Médico é investigado por suspeita de abuso sexual de mais de 50 mulheres – Revista Marie Claire

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Polícia Civil do RS cumpre mandatos de busca em propriedades no nome de Klaus Wietzke Brodbeck (Foto: Divulgação PCRS)

O cirurgião plástico Klaus Wietzke Brodbeck é investigado no Rio Grande do Sul por mais de 50 denúncias de casos de assédio e importunação sexual, incluindo um caso de estupro. Com uma clínica em área nobre em Porto Alegre, o médico é acusado de oferecer procedimentos estéticos gratuitos em troca de sexo e toques inapropriados no corpo das pacientes, além de erros médicos, que podem gerar um desdobramento da investigação desencadeada pela 1ª Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher de Porto Alegre.

Segundo reportagem da Folha de S. Paulo, a investigação foi iniciada há cerca de seis meses, com base em denúncias que configuram crimes contra a dignidade sexual. Doze das vítimas haviam procurado a polícia anteriormente, mas acabaram abandonando o processo. Klaus conta com mais de 90 mil seguidores em seu perfil no Instagram e tem fotos ao lado de celebridades, como Deolane Bezerra, viúva de MC Kevin.

Na última terça-feira (13), dois mandatos de busca foram cumpridos em propriedades listadas no nome do cirurgião no RS. Após a investigação se tornar pública, mais de 40 mulheres procuraram a delegacia em 2 dias para registrar denúncias contra o médico. Até quinta-feira (15), mais de 20 vítimas foram ouvidas. A delegada titular Jeiselaure Rocha de Souza afirmou que o caso mais antigo até o momento teria acontecido em 2001. O mais recente seria deste ano.

“Durante a consulta, ele acaba ultrapassando o limite da boa conduta entre médico e paciente, porque sabemos que é natural que precise tirar a roupa para fazer medições, mas ele ultrapassa. Os toques são lascivos, ele acaba proferindo cantadas, dizendo que, se elas tiverem relações com ele, ele pode fazer outros procedimentos como bônus”, declara a delegada.

Um dos casos acompanhados pela investigação seria um estupro de vulnerável. A paciente foi sedada para uma cirurgia. “Ela foi sedada, ele teria conversado com ela um pouco antes. Quando ela acordou, percebeu que estava sem a calcinha, aquela que o hospital dá, e percebeu uma secreção diferente quando foi ao banheiro. Foi encaminhado para o exame de verificação sexual que foi positivo, inclusive, para a presença de sêmen”, afirma Jeiselaure.

Aparelhos eletrônicos foram apreendidos nas buscas para apurar denúncias de uma ex-funcionária. Ela relata que o cirurgião andava nu pelo consultório e que ouviu, em mais de uma ocasião, relações sexuais entre ele e as pacientes, além de pedidos para que a funcionária comprasse preservativos e o filmasse. A maioria das vítimas ainda relata que o médico sugeria preenchimento labial para as pacientes e colocava os dedos dentro da boca delas, fazendo movimentos que simulavam sexo oral.

Sabrina Ferreira, empresária e influencer de 27 anos, criou um grupo no WhatsApp para reunir clientes do médico que tivessem sofrido assédio ou abuso sexual durante as consultas ou durante os procedimentos. Atualmente, ela conta que o grupo possui 45 participantes. Por vergonha e confusão por conta da reputação do médico, Sabrina só relatou o assédio recentemente.

“Ele começou a apalpar meu bumbum, falar ‘você é tão linda, estou me apaixonando por você’, um monte de coisas desse tipo. Pediu para eu virar de frente, começou a passar a mão nos meus seios, me assediar, porque não era toque de médico. Passou a mão no biquinho do meu seio, eu fiquei em choque. Não tive reação porque, enquanto ele estava fazendo isso, fiquei pensando em tudo o que eu tinha visto dele. Aquela imagem que eu tinha criado de um médico sensacional, um médico bom, eu estava em choque. Ele me virou, começou a passar a mão na minha bunda de novo, começou a beijar a minha bunda”, lembra.

Segundo a delegada, uma investigação paralela sobre erros médicos pode ser desdobrada a partir do caso. Uma mulher de 26 anos, uma das vítimas ouvidas na investigação, conta que um caroço levantou em sua pele após uma bioplastia nos glúteos realizada pelo médico em uma clínica em São Paulo no fim de 2020.

“No dia do procedimento, o médico passou a mão várias vezes nas minhas coxas, perguntando quanto tempo eu treinava, se tomava anabolizante e ‘mostrando’ para as secretárias. Após a aplicação, ele perguntou se eu tinha prótese de silicone. Eu falei que sim, e ele pediu pra levantar a blusa pra ver se estava tudo certo, colocou a mão e ficou apertando”, lembra.

Em 2008, Klaus já havia recebido pena disciplinar de censura pública em processos administrativos no Conselho Regional de Medicina do Rio Grande do Sul, de acordo com a entidade. Eduardo Neubarth Trindade, vice-presidente, afirma que o médico pode ser cassado definitivamente e proibido de trabalhar em todo o território nacional caso as acusações sejam comprovadas.



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