas que também podem fazer parte da equipe médica foi registrada. No entanto, ninguém quis dar entrevista. O advogado de Paulino de Souza conversou com o Profissão Repórter sobre o caso.

“O Paulino é aposentado. Ele tem uma renda num valor muito bom e não depende desse tipo de procedimento. Tanto que ele está sem fazer nada”, diz Daniel Bassani, advogado de Paulino de Souza.

Ao ser questionado sobre o funcionamento de uma clínica na Zona Sul de São Paulo sem alvará sanitário, o advogado disse que o local foi fechado. “Nós estávamos fazendo uma intermediação para que lá funcionasse um hospital. Mas não deu certo. Então, aquele local foi fechado”.

Em fevereiro deste ano, Lorena Muniz, mulher trans de 25 anos, morreu após ter sido deixada sedada durante um incêndio em uma clínica de estética no Centro de São Paulo — Foto: Profissão Repórter

Sobre a movimentação de mulheres saindo aparentemente operadas do local e também a presença de Paulino de Souza no local, o advogado garante que foi orientado de que ali não poderia funcionar uma clínica.

“Foi orientado desde o começo de que não daria para abrir clínica, porque não tinha licença nem alvará para funcionar uma clínica”, diz Daniel Bassani.

Apesar de ser conhecido como doutor, Paulino de Souza não tem registro de médico. Ele ficou famoso por oferecer cirurgias plásticas baratas. O que acabou atraindo pessoas de todo país para as clínicas administradas por ele em São Paulo. Uma dessas pessoas foi a cabeleireira Lorena, mulher trans que veio do Recife para São Paulo para realizar o sonho de colocar silicone.

O Profissão Repórter registrou a saída de mulheres operadas e do próprio Paulino de uma casa que não tem alvará da Vigilância Sanitária na Avenida Nove de Julho, na Zona Sul de São Paulo — Foto: Profissão Repórter

“Teve uma explosão, um barulho bem alto. A gente ainda tentou salvar, correr atrás. Sendo que não dava mais. Quando ela saiu de lá já estava muito grave. Eles não tinham extintor de incêndio lá, pegaram com as empresas vizinhas”, conta Yasmin Jambo, amiga de Lorena e que também estava na clínica esperando por sua vez de ser operada.

Pacientes relatam erros nas cirurgias

A cirurgia de Drielly Vieira foi adiada depois que Lorena morreu durante o incêndio em fevereiro. Ela diz que chegou a pagar R$ 3 mil adiantados para fazer a cirurgia para colocar as próteses de silicone nos seios. E que esta é a única opção para conseguir realizar um sonho.

“90% das trans colocam próteses com ele, todas as trans que eu conheço colocara com ele. Se não for lá, não tenho opção. Eu não vou conseguir colocar. Lá é R$ mil, em outro lugar vou gastar, R$ 15 mil, R$ 18 mil. E eu não tenho. É um sonho meu e eu não posso deixá-lo para trás.”

Três meses depois, Drielly conta que foi operada por uma equipe ligada a Paulino. “Minha pele esticou muito e inflamou um pouquinho. Eles colocaram uma prótese maior em mim. Eu ia colocar 400 ml. Só que na hora que eu cheguei lá, eles foram buscar as próteses, que não tinham lá ainda. E só tinha próteses de 440 ml”.

Casa na Zona Sul de São Paulo não tem alvará da vigilância sanitária — Foto: Profissão Repórter

Lara Agareli também é uma outra paciente que foi atendida na clínica de Paulino. Ela, que passou pelo procedimento estético em outubro de 2020, conta que não sabia que as pessoas operadas não ficavam em observação após a cirurgia.

“Eu simplesmente acordei fui obrigada a ir embora para ceder espaço para outras meninas. Além disso, um implante é diferente do outro. O resultado ficou péssimo. Paguei por um que virou um pesadelo”.

Assista à reportagem completa abaixo:

Equipes médicas administradas por Paulino de Souza continuam realizando procedimentos cirúrgicos



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