Mãe de bebê morto com mordidas se diz ‘insatisfeita’ com julgamento do ex | Santos e Região

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    Esta é a primeira vez que Giulia de Andrade Candido fala publicamente sobre a repercussão do crime e sobre o ex-companheiro após a conclusão do inquérito policial. Na época em que seu filho foi encontrado morto, ela foi perseguida pela comunidade que a apontava como cúmplice, e chegou até a ser sequestrada por uma facção criminosa e resgatada pela Polícia Militar do ‘tribunal do crime’.

    “Não estou satisfeita. Ele foi condenado por lesão corporal. [O julgamento] foi um dia inteiro de agonia. A gente só queria justiça, mas só vimos o inverso disso”, desabafou a mãe.

    Ao g1 neste domingo (7), prestes a voltar a morar com a família dela no interior paulista, Giulia disse que apesar de conhecer Ronaldo desde a época da adolescência, se surpreendeu com as atitudes do ex-companheiro e a maneira como ele lidou com a morte do enteado. “Uma pessoa muito fria e calculista”, disse.

    Anthony Daniel de Andrade Moraes, de um ano e três meses, morreu após socos e mordidas — Foto: g1 Santos

    “Quando cheguei [em casa], ele fez como se estivesse surpreso pela morte do meu filho”, contou. “Nunca lidei com alguém dessa forma. Ele pegou o bebê do meu colo e fez respiração boca a boca, mesmo sabendo que ele estava sem vida há horas, conforme apontou o laudo”, relata.

    O ex-casal estava junto há alguns meses antes do crime, mas os dois se conheciam desde muito novos. Segundo Giulia, Ronaldo não aparentava agressividade com as crianças na frente dela.

    Irmão presenciou agressão

    Ao longo do último ano, o filho mais velho de Giulia, de 7 anos, que também vivia com o ex-casal e o bebê, contou à avó que apanhava do padrasto, geralmente na região da cabeça, para que não ficasse marcado, segundo o menino disse à família.

    Um áudio de oito minutos utilizado pela Promotoria de Justiça durante o Tribunal do Júri mostra uma conversa que o irmão de Anthony teve com a avó materna. Na gravação, ele conta sobre o suposto episódio das agressões no bebê, pouco antes de Giulia chegar em casa do trabalho e encontrar o filho morto.

    “O Juninho bateu no Anthony. Ele tinha batido nele, quando ele quase ‘tava’ dormindo, mordeu ele. Ele chorou um pouquinho e depois fez ‘nana neném'”, disse a criança no áudio. Em seguida, a avó pergunta para o menino se foi Junior quem cantou a música para o Anthony após o bebê ser agredido. O menino confirmou. “Ele dormiu e morreu”, concluiu a criança.

    O irmão mais velho de Anthony relata, ainda, que a mãe chegou e tentou acordar o filho. “A mamãe disse ‘morreu, morreu, morreu’. Aí a mamãe tá chorando, por causa do Juninho”.

    O crime aconteceu em janeiro do ano passado. Anthony Daniel de Andrade Moraes, de 1 ano e 3 meses, foi levado pela mãe e pelo padrasto já morto para um pronto-socorro da cidade. No atendimento, a equipe médica constatou diversas fraturas, mordidas no rosto e hematomas espalhados pelo corpo do bebê e acionou a Polícia.

    Ronaldo foi julgado por homicídio duplamente qualificado, por meio cruel e recurso que impediu a defesa da vítima, mas foi condenado pelo crime de lesão corporal seguida de morte, e deverá cumprir a pena de 11 anos de prisão em regime inicial fechado. A defesa dele alegou que a pena “foi alta e injusta” e que irá recorrer da decisão.

    Anthony Daniel de Andrade Moraes, de um ano e três meses, morreu com sinais de espancamento — Foto: Arquivo Pessoal

    Por outro lado, a ex-companheira dele e mãe do pequeno Anthony, diz que “não se sente satisfeita” e garante que irá lutar para que ele seja condenado por homicídio. “É pouco demais. [A defesa] queria que um assassino cruel saísse pela porta da frente”, desabafou.

    A mordida ele alegou aos jurados que teria sido uma brincadeira. Além disso, a defesa sustentou a tese de acidente. Ele alegou que a criança, dois dias antes da morte, caiu de uma escada ‘caracol’ na casa onde morava a família.

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