Explante de silicone: moda ou necessidade?

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Pedro Nery Bersan. FOTO: DIVULGAÇÃO

O implante de silicone nas mamas é a cirurgia mais realizada no Brasil e no mundo, segundo a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica. Mas, a retirada das próteses também tem aumentado entre as brasileiras nos últimos anos, inclusive entre as famosas. Recentemente, as influenciadoras Thai de Melo Bufrem, Evelyn Regly e Amanda Djehdian e a atriz Fiorella Mattheis compartilharam nas redes sociais seus processos de explante. A SBCP ainda não possui dados sobre o tema, mas a Sociedade Americana de Cirurgia registrou um crescimento nos EUA de 15% nos explantes, de 2018 para 2019.

Nos consultórios, as razões para retirada são, de modo geral, estéticas ou por motivos de saúde. Muitas pessoas sentem que as próteses não combinam mais com seu estilo de vida. Em casos assim, é necessário cautela, uma vez que é possível uma troca da prótese, por tamanho ou formato que agradem. Isso porque, assim como qualquer cirurgia, o explante deixa marcas.

A cirurgia ocorre de forma similar à do implante do silicone, com anestesia, incisões e cuidados no pós-operatório, com mais de um mês sem realizar exercícios físicos, mas é preciso se preparar para o resultado estético, já que a mama irá diminuir de tamanho e ficarão novas cicatrizes. Pode ocorrer também a flacidez dos seios, decorrente do esticamento da pele, causado pela colocação da prótese. Nesse caso, pode ser feita uma mamoplastia, para retirar excesso de pele e levantar os seios, e enxerto de gordura, para preencher o volume. Tudo isso deve ser conversado com antecedência com um cirurgião de confiança e, após o diálogo, ter confiança para tomar a decisão que considerar mais adequada.

Em caso de retirada das próteses por motivo de saúde, o explante é recomendado em casos de infecções graves no local e nos casos de diagnósticos de Síndrome de ASIA (Autoimmune Syndrome Induced by Adjuvants), que pode ser traduzida como Síndrome autoimune-inflamatória induzida por adjuvante, e a Breast implant illnes, ou seja, doença do silicone. No caso da ASIA, as causas podem ser diversas, inclusive a prótese de silicone, e nesse caso, é preciso descartar todas as outras possibilidades durante o diagnóstico antes de partir para o explante.

Ainda não existem estudos que comprovem a relação entre ASIA e próteses, também não existem exames laboratoriais e de imagem que identifiquem a síndrome. Há inclusive casos, em torno de 25%, nos quais a retirada das próteses não fez cessar as queixas relacionadas à ASIA, como dores musculares e articulares, perda de cabelo, alergias, fadiga e depressão, por exemplo. Por isso, tudo deve ser conversado com muita cautela com profissionais de referência, seja cirurgião, reumatologista ou especialistas de outras áreas.

Tanto a decisão de colocada como de retirada devem ocorrer com tranquilidade e voltada para o bem estar e desejo da pessoa operada, independente da motivação. Mas o bom senso e o diálogo entre profissionais e pessoas que pretendem passar pelos procedimentos são essenciais, sempre.

*Pedro Nery Bersan, cirurgião plástico membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica e Sócio-diretor da Clínica Bersan



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