Médico indiciado por homicídio de jovem após cirurgias plásticas em BH adotou procedimento que aumentou risco em 403% | Minas Gerais

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O médico Joshemar Fernandes Heringer, indiciado por homicídio doloso de Edisa Soloni, de 20 anos, adotou um procedimento cirúrgico que aumentou em 403% o risco de tromboembolismo pulmonar, de acordo com o delegado Rodrigo Damiano, da Polícia Civil.

A jovem morreu em setembro de 2020 após se submeter a três cirurgias plásticas na Clínica Belíssima, na Savassi, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte.

“Este procedimento cirúrgico que ele adotou é proibido, condenado pelas sociedades de cirurgia plástica. Não se trata de uma mera imperícia, mas, sim, de crime doloso, porque o médico assumiu riscos totalmente desnecessários e, desta forma, ele poderia prever o resultado e assumir o risco de produzi-lo”, afirmou o delegado Damiano.

Edisa pagou em torno de R$ 11 mil para realizar os procedimentos. Parentes contaram que ela queria fazer apenas uma redução no abdômen, mas teria sido convencida pelo médico a fazer outras duas cirurgias.

De acordo com as investigações da polícia, não havia médico na clínica quando a jovem começou a passar mal. As apurações ainda apontaram ausência de instalações adequadas para a prestação de suporte à vida e demora na transferência da vítima para o hospital.

Além disso, indicaram que o médico Joshemar não é especialista em cirurgia plástica e que alguns procedimentos não fazem parte de sua formação básica e requerem treinamento específico.

Polícia Civil indicia médico por homicídio doloso depois de morte de paciente

A reportagem da TV Globo conversou com outra paciente que fez um procedimento estético na Clínica Belíssima e precisou ser internada após complicações. Ela acompanhou a irmã em uma consulta, e Joshemar passou a sugerir alguns procedimentos cirúrgicos.

“Ele falou que a mama estava caída, que eu era baixinha e estava sem cintura e que essa técnica iria arrumar meu corpo. Uma lipoescultura mesmo, né, que seria levantar a mama, a lipo e fazer ingestão no glúteo”, contou a mulher, que pediu para não ser identificada.

Ela fez exames para a cirurgia e um deles apontou infecção urinária. Mesmo assim, o médico marcou o procedimento e, após a cirurgia, a paciente começou a passar mal.

“Eu procurei a clínica para fazer os retornos, só que, quando eu cheguei, achei que fosse ser atendida por ele, só que não, quem veio me atender foi uma enfermeira. Todas as vezes que eu ia, ele não me atendia. Era sempre essa enfermeira, assistência dele eu não tive nenhuma”, disse.

No caso de Edisa, conversas no WhatsApp mostram que uma funcionária recomendou que a jovem tomasse medicamentos para melhorar o resultado dos exames antes das cirurgias.

O advogado Lucas Monnerat, que acompanha um dos processos do médico na Justiça, afirma que a defesa de Joshemar tenta evitar que os casos voltem a vir a publico.

“Eles pedem a decretação do sigilo e, com a decretação do sigilo, infelizmente, as pessoas acabam não tendo acesso a esses outros processos em andamento e isso inviabiliza que pessoas que procuram essas clínicas, esses profissionais, saibam os prejuízos que eles causaram a outros pacientes anteriores”, pontua o advogado.

Arlete de Jesus Mota, mãe de Edisa — Foto: Reprodução TV Globo

A família de Edisa espera que o médico seja punido.

“O tanto que eu estou sofrendo sem minha filha, e ele trabalhando normalmente. Ele tirou um pedaço de mim”, disse a mãe da jovem, Arlete de Jesus Mota.

O inquérito da Polícia Civil foi encaminhado para o Ministério Público, responsável por denunciar ou não o médico.

Em nota, a Clínica Belíssima afirmou que “possui todos os alvarás para funcionamento como Hospital Dia, bem como todos os equipamentos e equipe treinada para os procedimentos cirúrgicos. Esclarece também que a paciente Edisa de Jesus Soloni, ao ser constatada a intercorrência, foi imediatamente levada ao hospital geral, onde chegou lúcida e com oxigenação de 98%”.

Disse, ainda, que o médico Joshemar Heringer “tem os devidos certificados de residência em cirurgia geral e cirurgia plástica” e que “não existe nenhuma denúncia criminal de suposta outra vítima”.

Já Joshemar Fernandes Heringer declarou, em nota, que a conclusão do inquérito não levou em conta o laudo do IML que “atesta, sem sombra de dúvidas, que o óbito da paciente Edisa de Jesus Soloni se deu em função de uma embolia pulmonar biodinâmica ( intercorrência grave imprevisível e inevitável que independe do correto atuar médico). Ressalte-se que esse tipo de fatalidade não é detectável em exames pré-operatórios, ou ainda nos cuidados pós-cirúrgicos”.

Ele falou ainda que “aguarda com serenidade a eventual citação, quando poderá exercer o seu direito de defesa, confiante que sua inocência será provada pela Justiça”.

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