Especialistas afirmam que é mito a alegação de que quem foi operado do coração está no fim da vida

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Cirurgião cardiovascular Dr. Marcos Antonio Cantero – Crédito: Divulgação

Vida normal após a cirurgia cardíaca não é difícil de se alcançar por pacientes que precisam se submeter aos procedimentos cirúrgicos. De acordo com o cirurgião cardiovascular Dr. Marcos Antonio Cantero, que atende o município e região, as cirurgias cardiovasculares eletivas, atualmente, não constituem um grupo com alta mortalidade e risco de complicações.


Em Dourados são realizadas cerca de 30 procedimentos ao mês, sendo os mais comuns: a revascularização do miocárdio, troca valvar, correção de defeitos congênitos do coração e implante de dispositivos eletrônicos cardíacos. “Devido as novas tecnologias médicas, a melhoria dos materiais usados e do cuidado pós operatório cerca de 1 a 4% dos pacientes apresentam complicações.


Estas dependem das características do paciente operado e sua doença, do suporte hospitalar e da equipe que realizará o procedimento. Ainda continuam de alto risco as cirurgias emergências devido a gravidade da situação”, explicou o médico em entrevista ao PROGRESSO. O cirurgião explicou que os cuidados do pós-operatórios em cirurgias de risco são fundamentais para garantir a volta à vida normal.


“Quando paciente é submetido a um procedimento cardiovascular de alta complexidade com potencial de complicações, o pós operatório deve ser realizado numa unidade de terapia intensiva com suporte avançado de vida, monitorização continua e aos cuidados de uma equipe altamente treinada para as condução do caso e intercorrências que possam surgir. Atualmente os paciente que apresentam casos complicados devido ao COVID 19 também necessitam deste tipo de suporte intensivo concorrendo com as vagas do pacientes em pós operatório”, destacou.


Questionado sobre a volta a rotina normal dos pacientes, o médico afirmou que qualquer cirurgia visa a correção do defeito anatômico do órgão doente, para que cesse os sintomas e se reestabeleça o funcionamento normal do organismo, e que com a cirurgia cardíaca não é diferente.


“Objetivamos o reparo do coração para que o paciente retorne a sua vida normal, realize todas as atividades diárias e se torne apto as atividades físicas tão necessária a saúde do organismo. Assim como processo do adoecer a recuperação, na maioria das vezes, tem velocidade lenta e gradativa até readquirir a capacidade para atividades cotidianas.


Para um ótimo resulta final com completo reestabelecimento do individuo, os cuidados devem ser iniciados no pré-operatório com uma adequada avaliação, um trans operatório sem intercorrências e cuidados de pós operatório munido de todas as ferramentas existentes, desde os cuidados intensivos até a reabilitação cardiovascular que deveria ser iniciada já no pré-operatório e continuasse até que o paciente estivesse apto as atividades físicas”, explicou Dr. Marcos. O médico ainda falou sobre os impactos da pandemia na realização das cirurgias.


“A crise atual provocada pela pandemia devido a infecção pelo corona vírus obrigou os hospitais a direcionar seus esforços e recursos para o tratamento da mesma, com isso o volume do serviço diminuiu a cerca de 50% da sua capacidade total”, afirmou Marcos.



REABILITAÇÃO CARDIOVASCULAR É ALIADA DE PACIENTES


A fisioterapeuta Daniele Susan explica que a Reabilitação Cardiovascular é um conjunto de atividades supervisionadas dividida por 4 fases. Sendo a fase 1 intra-hospitalar e as fases 2 a 4 ambulatoriais ou domiciliar.


Por meio de uma equipe multiprofissional ela objetiva aumentar ou manter a capacidade funcional, controlar os fatores de risco, promover um estilo de vida saudável, proporcionando melhores condições física, mental e social.


Deve iniciar com a Pré-habilitação do paciente, ou seja, habilitar o paciente para o procedimento cirúrgico com objetivo de diminuir o risco cirúrgico, otimizar os resultados da cirurgia e reduzir as complicações no pós- -operatório.


“Para que o paciente tenha alta hospitalar mais rápido e funcional possível a fase I inicia-se na Unidade de terapia intensiva no pós-operatório imediato. Após a alta, o paciente deve ser direcionado a um serviço de reabilitação cardiovascular, passar por uma avalia- ção da capacidade funcional e estratificação de risco para dar continuidade a reabilitação”, explicou Daniele.


A duração pode variar conforme quadro clínico, evolução do treinamento físico e assiduidade do paciente. Portanto, a reabilitação deve ser individualizada, monitorizada e com avaliações periódicas para evitar intercorrências. “Em todas as fases visamos a progressão ou manutenção dos benefícios da Reabilitação Cardiovascular, proporcionando o retorno do paciente o mais breve possível as atividades sociais e laborais com qualidade de vida”, concluiu a fisioterapeuta.

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