Marília Mendonça abriu portas para outras mulheres na música e criou um movimento chamado ‘feminejo’ | Jornal Nacional

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    A chegada de Marília Mendonça ao mundo sertanejo mexeu com um ambiente historicamente dominado pelos homens. Ela escrevia e cantava os sentimentos femininos. E influenciou toda uma geração de mulheres.

    A voz de potência grandiosa tinha o tom certo para dar o recado.

    Marília Mendonça cantou as dores e as delícias de ser mulher. Musicou sentimentos, angústias e rejeição.

    “Uma voz tão significativa, uma compositora, uma mulher que conta as suas próprias histórias, protagonista de suas próprias histórias. Ela trouxe isso de uma forma muito importante para todas as vozes femininas”, afirma a cantora Pitty.

    Marília Mendonça começou a compor muito cedo. Primeiro, as letras eram cantadas por artistas homens. Mas ela queria quebrar paradigmas. Enfrentar o machismo. Dar voz e empoderar mulheres. E assim, nasceu o movimento batizado de “feminejo”.

    “Ela era gravada por homens, mas queria cantar as próprias músicas. E ela insistiu nisso, conseguiu, e o quando o primeiro sucesso dela estourou, ela acabou trazendo junto também outras mulheres da geração dela. O sucesso da Marília ajudou a impulsionar essa geração inteira do feminejo”, explica a jornalista e pesquisadora musical Kamille Viola.

    Marília Mendonça teve o reconhecimento de outras mulheres que também ultrapassaram barreiras.

    “Uma mulher que lutava com o eu, como tantas de nós pelo espaço e respeito que a mulher merece. Ela fez isso no sertanejo, segmento tão masculino, e deixa um grande legado”, avalia Elza Soares.

    Cada conquista dessas, cada mulher dessas que abre caminho para as outras, tem que ser lembrada por isso também. Então, o legado que ela nos deixa, além das belas canções que ela começou a fazer e foi crescendo diante dos nossos olhos, foi amadurecendo o trabalho dela de composição, acho que um legado muito importante é o legado diante da vida e sobretudo o engajamento e a coragem”, disse Adriana Calcanhoto.

    As letras das músicas enaltecem a cumplicidade feminina.

    A menina de apenas 26 anos, que tinha tanto a dizer, encontrou uma multidão de fãs querendo ouvir.

    “Essa simplicidade dela, o carisma, o carinho com que ela falava com as pessoas. Essa identidade de falar diretamente para as mulheres mais simples também. Eu acho de uma genialidade que é difícil de encontrar”, disse a cantora Vanessa da Mata.

    “A Marília Mendonça chega entrando nesse espaço, mas cantando em primeira pessoa. Cantando a própria experiência, que é uma coisa que poucas mulheres fizeram. Quando ela se expõe, coloca essa voz ativa, essa história que ela vivia em cada canção, ela permite que a gente se sinta a vontade para falar também da nossa história”, diz a jornalista e biógrafa Chris Fuscaldo.

    Marília Mendonça ganhou o título de “rainha da sofrência” graças à música que escancarou o que tanta mulher já disse. Ou gostaria de ter dito.

    “Ela acaba estimulando, por exemplo, a sororidade entre mulheres, o acolhimento diante de um cenário que a gente entende no Brasil bastante machista ainda, misógino”, disse a cantora Ana Cañas.

    “Uma mulher cantora, compositora, mãe, que criou tantas canções para libertar tantas mulheres, para fazer a gente entender que a gente pode ser tudo o que a gente quiser”, afirmou a também cantora Gaby Amarantos.

    O último álbum, “Patroas”, lançado em setembro, foi uma parceira com as amigas Maiara e Maraísa. As três estiveram no Fantástico um mês atrás e falaram sobre as dificuldades que enfrentaram por serem mulheres.

    O trabalho está concorrendo ao Grammy Latino de melhor álbum de música sertaneja. É o único concorrente em que as cantoras são mulheres.

    “Sempre que eu vou conversar com alguma mulher que eu vejo que está fraca ou se sentindo mal, com autoestima baixa ou um sonho que alguém julgou que ela não ia conseguir, eu mostro a minha vida. E como foi bom que eu resistisse, sabe?”, disse Marília em participação no programa Encontro com Fátima Bernardes.

    A voz de Marília Mendonça se calou cedo demais. Mas a mensagem está viva. As canções serão, para sempre, inspiração e força.



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