Exercícios com máscara, sim: médicos ensinam a escolher o melhor tipo para reduzir desconforto e garantir proteção

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RIO — As máscaras entraram nos guarda-roupas há mais de um ano e não têm data para serem deixadas de lado, já que contribuem para evitar a Covid-19. Nem na hora do exercício. Novas pesquisas reforçam que máscaras e atividades físicas não são incompatíveis, como muitos acreditam. É preciso apenas saber como usá-las para garantir conforto, rendimento e, claro, proteção contra o Sars-Cov-2.

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O cardiologista Fabrício Braga é coordenador do Laboratório de Performance Humana (LPH) da Casa de Saúde São José, que realizou um estudo com voluntários para avaliar os efeitos fisiológicos da prática de exercícios com e sem máscara. A principal conclusão foi que o uso da proteção não é prejudicial à saúde, apesar do desconforto que causa em algumas pessoas.

— Nos anos 1980, os pediatras já recomendavam o uso de máscaras para o tratamento de asma induzida pela atividade física — diz o médico, que também coordena o curso de pós-graduação de Medicina do Exercício e do Esporte do Idomed. — Há tempos se discute o tema, até porque há profissionais, como bombeiros, que precisam se exercitar usando máscaras. O retorno de gás carbônico de que se fala é o mesmo que a pessoa teria sem máscara, não faz mal. É óbvio que a performance esportiva cai um pouco, porque a dificuldade de colocar o ar para dentro e para fora é maior, e o exercício que antes era moderado fica perto do intenso, mas é preciso usá-las.

Para a prática de exercícios, o médico não recomenda o uso de modelos PFF2, como o N95. Máscaras de algodão duplo e TNT podem ser utilizadas em ambientes de baixa concentração viral, como locais abertos, afirma.

— É preciso escolher a mais confortável para você. A área do trígono facial é muito vascularizada; a temperatura aumenta, e a máscara incomoda mesmo, mas é só um desconforto. As de TNT, que ficam úmidas durante a atividade, devem ser trocadas quando isso acontece, porque sua eficácia se reduz.

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Caso o exercício seja em local fechado, explica, além de trocar as máscaras quando úmidas há outra alternativa:

— Existem máscaras próprias para exercícios, que são de poliamida e têm filtro de TNT. Elas repelem a água, ficando menos molhadas, o que protege o filtro, e podem ser usadas por até quatro horas. Depois, o usuário deve trocar a peça. Ou pode tirar o filtro, torcê-lo, recolocá-lo e botar a máscara novamente.

A médica Érika Vidal mostra o modelo de uma máscara ideal para exercícios a uma paciente Foto: Divulgação/Raíssa Coringa
A médica Érika Vidal mostra o modelo de uma máscara ideal para exercícios a uma paciente Foto: Divulgação/Raíssa Coringa

 

A cardiologista do esporte Erika Vidal orienta os atletas a terem sempre consigo máscaras reservas, para trocá-las quando ficarem molhadas. E também afirma que, além de estar ou não protegido, a única diferença entre fazer exercícios com e sem máscara é o aumento da percepção do esforço.

— Para minimizar o desconforto, o ideal é tentar respirar mais devagar e de forma mais profunda. Pior é fazer exercício sem máscara e se expor ao risco de se contaminar. A melhor opção é buscar máscaras com material hidrofóbico — diz.

Dicas para não prejudicar a pele

Outra queixa que surgiu com o uso de máscaras foi o aumento de casos de acne, pois o rosto passou a ficar coberto mais tempo. A dermatologista Ana Motta, da Clínica Neurovida, no Recreio, observou que muitos clientes começaram a apresentar o problema ou a ter seu quadro agravado:

— Há até um termo para o aparecimento de acne na região que as máscaras cobrem: “maskne”. Como ainda as usaremos um tempo, é preciso ter alguns cuidados.

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Ela diz que deve-se fazer higienização e hidratação da face pela manhã, durante o dia e antes de dormir. E trocar as máscara com frequência:

— Tanto a máscara descartável, cirúrgica, como a de tecido, devem ser trocadas a cada duas horas. As de tecido e a N95, que promovem uma oclusão maior, estão ocasionando maior inflamação da pele, pela tendência de promover mais umidade no local.

Ana também aconselha a dispensar maquiagem na área do rosto que fica coberta. O ideal é usar apenas hidratante labial, para evitar ressecamento, diz:

— O uso da maquiagem junto com a máscara leva a uma maior oclusão dos poros, e isso aumenta a formação de cravos, propiciando o aparecimento da acne.

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A cirurgiã plástica e especialista em cosmiatria Juliana Sales afirma que o uso prolongado de máscaras pode gerar alterações na face, como depressão na região embaixo do olho e no nariz, além de criar sulcos, marcações e relevos. Por isso, devem ser evitadas máscaras muito apertadas. Quanto ao risco de ficar com orelhas de abano, ela tranquiliza:

— Após uma certa idade, a cartilagem tem memória e dificilmente vai se deformar.

No caso de procedimentos estéticos e cirurgias plásticas, o cuidado deve ser maior:

— Após um peeling, a pele fica sensível, e o atrito da máscara pode gerar uma queimadura. O ideal é ficar em casa até a pele se recuperar. No caso de uma rinoplastia, a pessoa não deverá usar máscara por um tempo porque não pode ter esse apoio no nariz e porque pós-operatório exige mesmo que o paciente fique um período em casa. Se forem procedimentos injetáveis, as máscaras podem ser colocadas em seguida. O médico vai indicar qual modelo usar.

Rodrigo de Souza, audiologista e diretor da Audiovida, na Barra, chama a atenção para os cuidados que quem usa aparelho auditivo deve ter. Segundo ele, desde o início da pandemia houve um aumento na perda de equipamentos, porque, muitas vezes, quando o usuário tira a máscara, eles saem junto:

—Recomendamos que o usuário prefira máscaras de amarrar atrás da cabeça ou com faixa ou elásticos.

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