Mesmo com reajuste de ganhos nas corridas, motoristas por aplicativo não têm expectativa de melhora | Santos e Região

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    Lima & Santana Propaganda, sua agência de publicidade e propaganda em Santos

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    Por um lado, as empresas de transportes anunciaram a alta nos valores repassados aos motoristas sem afetar o valor pago pelo passageiro (leia sobre mais abaixo). No entanto, por outro, o preço por litro da gasolina beira os R$ 7 em várias cidades do país, se transformando num dos vilões da inflação deste ano.

    “Meus colegas disseram que não estão sentindo diferença [nos repasses]. Enquanto está nesse valor de combustível, não dá para voltar a fazer corridas. Assim não faço de jeito nenhum”, diz o motorista Tiago Justino.

    No fim de agosto, duas cidades da Baixada Santista, no litoral de São Paulo, registravam o valor médio mais caro de gasolina comum em todo o estado, segundo a Agência Nacional de Petróleo (ANP). Em Itanhaém e Cubatão, a média ultrapassou os R$ 6.

    Em julho, a Associação dos Motoristas de Aplicativos de São Paulo (Amasp) disse que, entre efeitos da pandemia e, agora, da alta de combustíveis, cerca de 25% da frota paulistana de motoristas desistiu de trabalhar no segmento.

    Um desses motoristas foi o controlador de acesso Tiago Guedes Justino, de 33 anos. Ele, que trabalhava pela 99 há três anos para complementar a renda, se viu “trocando figurinhas” ao trabalhar por Guarujá e Santos. “O valor defasado das corridas não compensava mais, eu estava pagando para trabalhar“, conta.

    Ele diz que, nas últimas semanas antes de decidir não pegar mais corridas, já havia diminuído a frequência e passado a escolher entre os melhores valores. “Comecei a diminuir a frequência de trabalho, estava saindo só em final de semana e feriado, quando as corridas compensavam”.

    Diego Leonardi, de 37 anos, mora em Praia Grande, mas contou que é na capital paulista que consegue corridas melhores. “A tarifa no litoral sul é muito baixa”, explica. Ele diz que o reajuste do valor repassado ao motorista não é o suficiente. “Não é nada perto dos gastos que temos”, diz.

    Motoristas por aplicativo repensam estratégias para continuar faturando dentro da plataforma — Foto: Divulgação

    “Com o aumento da gasolina, não está dando para se manter”, diz. Apesar de trabalhar pela Uber há cinco anos, Leonardi se prepara para mudar de ramo. “A partir do ano que vem, se não tiver um reajuste bacana, vou procurar outras formas de ganhar dinheiro”.

    O motorista Pedro Paulo Santos, de 29 anos, também vive apenas com a renda obtida pelas viagens por aplicativo e diz que, para conseguir se manter, tem acordado às 4h todos os dias e ido às regiões periféricas de São Vicente, Cubatão e Santos. “Precisei migrar para os locais onde os motoristas costumam não ir”, diz.

    Para ele, “qualquer ajuda é bem-vinda”. “Não estou muito confiante, deve aumentar um pouquinho nosso ganho, mas só vamos saber quando fizermos as contas“, diz.

    O que faz os preços da gasolina e diesel subirem?

    A alta nos valores foi anunciada na sexta (10). Na região metropolitana de São Paulo, a Uber disse que o ganho das viagens para os motoristas com a modalidade UberX – a mais popular – foi reajustado em até 35%.

    A 99 informou que o valor repassado para os motoristas vai aumentar entre 10% e 25% em mais de 20 regiões metropolitanas, incluindo cidades como São Paulo, Belo Horizonte, Florianópolis, Brasília, Goiânia, Fortaleza, Salvador, São Luís, João Pessoa e Maceió.

    Ambas as empresas anunciaram que irão subsidiar o aumento do repasse aos motoristas, sem afetar o valor pago pelo passageiro. No entanto, não esclareceram como o subsídio será feito.

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