O exercício físico é importante para combater a obesidade, mas não é tudo

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@savannasievers

A obesidade e o excesso de peso têm atualmente uma prevalência elevada entre a população ocidental e europeia. Estima-se que cerca de 1 em cada 2 europeus apresenta excesso de peso ou obesidade, o que levanta problemas significativos a nível de saúde pública. O excesso de massa gorda leva ao aparecimento de várias doenças, quer físicas quer psíquicas, como a diabetes mellitus tipo 2, hipertensão arterial, apneia do sono e roncopatia (ressonar intenso), problemas de coluna vertebral, entre outros.

Uma pessoa com índice de massa corporal (IMC – o peso, em kg, dividido pela altura, em metro, ao quadrado) superior a 30 kg/m2 é obesa. Contudo, não é o único critério. O tipo de distribuição da gordura é igualmente importante para o impacto na saúde da pessoa. Por exemplo, o excesso de gordura abdominal é muito mais grave do que o excesso de gordura nas ancas. No entanto, a composição corporal, as percentagens de massa magra, massa gorda e gordura visceral devem também ser tidas em conta. O excesso de peso é considerado a partir de um IMC superior a 25, e já acarreta algum risco para a saúde.

Nas últimas décadas, a humanidade passou de uma vida ativa para uma vida mais sedentária. A energia despendida durante o trabalho diário era muito maior até às décadas de 60 e 70 do século XX. A pandemia da obesidade iniciou-se principalmente a partir da década de 1980, e tem vindo sempre a aumentar.

Mais recentemente, devido aos confinamentos, aumentou a prevalência da obesidade – menor atividade física, mais tempo em casa e com ingestão alimentar/calórica inapropriada, muitas vezes resultante do stress social, familiar e laboral.

Na última década tem havido uma maior procura de ginásios e da prática de atividade física por uma parte da população portuguesa, o que reflete, em parte, uma preocupação relativamente ao problema do excesso de gordura. No entanto, o exercício físico não é alternativo a um cuidado alimentar cuidado. Não é a solução para o problema da obesidade, mas faz parte da solução!

Durante as duas últimas décadas, o tratamento cirúrgico da obesidade tem vindo a crescer exponencialmente. Mas é importante que a pessoa obesa reconheça que a cirurgia bariátrica é uma ajuda para controlar o problema, e tem de estar associada a uma reeducação alimentar e a uma atividade física regular.

As cirurgias bariátricas são o tratamento mais eficaz a médio e longo prazo (5 a 10 anos) da obesidade, desde que sejam entendidas pelo doente como uma ajuda para a necessidade de alteração de estilo de vida. Existem diversas técnicas cirúrgicas que podem ser utilizadas mas que devem ser realizadas por equipas cirúrgicas experientes nestes procedimentos. A título de exemplo, as cirurgias mais realizadas na Unidade Multidisciplinar de Tratamento de Obesidade e Doenças Metabólicas no Hospital CUF Porto são o bypass gástrico em Y de Roux e a gastrectomia vertical/sleeve gástrico. Atualmente, estas cirurgias são realizadas por via laparoscópica, o que permite uma recuperação mais rápida do doente, com retoma da atividade habitual ao final de poucos dias.

No tratamento do doente obeso, e principalmente na recuperação após a cirurgia bariátrica, é muito importante a pessoa manter-se ativa. Habitualmente tem alta hospitalar entre as 12 e as 36 horas após a intervenção cirúrgica e a ida para o domicílio implica que mantenha as suas atividades habituais ligeiras. É importante minimizar a perda de massa muscular, e tal só é conseguido mantendo-se ativo. É encorajada a frequência de ginásio duas vezes por semana a partir da 6ª semana após a cirurgia, com acompanhamento por profissional de exercício físico. Até essa data deve fazer caminhadas de 15 minutos várias vezes por dia, aumentando progressivamente o ritmo de caminhada bem como o tempo e distância.

Em muitos casos, após uma perda de peso eficaz, a pessoa fica com excesso de pele nalgumas partes do corpo como o abdómen, seios, parte interna das coxas, parte interna dos braços, necessitando de uma cirurgia plástica e reconstrutiva. Este é um tratamento multidisciplinar porque implica o acompanhamento da pessoa obesa por várias especialidades – como a cirurgia bariátrica, nutrição, psicologia clínica, medicina interna, endocrinologia, pneumologia, endocrinologia, medicina física e reabilitação, cirurgia plástica e reconstrutiva – para que consiga ter uma boa recuperação do seu estado de saúde e manter o peso adequado.

É importante o doente procurar um centro especializado e diferenciado, com uma equipa multidisciplinar, que englobe diversos tipos de tratamento, implementados de acordo com o índice de massa corporal do doente, permitindo desta forma um acompanhamento individualizado e personalizado às características de cada doente.

Nunca é demais relembrar que o tratamento da obesidade não deve ser adiado! Procure o seu médico!



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