Mulher trans tenta próteses nos seios pelo SUS e conta que já aplicou silicone por conta própria: ‘Você não pensa no risco’ | Profissão Repórter

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Beatriz Moraes foi ao Centro de Referência e Treinamento (CRT), que atende pacientes DSTs/AIDS e transexuais e travestis em São Paulo, na busca do implante de silicone pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Mesmo sendo um direito garantido desde a portaria 2.803 de 2013, ela recebeu a notícia de que nenhum hospital cadastrado na saúde pública em São Paulo tem feito o procedimento.

A portaria ministerial nº 2.803, de 19 de novembro de 2013, garante o procedimento cirúrgico de mamoplastia masculinizadora e implante de prótese mamária em pessoas trans.

“Vim procurar o SUS por realização do sonho em primeiro lugar. Em segundo lugar a saúde, porque não adianta nada a gente fazer as coisas por conta própria” conta ela, que trabalha na noite como acompanhante.

Beatriz Moraes procurou o Sistema Público de Saúde para realizar o sonho de colocar implante de silicone nos seios — Foto: Profissão Repórter

E esta não é a primeira vez que Beatriz tenta colocar as próteses de silicone nos seios. Mas, as tentativas anteriores foram por conta própria.

“Eu já tentei três vezes e não deu certo. Tenho silicone industrial, que não deu resultado. Acho que meu corpo absorveu. A segunda vez deu resultado, mas eu fiz em casa. A vontade de você modificar seu corpo é tão grande que você não pensa no risco”, desabafa.

Beatriz conta que já procurou clínica clandestina e que também já aplicou silicone industrial por conta própria — Foto: Profissão Repórter

Cirurgias eletivas reduzidas

Segundo Ricardo Martins, diretor do ambulatório do CRT, a falta de disponibilização dos implantes às pacientes provoca que as mulheres trans enfrentem problemas com a aplicação de silicone industrial por conta própria.

“O implante de prótese mamária está previsto na portaria ministerial 2.803. Mas a gente está lutando para conseguir quem é que possa fazer. A falta desse implante mamário é que provoca, muitas das vezes, que as pessoas transfemininas façam injeção de silicone industrial líquido. O que causa muitos problemas”, diz Ricardo.

“A gente está esperando um dos hospitais que trabalham com a gente dar essa resposta se a gente vai conseguir avançar isso dentro do estado de São Paulo”, completa.

Questionado pelo Profissão Repórter, o Ministério da Saúde disse, em nota, que essas cirurgias são eletivas e que foram reduzidas em razão da pandemia.

Assista à reportagem completa abaixo:

Pessoas trans procuram por tratamentos médicos na rede pública



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