“Gastei R$ 200 mil”, diz modelo que acusa médico por nariz deformado

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São Paulo – Acusado por vários pacientes de provocar deformidades em plásticas no nariz, o cirurgião Alan Landecker tentou impedir que a modelo Sarah Cardoso, de 29 anos, uma de suas clientes, comentasse o caso nas redes sociais e pediu que ela se retratasse. A Justiça recusou esse pedido de liminar, mas a solicitação de indenização que o médico exige da moça ainda terá o mérito julgado.

Em entrevista ao Metrópoles, ela contou que também protocolou ação na Justiça para ser indenizada pelo profissional e enumera tudo o que teve de desembolsar nas tentativas de tratar os problemas que teriam sido criados pelo primeiro procedimento cirúrgico com Landecker.

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O cirurgião é investigado pelo Conselho Regional de Medicina do estado de São Paulo (Cremesp) e por duas delegacias da Polícia Civil de São Paulo: 15º DP (Itaim Bibi) e 34º DP (Morumbi). Landecker foi afastado pelos principais hospitais da capital paulista nos quais realizava cirurgias.

Sarah relatou que procurou o profissional inicialmente para corrigir problemas de uma cirurgia de nariz que tinha feito anteriormente com outro médico. Com clínica nos Jardins, área nobre de São Paulo, e parcerias com os principais hospitais da cidade (Albert Einstein e Sírio-Libanês), o acusado havia sido recomendado a ela por um amigo.

A modelo contou que se impressionou com o currículo de Landecker e que chegou a pesquisar se ele respondia a alguma ação por erro ou negligência médica, mas diz não ter achado nada nesse sentido. Acabou por ser operada em uma rinoplastia em 22 de outubro do ano passado, com um custo total de R$ 57 mil, no hospital São Luiz do Morumbi, na Zona Sul de São Paulo.

Planejada para corrigir intervenções anteriores, essa cirurgia acabou sendo a primeira de três procedimentos com Landecker.

“Fiz a cirurgia no final de outubro, que deixou um buraco aberto no nariz, perto do septo. É estranho porque a maioria dos pacientes tinha esse buraco perto do septo. A ponta do meu nariz sempre estava muito vermelha. Pelas fotos, vejo que já tinha uma infecção ali na época”, afirmou Sarah em entrevista ao Metrópoles.

“Gastei mais de R$ 200 mil até hoje com tudo o que aconteceu”, acrescentou.

Infecções

Depois dessa primeira cirurgia, ela constatou que tinha sofrido uma infecção bacteriana e precisou se submeter a tratamento com injeção de antibióticos. “Um dia falei que estava saindo uma secreção do nariz. Ele alegou que eu estava com infecção. Mandou eu tomar remédios sem fazer exames, sem saber que tipo de bactéria tinha”, afirmou a modelo.

Ela tentou consultas emergenciais com o médico depois que ele mesmo lhe alegou que ela estaria com uma infecção bacteriana de tratamento emergencial, mas foi informada que só teria agenda disponível uma semana depois, quando foi encaminhada para um infectologista.

“Tive de tomar antibiótico na veia durante 70 dias. Emagreci 11 quilos porque não conseguia comer”, contou.

A modelo diz que contratou um serviço de enfermaria domiciliar, pelo qual gastou mais de R$ 30 mil. Também relatou gastos com 35 sessões de oxigenoterapia hiperbárica, para cicatrizar feridas e conter a infecção, que somaram R$ 9,4 mil.

Em março deste ano, ela fez uma segunda cirurgia com Landecker, para supostamente corrigir os problemas originados pela primeira intervenção cirúrgica dele. Por esse novo procedimento, a modelo diz que foram cobrados quase R$ 20 mil.

“Um dia antes da segunda reconstrução, ele pediu para fazer uma live no TikTok comigo. Postei no meu perfil e viralizou. Eu ainda defendia ele e falava que a culpa não era do médico. Ele falava que era um caso raro e que nunca tinha acontecido”, afirmou.

No entanto, menos de um mês depois dessa nova intervenção, ainda havia um buraco aberto no nariz de Sarah. Assim, a modelo foi informada por Landecker que precisaria passar ainda por uma terceira operação. Só essa intervenção cirúrgica não teve honorários médicos cobrados pelo cirurgião.

“Ele falou que se não tampasse esse buraco eu ia perder o nariz”, afirmou.

Boletim de ocorrência

Em maio deste ano, Sarah procurou outro cirurgião, quando ainda estava com um buraco no nariz. Só em 25 de outubro a modelo registrou um boletim de ocorrência no 15º DP (Itaim Bibi) contra o médico, quando a Polícia Civil de São Paulo já investigava outras queixas similares de ex-pacientes.

Sarah conta que ainda precisará passar por uma quarta cirurgia, para tentar melhorar sua capacidade autônoma de respiração – hoje ela usa uma espécie de haste para que consiga manter o nariz aberto de maneira satisfatória.

Ainda trata a infecção bacteriana, com acompanhamento do infectologista David Uip, ex-secretário estadual de Saúde de São Paulo, e contraiu um fungo na região do nariz, supostamente pelo uso excessivo de antibióticos.

“A gente não vê essas coisas na internet. Só vê o que é bonitinho. Por isso estou alertando as pessoas. Eu não desejo o mal dele. Só espero que ele perca o CRM para que não faça mais vítimas e se responsabilize”, afirmou a modelo.



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