Explante: por que mais mulheres estão retirando o silicone dos seios?

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Larissa Almeida tem 37 anos e é professora em Fortaleza. Em 2012, colocou implante nas mamas. Resolveu tirar sete anos depois, fazendo a cirurgia de explante. Neste intervalo de tempo, sentiu sintomas variados e que exame nenhum explicava, como problemas de memória, fadiga, queda de cabelo e dores nas articulações.

“Realmente foi confirmado que eu estava com um problema chamado de Síndrome de ASIA e tive sintomas relacionados à doença do silicone”. ASIA é a abreviatura de Autoimmune Syndrome Induced by Adjuvants, ou, em português, Síndrome Autoimune Induzida por Adjuvante. Segundo Larissa, quando ela retirou a prótese, os sintomas pararam.

A discussão sobre a cirurgia de explante cresce nas redes sociais. Pouco antes de passar pelo procedimento, Larissa criou uma página no Instagram sobre o assunto. Por lá, ela encontra muitas mulheres que também retiraram as próteses, mas também lê mensagens de quem duvida dos relatos. “Eu recebia comentários terríveis, ameaças, coisas bizarras de outras mulheres atacando e ridicularizando, dizendo que éramos loucas”, conta. 

O aumento da discussão nas redes sociais já chegou aos consultórios médicos, como relata o cirurgião-plástico Adhemir Jr.

“Existe uma mudança, acho que muito em virtude das redes sociais. Mas este número de pessoas que querem retirar a prótese, ainda que tenha aumentado, é infinitamente menor do que as que procuram para aumentar as mamas”, conta.

Busca por explante

Em casos de efeitos colaterais ou sintomas relacionados às próteses, os reumatologistas são especialistas que auxiliam as pacientes. É o caso de Ana Montandon, médica no Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Goiás (UFG). Ela também percebe cada vez mais interesse pelo explante. “Tem sido muito frequente. A gente teve um boom do implante nos últimos anos e, agora, estamos vendo muitas mulheres infelizes com ele”, conta.

Esta escolha também está relacionada ao movimento de mulheres buscando valorizar suas formas e características naturais. “Recebo muitas pacientes que já têm implante há algum tempo e não sentem nada, sintoma nenhum e os exame de imagem mostram a prótese normal, mas ela prefere não ter. É uma escolha da paciente, como um tempo atrás foi uma escolha aumentar o volume da mama”, afirma.

Os problemas de saúde

A ASIA é uma síndrome autoimune causada por um adjuvante, algo estranho ao corpo, que pode ser o silicone, uma prótese nos joelhos ou o ácido hialurônico inserido no corpo em procedimentos estéticos, por exemplo. Se o silicone pode ou não levar a mulher a ter a Síndrome é uma pergunta que a Ciência ainda busca responder. Existem estudos mostrando que sim e outras pesquisas que não encontraram relação direta entre um e outro. “Mas a gente sabe que existem casos mesmo. Isso pode acontecer. Tanto é que há relatos de mulheres que melhoram dos sintomas quando tiram a prótese”, afirma a reumatologista Ana Montandon. 

Segundo a reumatologista, um levantamento onde alguns médicos registram novos casos de ASIA, relacionados ou não ao silicone, tem hoje cerca de 500 diagnósticos no mundo todo. “É muito raro. Eu conto nos dedos os pacientes que tenho com essa síndrome” relata.

Por outro lado, o cirurgião plástico Adhemir Jr reforça que somente o silicone não causa o problema. “É uma síndrome desenvolvida em pacientes que têm predisposição genética”, explica.

Hoje em dia, já se sabe quais genes estão relacionados a ASIA, mas ainda não é possível fazer um exame para dizer quem tem a predisposição genética. Isso poderia ajudar na decisão de colocar ou não a prótese nas mamas. “Então o que a gente faz? Avaliação. Se tem histórico da doença autoimune ou doença reumatológica na família: mãe, irmã, tia ou prima, por exemplo. Se sim, já fica o alerta de que a paciente pode ter essa alteração genética. Nestes casos, a gente orienta que o ideal é não fazer”, comenta. 

Doença do silicone

A Organização Mundial da Saúde (OMS) não reconhece a doença do silicone como uma patologia, mas mulheres como Larissa relatam sintomas que acreditam estar relacionados à prótese e percebem a melhora quando fazem o explante. “Sinto alívio por não ter mais essas próteses adoecendo meu corpo e por deixar ir, junto com toda a inflamação que tinha ao seu redor, mais de 20 sintomas adquiridos somente após a sua implantação”, relata em um post nas redes sociais. 

Para a reumatologista do HC/UFG, a doença do silicone é, na verdade, um dos sinais da Síndrome de ASIA. “A Síndrome tem um leque de manifestações, que pode ser doença do silicone, doenças que inflamam os músculos, doenças reumatológicas. A gente prefere não usar  o termo doença do silicone, a gente dá o nome de Síndrome de ASIA”, explica. 

Como é feito o explante 

Imagem: Divulgação Instagram/ Larissa Almeida

O procedimento envolve não só retirar a prótese, mas também ajustar a região da mama. “A cirurgia da prótese promove uma série de alterações na mama, no tecido mamário, elasticidade da pele. Por isso, depois da retirada do implante, é preciso fazer uma série de manobras para deixar a mama com um formato bacana”, comenta o cirurgião plástico. Na maioria dos casos, é inserido um enxerto de gordura da própria paciente para chegar ao formato da mama. 

A reumatologista lembra que é preciso um trabalho psicológico com pacientes que passam pelo explante, pelas mudanças no corpo. “É uma mulher que, por exemplo, sai de uma mama de 400 ml de silicone para uma com 100 ml, com flacidez da pele e cicatriz”, explica.

Para Larissa, esta recuperação foi mais tranquila do que o pós-operatório para colocar o silicone. “Quando tirei, senti um alívio porque passei quase sete anos sem respirar direito, não conseguia puxar o ar. Voltei a respirar do jeito que eu respirava antes da prótese. A cicatriz fica, mas é como uma marca daquilo que eu passei e sofri, que eu levo hoje para empoderar outras mulheres”, relata.



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