Faloplastia: é seguro aumentar o tamanho do pênis? Entenda os riscos envolvidos

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O tamanho do pênis é um assunto polêmico. Mesmo aqueles homens que têm o órgão sexual dentro do que é considerado normal, como o tamanho médio, desejam ganhar alguns centímetros extras. Afinal, tamanho é documento? Na verdade, não é, mas, em busca desse membro perfeito, uma parcela de pacientes se submete a procedimentos que podem colocar em risco a própria saúde sexual. Este é o caso de alguns tipos de faloplastias — nome dado às cirurgias plásticas penianas —, quando feitas sem indicação médica.

Para entender sobre os riscos de procedimentos que podem aumentar o pênis e compreender como estas cirurgias são realizadas, o Canaltech entrevistou o médico André Cavalcanti, professor de urologia da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio) e especialista em cirurgia reconstrutora urogenital.

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As faloplastias são voltadas, na maioria dos casos, para quem tem problemas de saúde (Imagem: Reprodução/ Charles Deluvio/Unsplash)

“As técnicas que vão, realmente, aumentar o pênis de uma forma real, na estrutura do corpo cavernoso, podem levar, na maioria das vezes, à disfunção erétil. Por isso, não são indicadas em pacientes potentes”, adianta o urologista Cavalcanti. Isso porque as intervenções no pênis são destinadas, principalmente, para aqueles que enfrentam problemas de saúde.

O que é faloplastia? É possível aumentar o tamanho do pênis?

“Quando falamos de faloplastia, estamos falando de plásticas do pênis. Existem diversas plásticas do pênis”, explica o professor. De modo geral, esses procedimentos são indicados para resolução de questões que afetam a saúde do indivíduo, como pacientes com um pênis torto de forma congênita — nasceu com ele — ou naqueles em que o pênis ficou torto por alguma complicação. Isto pode ser causado pela doença de Peyronie, que consiste em um espessamento fibroso que deforma o órgão.

“A faloplastia é também o termo que utilizamos quando fazemos a reconstrução do pênis, como em um paciente que teve uma amputação do membro por um câncer”, comenta o especialista em cirurgia reconstrutora urogenital. Além disso, o termo usado é o mesmo quando se constrói um neofalo em um paciente que, por exemplo, está fazendo uma cirurgia de transgenitalização. Em outras palavras: quando há cirurgia de redesignação sexual.

Por fim, a faloplastia também pode ser sinônimo para as cirurgias de aumento ou de engrossamento de pênis. No entanto, “esses procedimentos, hoje, ainda são colocados dentro de um espectro onde não temos uma evidência extremamente forte da sua eficácia e, principalmente, dos resultados que serão obtidos”, explica Cavalcanti. 

Pênis podem ter tamanhos e grossuras diferentes — e isso é normal (Imagem: Reprodução/Deon Black/Unsplash)

Por isso, é importante entender para qual paciente se destina cada tipo de cirurgia. “Se é realmente um paciente que precisa, porque ele tem um micropênis, tem uma alteração congênita ou sofreu uma perda do tamanho do pênis”, ressalta. Nesse aspecto, é importante trabalhar a questão da autoimagem corporal. Já que “existe uma variabilidade no tamanho do pênis, então, existem alguns que são menores ou maiores, outros que são mais grossos ou mais finos”, lembra o especialista.

Riscos de uma cirurgia no pênis

“Em geral, não são cirurgias de alto risco para o paciente, mas são cirurgias com complicações”, destaca o urologista. Principalmente, se a técnica adotada durante a cirurgia alterar a estrutura interna do pênis, ou seja, afetar o corpo cavernoso. Vale explicar que é nesta região que está concentrada a maior parte dos vasos sanguíneos relacionados com a ereção.

“Toda vez que se vai mexer na estrutura do corpo cavernoso, você tem o risco da disfunção erétil”, explica. Por isso, os procedimentos que envolvem essa região são, principalmente, restritos para quem têm alguma questão envolvendo a saúde do órgão sexual. “Apenas pelo estético, se você for mexer na estrutura do corpo cavernoso de um homem com ereção normal, o risco de ter disfunção erétil é muito grande”, pontua. 

Esses riscos existem porque o pênis tem uma dinâmica própria para que a ereção ocorra. Nesse processo, que pode parecer natural e simples para muitos homens, está envolvida uma série de variantes, como a pele, que precisa ter mobilidade. Assim, qualquer alteração pode, potencialmente, prejudicar o seu funcionamento.

Quais são os tipos de cirurgia para o pênis?

Cirurgias que não afetam o corpo cavernoso do pênis tendem a ser mais seguras (Imagem: Reprodução/Charles Deluvio/Unsplash)

Na prática, alterações na estrutura do corpo cavernoso são feitas quanto uma prótese é colocada no paciente, por exemplo. O procedimento cirúrgico é feito em situações em que o pênis do paciente encurtou, há disfunção erétil por um longo período ou quando o paciente apresenta a doença de Peyronie. Nesses casos, a cirurgia pode proporcionar o alongamento do pênis.

No entanto, o médico reforça que “o implante de prótese não é uma cirurgia adequada para quem não tenha uma disfunção erétil associada”. Isso porque, somente nos pacientes com algum problema, “podemos ter algum ganho de tamanho de comprimento no momento de cirurgia de implante, desde que seja feita com outras técnicas associadas”.

Cirurgias que não afetam o corpo cavernoso do pênis

“Muitos homens buscam um aumento do tamanho do pênis flácido e não o tamanho do pênis ereto. Porque é, talvez, esse pênis flácido que ele vai apresentar para o seu parceiro ou parceira no momento inicial da relação. Ou é esse pênis flácido que, por exemplo, vai fazer o volume dentro de uma sunga ou que vai aparecer quando ele vai se expor no vestiário”, comenta o urologista sobre a sua experiência clínica.

Nesses casos, existem algumas cirurgias de aumento peniano — comprimento e engrossamento — que partem da premissa de não alterar a estrutura do pênis, mas modificar apenas a parte visual. “As cirurgias que se praticam, normalmente, para o aumento do pênis não vão mexer no corpo cavernoso. São cirurgias que vão dar a aparência de um pênis maior. Isso pode ser obtido, por exemplo, ao fazer a liberação do ligamento suspensor do pênis. Porém, é uma cirurgia que traz riscos”, destaca o médico.

Liberação do ligamento suspensor do pênis

“Com a liberação do ligamento suspensor do pênis, o paciente pode apresentar uma retração cicatricial e esse pênis ficar mais retraído”, comenta Cavalcanti. Nesse caso, o procedimento pode causar o objetivo oposto de quem se sujeito a ele, ou seja, a sensação de diminuição do pênis. 

Além da retração, é possível que o órgão perca a sua sustentação. Em outras apalavras, ele pode ficar com a aparência de caído na posição ereta, ou seja, não mais formará mais um ângulo próximo dos 90°, quando ereto. Por isso, as intervenções devem ser bastante discutidas entre o médico e o paciente. Vale destacar que, neste tipo de procedimento, o aumento máximo estimado é de 1,5 cm a 2 cm.

Reposicionamento da bolsa escrotal

“Outra forma de expor melhor o pênis e dar um aumento aparente é realização de procedimentos de reposicionamento da bolsa escrotal — alguns homens têm o escroto que se insere muito alto no pênis”, afirma o profissional. Nesses casos, a cirurgia altera apenas a angulação do escroto. 

“Outra opção é você reduzir a altura do púbis, através de uma lipoaspiração ou da retirada da gordura — chamada de dermolipectomia. Existem homens, inclusive, que têm um pênis embutido. Aí, sim, temos a indicação de fazer esses procedimentos para se ganhar uma melhor exposição do pênis”, afirma Cavalcanti.  

Engrossamento do pênis

Algumas técnicas podem promover o engrossamento do pênis, a partir da introdução de substâncias, como a gordura (Imagem: Reprodução/Charles Deluvio/Unsplash)

Por fim, algumas técnicas podem engrossar o pênis, a partir da introdução de determinadas substâncias. No entanto, é preciso ter cuidado com o que será injetado, já que há risco de complicações. Por exemplo, o polimetilmetacrilato —  também conhecido como metacril ou metacrilato — já foi bastante utilizado, mas é extremamente difícil de ser removido e pode afetar a mobilidade do pênis.

“Gordura pode ser uma opção, mas, em alguns casos, pode causar um pouco de fibrose [a formação de um tecido conjuntivo, como o de uma cicatriz grosseira]. O principal problema da gordura é que ela tende a ser absorvida com o tempo, então, a maioria dos pacientes tem que injetar gordura mais de uma vez”, pondera o médico. 

Também existe a possibilidade de se injetar ácido hialurônico. No entanto, “o ácido hialurônico demanda um volume grande e tende a necessidade de novas aplicações”, afirma o médico. Isso tudo porque a ciência ainda não chegou a um material 100% ideal. “Deve-se desenvolver novos materiais, no futuro, buscando esse material ideal para esse posicionamento”, aposta o professor universitário.

Quanto aos outros cuidados, é preciso se atentar ao local em que o material será injetado. Caso seja inserido na posição errada, ele deve causar problemas na mobilidade da pele peniana e, consequentemente, pode causar desconforto. Às vezes, também há uma migração do material e esse material acaba se concentrando em determinadas áreas do pênis, o que pode dar uma aparência que não seja esteticamente agradável. Mais uma vez, o recomendado é cautela e avaliar a real necessidade de uma cirurgia.

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