Gastroplastia: o que é e quando fazer? – CLMais

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A gastroplastia, ou cirurgia bariátrica, é conhecida por muitos e cada vez mais vem sendo procurada. Não por uma questão estética, mas pelo crescimento no número de pessoas obesas no Brasil. Dados da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica apontam que o número de cirurgias bariátricas realizadas entre os anos de 2012 e 2017 aumentou 46,7%.

Ainda de acordo com o levantamento, foram realizados 105.642 cirurgias no ano de 2017 no país, ou seja,  5,6% a mais do que em 2016, quando 100 mil pessoas fizeram o procedimento no setor privado. Existem os dados do Sistema Único de Saúde, onde o procedimento também é realizado. Pelo SUS, o número de cirurgias bariátricas disparou. Entre os anos de 2008 e 2017, o crescimento foi de 215%, ou seja, um acréscimo de 13,5% ao ano.

O aumento desses números se deve, principalmente, ao índice de obesidade no País. No Brasil, O Mapa da Obesidade aponta que mais de 50% da população está acima do peso, ou seja, na faixa de sobrepeso e obesidade. Em Santa Catarina, por exemplo, mais de 55% da população tem excesso de peso.

Mas não é qualquer pessoa que pode fazer o procedimento. Estar atento aos requisitos, aos processos pré e pós-operatório é essencial antes mesmo de se dirigir a uma consulta com algum especialista. De acordo com a médica de família e comunidade, Janyele Sales, existem indicações e contraindicações para a cirurgia.

Ela explica, via Médico Responde, que a cirurgia de redução de estômago é indicada sobretudo em duas situações: pacientes com Índice de Massa Corporal (IMC) acima de 35 Kg/m² e 40 Kg/m², além de apresentar outros tipos de complicações decorrentes do excesso de peso. Cada caso precisa de uma avaliação clínico-laboratorial individualizada, além de uma avaliação psicológica.

Desde que haja indicação cirúrgica e seja feita uma avaliação clínica rigorosa, a cirurgia de redução de estômago pode ser feita, praticamente, em qualquer idade, desde a adolescência à terceira idade.

Contra indicações

Contudo, a cirurgia bariátrica pode ser contra indicada, principalmente, em casos de instabilidade psicológica grave, presença de transtornos alimentares, como bulimia ou anorexia, devem ser tratados antes da operação. Para pessoas com depressão, alcoolismo, uso de drogas o procedimento também não é recomendado.

Gestantes e pacientes que apresentam hérnia de hiato volumosa, varizes esofágicas, doenças imunológicas ou inflamatórias do aparelho digestivo superior, que possam aumentar a predisposição a sangramentos ou outras condições de risco; doença cardiopulmonar grave e descompensadora; e pacientes com alergia a algum dos componentes do sistema.

A cirurgia de redução de estômago é um procedimento complexo e que apresenta risco de complicações, sendo fundamental a mudança dos hábitos alimentares do paciente. Orientações técnicas, acompanhamento psicológico e o apoio da família também são indicados.

O que você precisa saber sobre este procedimento

  • Gastroplastia, também chamada de cirurgia bariátrica, cirurgia da obesidade ou ainda de cirurgia de redução do estômago é uma plástica no estômago. O objetivo é reduzir o peso de pessoas com o IMC muito elevado.
  • Existem três tipos básicos de cirurgias bariátricas: restritivas, mistas e disabsortivas. As cirurgias que apenas diminuem o tamanho do estômago são chamadas do tipo restritivo (Banda Gástrica Ajustável, Gastroplastia Vertical com Bandagem ou Cirurgia de Mason e a Gastroplastia Vertical em “Sleeve”). A perda de peso se faz pela redução da ingestão de alimentos. Existem, também, as cirurgias mistas, nas quais há a redução do tamanho do estômago e um desvio do trânsito intestinal. Há, além da redução da ingestão, a diminuição da absorção dos alimentos. As cirurgias mistas podem ser predominantemente restritivas (derivação Gástrica com e sem anel) e predominantemente disabsortivas (derivações biliopancreáticas).
  • Antes da cirurgia, todo paciente precisa ser avaliado individualmente, devendo ser submetido a uma avaliação clínico-laboratorial que inclui – além da aferição da pressão arterial – dosagens da glicemia, lipídios e outras dosagens sanguíneas, avaliação das funções hepática, cardíaca e pulmonar. A endoscopia digestiva e a ecografia abdominal são importantes procedimentos pré-operatórios. A avaliação psicológica faz parte dos procedimentos pré-operatórios obrigatórios. Pacientes com doença psiquiátrica grave devem ser tratados antes da cirurgia.
  • Na maioria dos pacientes, a cirurgia, além de levar a uma perda de peso grande, traz benefícios no tratamento de todas as outras doenças relacionadas à obesidade. É possível uma melhora importante ou mesmo remissão do diabetes, do controle da pressão arterial, dos lipídeos sanguíneos, dos níveis de ácido úrico e alívio das dores articulares.
  • Do ponto de vista nutricional, os pacientes deverão ser acompanhados pelo resto da vida, com o objetivo de receber orientações específicas para uma dieta qualitativamente adequada. Quanto mais disabsortiva a cirurgia, maior a chance de complicações nutricionais, como anemias por deficiência de ferro, de vitaminas, cálcio e até mesmo desnutrição nas cirurgias mais radicais. Reposições são feitas após a cirurgia e mantidas por tempo indeterminado. A diarreia pode ser uma complicação nas cirurgias mistas, principalmente na derivação bileopancreática.
  • A adesão ao tratamento deverá ser avaliada, pois alguns pacientes podem recorrer a preparações de alta densidade calórica e de baixa qualidade nutricional que, além de provocarem hipoglicemia e fenômenos vasomotores (sudorese, taquicardia, sensação de mal-estar), colocam em risco o sucesso da intervenção em longo prazo, reduzindo a chance do indivíduo perder peso.
  • A cirurgia é um procedimento complexo e apresenta risco de complicações. A intervenção impõe uma mudança fundamental nos hábitos alimentares dos indivíduos. Portanto, é primordial que o paciente conheça muito bem o procedimento cirúrgico e quais os riscos e benefícios.
  • Em pacientes que apresentaram uma perda de peso muito grande, uma cirurgia plástica para retirada do excesso de pele é necessária. A mesma poderá ser feita quando a perda de peso estiver totalmente estabilizada, ou seja, depois de aproximadamente dois anos. 
  • Mulheres devem aguardar pelo menos de 15 a 18 meses para engravidar após a cirurgia. A grande perda de peso logo após o procedimento pode prejudicar o crescimento do feto.

Fonte: Sociedade Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica

Atenção: O tratamento da obesidade não tem como única solução a cirurgia bariátrica. Procure um especialista e converse sobre o assunto.



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