Música: Quando cantar é dar saúde aos profissionais do Hospital Dona Estefânia (c/vídeo e fotos)

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Médicos procuram, com a música, combater «stress» e «burnout» no Coro «Notas de Alta», criado em 2019

Foto Agência ECCLESIA/LS

Lisboa, 10 jul 2021 (Ecclesia) – O Coro ‘Notas de Alta’, no Hospital Dona Estefânia, em Lisboa, junta profissionais da saúde num projeto musical que ajuda a “combater o stress e o burnout” e melhora relações de trabalho, “com benefícios também para os doentes”.

“Se nós cantamos juntos não andamos à guerra uns com os outros. Nós não falamos dos doentes quando ensaiamos nem do nosso trabalho, mas é muito mais fácil falar de um paciente ou pedir algo a uma pessoa com quem eu canto, e com quem estabeleço uma relação de proximidade, do que com quem não conheço. Quebram-se muros e criam-se pontes de comunicação e de amizade que, em última análise, são ótimas para os nossos doentes”, explica à Agência ECCLESIA Sílvia Afonso, médica pediatra, coordenadora da Unidade do Desenvolvimento no Hospital Dona Estefânia e ideóloga do projeto musical.

Cerca de 1300 profissionais de saúde procuram diariamente responder aos desafios que o Hospital pediátrico, localizado no centro da capital, recebe, em diagnósticos articulados entre diferentes especialidades.

A médica pediatra, Leonor Sassetti, dedicada no Hospital Dona Estefânia aos adolescentes, explica que a pressão, com a pandemia, aumentou muito.

“Temos tido uma pressão muito grande. Todos os miúdos que já estavam doentes ficaram piores e entretanto apareceram muitas situações novas: No comportamento alimentar, a anorexia nervosa, foi absolutamente explosiva e isto é um bocadinho o que tem acontecido em todo o mundo. Muitas situações novas e os recursos, exatamente os mesmos”, relata.

A pressão surge como contexto mas, defende a pediatra há 16 anos no Hospital Dona Estefânia, que os profissionais de saúde devem encontrar “outros interesses” para serem melhores na sua profissão.

Há uma expressão que diz “quem só sabe de medicina, nem de medicina sabe”… Não é só para nós mas também para os nossos doentes: É muito importante que conheçamos outros lados da vida e coloquemos isso em prática. Cada profissional tem de ser capaz de perceber que tem de encontrar outros momentos na sua vida, na sua semana, em que está mais descontraído, em que encontra energia para tudo o resto, que muitas vezes não corre tão fácil. É por isso que surgiu o coro”.

Margarida España, responsável pela Unidade de Cirurgia Plástica e Queimados no Hospital Dona Estefânia, elogia o projeto musical que ajuda a “cortar a rotina” e afirma ser esta a melhor forma de terminar a semana de trabalho.

“A música faz sair de nós – falo por mim – o que temos de melhor. No fundo é um momento de relaxe, mas não deixa de ser um momento de trabalho porque nos divertimos muito, passamos um momento fantástico mas levamos a coisa a sério: Não somos um coro fantástico, mas temos o nosso brio”, graceja.

Daniel Oliveira é o maestro responsável pelos ensaios, que decorrem à hora de almoço de cada sexta-feira, na sala de conferências Lídia Gama, e recorda como a sua mulher, também médica pediatra no Hospital, lhe falou do projeto.

“Houve uma proposta muito informal, ainda sem se saber qual o destino do grupo. A conversa foi feita em casa com a minha esposa, que me perguntou se eu conhecia alguém que gostasse de dirigir o grupo, num projeto mais social, e eu disse que gostava muito. Estava à procura de um projeto para fazer música não apenas como arte mas dialogante com as pessoas no dia-a-dia”, recorda.

Professor no Conservatório de Música de Torres Vedras, formado em órgão, cravo e musicologia, mais ligado às composições antigas e sacras, Daniel Oliveira ajuda a levar música ao Dona Estefânia, desde 2019, a criar “espírito de grupo” e já levou o «Notas de Alta» a atuações fora do Hospital.

“A música é claramente um alimento de alma, dá uma dimensão diferente ao dia a dia e ajuda-nos a valorizar as coisas que não estamos habituados a valorizar. Ajuda a mudar o olhar. A boa música tem sempre este efeito: Um ser humano, ouvindo ou fazendo música, é um ser humano mais rico, mais completo e melhor pessoa”, assinala.

Sílvia Afonso acrescenta que o trabalho num coro “ajuda à generosidade”.

“Estamos ali e somos todos iguais: eu não posso elevar a minha voz, tenho de ouvir cada um que canta ao meu lado e adequar a minha voz a todos os outros. Ninguém sobressai num coro. Isso traz sempre o melhor de nós. É uma aprendizagem que se vai fazendo e que eu acho nos ajuda bastante”, conclui.

A reportagem junto do Coro ‘Notas de Alta’, do Hospital Dona Estefânia, vai ser emitida este domingo no programa 70×7, pelas 17h40, na RTP2, no Programa ECCLESIA, na Antena 1 da rádio pública, às 06h00.

LS

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