O Fantasma do Locutor do Teatro Municipal de Santos

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No caso do Fantasma da Ópera, uma novela publicada em abril de 1910 por Pierre Lafitte, a história foi inspirada em fatos reais da Ópera de Paris durante o século XIX e um conto apócrifo relativo à utilização de esqueleto de um músico famoso e os relatos das aparições desse músico que assombrava o Teatro Ópera Garnier.

A história teve várias adaptações para teatro e cinema. O espetáculo bateu o recorde de permanência na Broadway, sendo o musical mais visto de todos os tempos, por mais 100 milhões de pessoas. É a produção de entretenimento com mais sucesso que alguma vez existiu, ganhando o mundo e se tornando parte do inconsciente coletivo.

A história e os fatos que vamos abordar nesta crônica falam também de um fantasma que habita um teatro, não com o mesmo glamour, mas com uma grande diferença, esse é assustadoramente real.

O fantasma do locutor no Teatro Municipal de Santos

O teatro da nossa história fica em Santos. Construído com características arrojadas, o Teatro Municipal Brás Cubas foi inaugurado em 1979 dentro do Centro de Cultura Patrícia Galvão (Pagu, como era conhecida a agitadora cultural Patrícia Galvão, foi responsável pela idealização – nós já contamos a história dela aqui).

Em 1993, depois de 14 anos da fundação, acontece a primeira aparição do suposto “Fantasma do locutor”. Vamos chamá-lo assim para preservar sua identidade e evitar qualquer transtorno com seus familiares, afinal temos mais medo de advogados do que de fantasmas.

A primeira aparição aconteceu em uma manhã de inverno, durante a montagem dos cenários de um espetáculo infantil. A funcionária da copa, que chamaremos de Tia Giselda, 60 anos, estava passando pelo palco quando o viu sentado em uma cadeira da plateia, ela conta: “Era uma manhã muito fria. Passei pelo palco pra perguntar se os técnicos gostariam de um café, e notei a presença de um homem magro, calvo, de meia idade, bem vestido, sentado entre os meninos daqui. Achei que ele fosse alguém que trabalhava em outro setor do teatro. Fui para copa e preparei três cafés. Quando os dois técnicos chegaram, perguntei se o senhor que estava com eles não viria, eles riram e disseram que não havia ninguém além deles na plateia. Achei que era uma brincadeira dos meninos, mas depois de um tempo notei que eles estavam falando a verdade. Voltamos os três ao palco e não havia mais ninguém. Fiquei muito assustada no início. Os dias se passaram até que eu o vi novamente sentado na plateia assistindo a uma apresentação de balé. Desta vez, observei bem: ele estava lá, calmo e sereno, assistindo tranquilamente o espetáculo. Com o tempo fui perdendo o medo, mas comecei a fingir que não o via, em respeito ao espírito. E ele sempre estava por lá como se fosse alguém que frequentasse o teatro. Mas, em uma vez que ele apareceu, os meninos se assustaram muito. Era de madrugada, e o contra-regra ‘Renato’ estava orientando a montagem de luz para um concerto que seria realizado pela manhã, quando foi até a coxia buscar algo e escutou o piano tocando no centro do palco, pensou que fosse um dos outros técnicos. Ao se aproximar, se surpreendeu com a qualidade da música e quando olhou não havia ninguém, o piano continuava a tocar. Fugindo, entrou pelo corredor que vai para os camarins e descendo as escadas saiu do teatro aos gritos. Dois técnicos que estavam no urdimento, local que dá acesso as luzes, por ali ficaram escondidos e só saíram quando amanheceu, pois o piano tocou a madrugada inteira.”

Quem era o fantasma, afinal?

A funcionária Tia Giselda só foi descobrir a identidade do suposto fantasma quando, um dia ao entrar no MISS, Museu da Imagem e do Som, viu na parede um quadro com a foto de um homem que era o espírito que aparecia no Teatro. Ela ficou imóvel, pálida, até que a ajudaram a sentar para voltar a si.

O homem do quadro era um respeitado empresário do ramo do café da cidade de Santos, um grande entusiasta das artes e da comunicação. Ela havia fundado uma importante rádio em Santos, em 1925, onde era locutor.

Também atuou com fotografia e cinema, trazendo para o litoral paulista umas das primeiras câmeras de cinema, que naquela época tinham no Brasil e fazia coberturas fotográficas e documentários.

Conta o Jornalista e ex-secretário de Cultura ‘Charles Pontes’: “O ‘Locutor’ foi um pioneiro, um homem muito importante para a cultura e para a comunicação no Brasil. Ajudou muito o teatro amador em Santos, do qual eu fazia parte quando o conheci. Ele idealizou, junto com a Pagú, o Teatro Municipal Brás Cubas. Era realmente um grande homem da cultura”.

Será que ele continua por aqui?

O espiritismo explica a condição do “Espírito do Locutor” como alma presa a terra. São pessoas que, após a morte, não conseguiram se desligar do seu corpo físico e da vida que levavam. Eles permanecem envolvidos pelo magnetismo terrestre, presos ao nível da crosta planetária, e não conseguem se desprender do apego a existência que já se encerrou. Geralmente, eles acreditaram que estão vivos e não entendem porque as pessoas não interagem com eles. Essas almas possuem um acesso bem fácil aos encarnados e podem se ligar psiquicamente a eles, fazendo com que não evoluam e atrasando sua partida do plano terrestre.

Dizem que o locutor também faz aparições em outros lugares da cidade. O mais intrigante é que é possível escutar nas madrugadas do Centro de Cultura, o rádio desligado do MISS sintonizar na antiga rádio, que não existe mais, a transmitir durante a noite a sua antiga programação. A última coincidência é que, aqui quem vos escreve, mora e escreveu essa crônica de terror no terreno onde era a rádio em questão. Será que existem coincidências quando tratamos de fatos paranormais?

Obs: Os nomes usados não são reais para protegermos a identidade e o anonimato dos envolvidos nessa história. Para conhecer mais, acesse: http://www.facebook.com/praquemacreditaemfantasmas



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