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  • O procedimento transforma a região dos seios em peitoral
  • Para realizar a cirurgia, é necessário passar por avaliação psicológica
  • Preços podem variar de acordo com exames, médicos e hospital escolhidos

Aos 30 anos de idade, o jornalista Caetano Vasconcelos olhou para o espelho e percebeu que não precisava mais comprar roupas largas ou curvar os ombros para esconder os seios. Assim como alguns outros homens trans, pessoas transmasculinas e pessoas não binárias, tinha o sonho de ir à praia e caminhar pela areia sem camisa.

“Nos últimos 10 anos foi um problema para mim ter seios. Não digo que era uma disforia, apesar de preferir que eles nunca tivessem nascido. Nunca odiei, também nunca amei essa parte do meu corpo”, conta Caetano.

A solução para o incômodo veio em forma de cirurgia. Através da mastectomia masculinizadora, o rapaz redesenhou a região do peitoral utilizando uma técnica de incisão horizontal conhecida como “sorriso”.

O procedimento consiste na retirada das mamas, glândulas, gordura e pele, seguida da reconstrução da área, desenhando o tórax masculino.

Para fazer a cirurgia, é necessário estar há um ano em processo de transição, além de ter sido avaliado por um profissional especialista na área, como psicólogos ou psiquiatras.

O percurso e valores do procedimento

Com os exames em dia e o laudo médico na mão, homens trans, pessoas transmasculinas e pessoas não binárias que desejam realizar a mastectomia podem começar a planejar a cirurgia.

Por lei, o Processo Transexualizador é coberto pelo Sistema Único de Saúde (SUS), como propõe o Artigo 2 da Portaria nº 2.803 do Ministério da Saúde, que prevê “integralidade da atenção a transexuais e travestis”.

No entanto, para driblar a longa fila de espera do sistema público, alguns rapazes recorrem a cirurgiões particulares e planos de saúde.

“Os planos de saúde, pelas normas da ANS (Agência Nacional de Saúde), possuem cobertura para o procedimento chamado Mastectomia Simples, que é uma cirurgia realizada para pacientes com câncer ou com risco de câncer. Na cobertura, não existe um procedimento denominado Mastectomia Masculinizadora”, explica Daniela Cornélio, médica mastologista especializada em cirurgias para homens trans.

Segundo a cirurgiã, que já realizou mais de 200 procedimentos como esse, para fazer a operação pelo plano de saúde é utilizado o código de Mastectomia Simples e o paciente paga a parte da reconstrução do tórax, uma vez que as operadoras entendem a operação como procedimento estético.

Todo o custo da cirurgia pode variar de acordo com o hospital, equipe médica e medicações escolhidas. De acordo com Daniela, a média de gastos em São Paulo é de R$ 15 mil. Com exames e cuidados relacionados ao pós-operatório, o valor pode ser ainda maior.

Para realizar a operação, Caetano desembolsou mais de R$ 10 mil. Os gastos com exames e hospitalização foram cobertos pelo plano de saúde. Ele estima que teria pagado R$ 26 mil caso não tivesse o benefício custeado pela empresa em que trabalha.

Como o jornalista não queria esperar até conseguir guardar o valor necessário, seguiu a dica de uma amiga e criou uma vaquinha virtual. Em poucos meses, conseguiu arrecadar o valor necessário e realizou a intervenção.

“A importância de realizar essa cirurgia é para que possamos nos sentir bem consigo mesmo. Não é para corrigir algum erro em nossos corpos e não é porque a cisgeneridade acredita que homens não podem ter peitos”, explica. “Só quero ter a liberdade de ser quem eu sou da forma como eu escolhi ser”.

Br.finanças



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