Família de idosa com rosto ‘comido por tumor’ alega negligência em atendimento médico no litoral de SP | Mais Saúde

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    Terezinha Marangoni de Souza, de 83 anos, está à procura de atendimento público para um tumor maligno em sua face, que surgiu inicialmente como uma ferida, em 2019. A idosa mora em Praia Grande, no litoral de São Paulo, e ainda não conseguiu realizar uma cirurgia ou o tratamento necessário. Nesse período, o rosto dela vem sendo “comido pelo tumor”, segundo sua neta, o que causa muita dor.

    A neta da paciente, Luana de Souza Azevedo, de 41 anos, mora com a avó e acompanha essa situação desde o início. Quando a ferida surgiu, há mais de dois anos, ela buscou tratamento e diagnóstico para a avó. Nesse meio tempo, foi realizada uma “cirurgia de limpeza” em Terezinha.

    “A médica que operou minha avó não poderia ter operado. Ela desconfiou que era câncer e fez uma cirurgia de limpeza sem ter a biópsia, e isso agravou a ferida”, relata a parente. Após o procedimento, Luana diz que a situação da idosa ficou mais delicada ainda, porque era ela quem tinha que realizar os curativos e a limpeza do ferimento, que ficou exposto.

    Segundo a neta, a médica disse que faria uma “gambiarra” para deixar a paciente mais confortável. “No retorno, após a cirurgia, a médica disse que não poderia fazer nada pela minha avó”, conta.

    À esquerda, ferida após ‘cirurgia de limpeza’; à direita, ferida semanas após o procedimento — Foto: Arquivo Pessoal

    Inconformada com a situação da avó, que usa cadeira de rodas e tem histórico de acidente vascular cerebral (AVC), Luana diz estar desesperada, pela gravidade da doença. Ela conta que, após o diagnóstico de carcinoma epidermóide, a avó entrou na fila de procedimentos oncológicos do Sistema Único de Saúde (SUS), mas o tratamento continua inexistente na rede pública de Praia Grande.

    Luana comenta que a Secretaria de Saúde da cidade foi negligente, desde o momento em que demorou para realizar a biópsia, que foi solicitada em 2019 e realizada em 2021. “Mesmo sabendo do histórico da minha avó, não adiantou o tratamento dela”, diz.

    “Além de ninguém dar a vaga para a minha avó, e ela estar perdendo o olho, a prefeitura praticamente nega o atendimento, porque nunca tem oncologista nos hospitais”, desabafa. A neta reforça que o desejo dela, e de sua avó, é conseguir o tratamento adequado. “Minha avó sente dores 24 horas por dia. Os remédios analgésicos que deram para o pós-cirúrgico já não fazem mais efeito”, diz.

    Sobre a fila do SUS, a parente relata que não apresenta nenhum avanço. “A fila não anda, e quando ligo para a Secretaria de Saúde de Praia Grande, eles dizem que ‘logo sai’, mas é mentira”, desabafa. Apesar da demora para o atendimento de Terezinha, o pedido para cirurgia oncológica foi encaminhado com urgência. “Minha avó precisa de atendimento agora. Se demorar mais, não precisará mais tratar”, conclui.

    À esquerda, ferida de Terezinha em 2019; à direita, ferida em 2020 — Foto: Arquivo pessoal

    O médico oncologista André Perdicardis explica que o carcinoma epidermóide é um tipo de tumor maligno epitelial e vegetal. Por ser epitelial, ele atinge a pele, e a característica de vegetal é por ele crescer para fora ou para dentro dela, no sentido de profundidade.

    Perdicardis diz que, à princípio, a cirurgia para casos de carcinomas epidermóides é a retirada total do tumor. Entretanto, ele alerta que o procedimento depende da quantidade de órgãos internos que foram afetados. Ele reforça, porém, que existem tratamentos para o câncer, caso a remoção seja inviável.

    Sobre o câncer de Terezinha, o médico comenta que o tumor está em estado extremamente avançado, e ainda calcula que, provavelmente, já atingiu a órbita ou o tecido ósseo da paciente. O especialista pontua que o caso pode se tratar de negligência médica, porque, “algum dia, esse tumor foi pequeno”.

    Tumor de Terezinha em outubro de 2021. Ela aguarda tratamento e atendimento adequados — Foto: Arquivo Pessoal

    Secretaria de Saúde de São Paulo

    Por nota, a Secretaria de Saúde de São Paulo pontuou que o caso em questão está sendo monitorado, e que a paciente será encaminhada para serviço de referência. A pasta afirma que o encaminhamento de pacientes a atendimentos especializados é de responsabilidade dos municípios, que possuem autonomia para definir os casos prioritários. Em caso de dor ou situação emergencial, a secretaria diz que a paciente deve procurar o serviço de saúde mais próximo de sua residência.

    Prefeitura de Praia Grande

    A Secretaria de Saúde Pública (Sesap) de Praia Grande informou que todos os recursos existentes na rede municipal já estão sendo disponibilizados para a paciente. A pasta pontua que o tratamento oncológico é responsabilidade e realizado em unidade referência do Governo do Estado. A cidade diz que incluiu a paciente na Rede Hebe Camargo, responsável por ofertar este atendimento. O acesso ocorre pela regulação estadual, por meio da central de vagas.

    A secretaria reitera que, no SUS, os tratamentos de alta complexidade, como de oncologia, são realizados em unidades de referência do Governo do Estado. O órgão diz que, na Baixada Santista, existem hospitais públicos indicados para este tipo de tratamento. A pasta ainda diz que a cidade de Praia Grande não tem base legal para buscar atendimento na rede privada.

    Terezinha Marangoni de Souza busca atendimento urgente de tumor no rosto — Foto: Arquivo Pessoal

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