“O ser humano é fascinante. Devíamos ter amor próprio pela nossa espécie”

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Tem mais de 800 mil seguidores no seu canal de YouTube, plataforma onde ficou conhecida por causa dos vídeos descontraídos destinados ao público infantojuvenil. SEA3PO, ou apenas Catarina Lowndes, lança-se agora no mundo da música numa carreira a solo, com o álbum ‘Dreamers’. Antes de embarcar numa aventura no mundo digital, corria o ano de 2011, a youtuber chegou a ter uma banda e a escrever canções para cantores como Aurea

Nesta entrevista confidencia-nos que ouve música de uma maneira muito particular – da mesma forma que a sente, e que o seu género preferido são bandas sonoras de filmes.

Como está a correr este projeto na música?

Está a correr super bem. Claro que tem os seus desafios como tudo, mas eu adoro. Cresci imenso como pessoa e aprendi muito sobre mim nesta área.

Sou uma storyteller mais do que qualquer coisa na vida

Ver esta publicação no Instagram It’s out guys! ⁣ ⁣ O meu primeiro álbum “Dreamers” ⁣ ⁣ Disponível em lojas e nas plataformas digitais! ⁣ special thanks: @mohitentertainment⁣ e @warnermusicpt ⁣ ⁣ Go check it 

Uma publicação partilhada por S E A (@sea3p0) a 17 de Mai, 2019 às 4:55 PDT

Em que é que se inspirou para criar estas músicas?

Uma coisa que gosto muito de fazer é escrever. Adoro escrever poesia. Muitas pessoas não conhecem muito essa parte, mas gosto de escrever em inglês. Quando escrevo só deixo fluir, não penso em nada particular. Normalmente penso mais na sonoridade das palavras e em momentos e imagens bonitas. Sou uma storyteller mais do que qualquer coisa na vida.

E a comunidade da Sea no YouTube recebeu bem este projeto?

Eles apoiam sempre. Tenho uma comunidade incrível, super inclusiva. Não tinha nada se não fosse ela. Sabem que não faço as coisas só por favor. Outra coisa engraçada é que imensa gente ouviu o meu primeiro single ‘Player 2’ e não sabia que era português. [Isto] Diz muito sobre a música que temos em Portugal, com artistas incríveis. 

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⁣ SEA – Player 2 | Studio Sessions ⁣ ⁣ gostaram? ⁣ ⁣ O full video sai às 13h no canal SEA⁣ ⁣ (ps: tickets para os meus concertos ainda estão disponíveis no link da bio

Uma publicação partilhada por S (@sea3p0) a 19 de Abr, 2019 às 3:50 PDT

Não quero que as pessoas sejam humildes com os seus sonhosPara os pais que não conhecem a Sea como é que se apresentaria para não ficarem ‘desconfiados’?

Diria que sou uma criadora de conteúdo com o intuito de fazer as pessoas sonharem mais, não quero que as pessoas sejam humildes com os seus sonhos, portanto, acho que o meu objetivo na vida em geral, para além de entreter, é mostrar que tudo é possível. A vida seria muito mais incrível se todos nós acreditássemos mais uns nos outros.

Então de certa forma procura ser uma inspiração para aqueles que a veem?

Quero que vejam quão bonitos e talentosos são. Se uma pessoa ouvir esta mensagem e conseguir acreditar em si vou sentir-me muito satisfeita. 

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Self care é self love. Não tenhas vergonha de quando não estás bem. Acredita, não há nada de errado contigo, tu continuas a ser a pessoa maravilhosa que és. É totalmente normal teres dias menos bons e TODA a gente passar por isso Sentir é viver e lets just face it, nós não somos robôs But hey, in case someone didnt tell you today: i love you e não estás sozinha/

Uma publicação partilhada por S E A (@sea3p0) a 9 de Out, 2019 às 11:42 PDT

Em televisão temos os reality shows, dali ninguém tira nada, mas não deixa de ser válido Acha que falta isso na comunidade de youtubers, inspiração? Como é que vê o conteúdo que é atualmente criado?

Em televisão temos os reality shows, dali ninguém tira nada, mas não deixa de ser válido, não deixa de ter a sua necessidade no mercado. Se acho que devia haver mais conteúdo educativo, ou pelo menos feliz e positivo… as crianças em Portugal precisam muito disso, porque estão super habituadas a ouvir ‘nãos‘.

Percebo que haja conteúdo menos apropriado, mas também para isso há ferramentas que os pais podem controlarAinda existe preconceito em relação à profissão de youtuber?

Sem dúvida, é normal. Tudo o que se ouve tem mais a ver com o negativo e não necessariamente com o positivo. Mas existe conteúdo bom, é pena que as pessoas não tenham esta perceção. O espaço YouTube é uma coisa bonita porque consegues criar o teu próprio mundo. Temos marcas boas e positivas. Percebo que haja conteúdo menos apropriado, mas também para isso há ferramentas que os pais podem controlar.

Acredita que esse maior ‘controlo’ perante o que se passa na comunidade e do que as crianças veem tem de partir dos pais ou da própria plataforma?

De todos. Os pais sem dúvida têm de verificar o que as crianças andam a ver. Sei que é difícil porque andam super ocupados e o YouTube é uma distração, mas é importante. Não estou a dizer proibir mas sentar ao lado e ver, mas sem julgar, só para ver se é apropriado para a criança ou não. 

O YouTube implementou uma regra em que temos de dizer se o nosso conteúdo é feito para crianças ou não, por causa da publicidade e recolha de informação. Temos de ter consciência que, independentemente do conteúdo, a plataforma é frequentada por jovens. 

O que me mete mais medo para além dos palavrões, é ensinar as crianças a fazer coisas que não são seguras Há que ter esse cuidado, por exemplo, em não fazer coisas muito perigosas. Para mim é o que me mete mais medo para além dos palavrões, é ensinar as crianças a fazer coisas que não são seguras. Uma youtuber chinesa fez um tutorial de como fazer pipocas com uma lata de coca-cola e duas crianças morreram a fazer essa experiência. Uma pessoa tem de ter consciência daquilo que está a fazer e não apenas focar-se nas visualizações.

Não é só culpa dos youtubers, é também do sistema Considera que há essa tendência, a da busca pelas visualizações, para quem começa a trabalhar no YouTube?

Sim. É normal, mesmo não querendo. A plataforma formata os youtubers para serem assim, se não pões contudo frequente e aquilo que as pessoas querem ver és completamente penalizado pela plataforma. Não é só culpa dos youtubers, é também do sistema.

Trabalhamos todos os dias, horas inacreditáveis e não temos férias. É muito cansativo e emocionalmente desgastante  O YouTube é um trabalho super difícil. Há dois anos era capaz de recomendar para crianças que querem começar mas agora sou bastante reticente em fazê-lo, porque sei a quantidade de trabalho que é. Trabalhamos todos os dias, horas inacreditáveis, e não temos férias. É muito cansativo e emocionalmente desgastante. 

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Foi uma honra conhecer o nosso presidente Marcelo! Mal posso esperar para vos contar sobre a minha tarde

Uma publicação partilhada por(@sea3p0) a 16 de Out, 2019 às 1:15 PDT

Quem é a Catarina?

Devíamos ter amor próprio pela nossa espécie Acho que sou várias coisas. Sou uma pessoa emocional, adoro ser criativa, adoro escrever. Tenho um carinho muito grande pelas pessoas, gosto muito de pessoas. Acho que o ser humano é fascinante e fazemos muitas coisas incríveis que merecem mais mérito. Devíamos ter amor próprio pela nossa espécie.

Adoro explorar coisas. Já quis ser cirurgiã plástica, assistente de bordo, astronauta… estou sempre a dizer que sim a tudo. A cena da vida é explorar e perceber que temos tantas coisas para experimentar e descobrir sobre nós.

E a música ajudou nesse sentido?

Gosto muito de bandas sonoras de filmes, é o meu género preferido Sim, tenho uma enorme paixão pela música, ouço de uma forma diferente do que as outras pessoas. Gosto muito de bandas sonoras de filmes, é o meu género preferido. Por isso é que acho que tenho uma facilidade em escrever. Envolve-me todos os sentidos. Andar pela rua com ou sem música é uma experiência completamente diferente.

E os concertos?

Fiz uma mini-tournée. Fiquei super nervosa porque ainda não estou muito confiante com a minha presença em palco. 

Quem vai aos concertos?

Tenho uma mistura tão grande de idades. O bom daquilo que eu faço é que é apropriado para qualquer idade. Falo por mim, sou uma criança gigante e vou fazer 30 anos.

Esta é uma experiência para voltar a repetir, podemos esperar novos álbuns?

Com certeza. Para o próximo ano, quem sabe, vamos fazer muito mais música. É curioso porque tive a minha banda e parei por causa do YouTube e depois senti aquela necessidade de criar outra vez.

O que é que diria à Sea quando decidiu começar a sua viagem pelo YouTube?

Dava-lhe um grande abraço e agradecia-lhe por ter feito essa escolha. 

Como é que se imagina daqui a cinco anos?

Quero ser a melhor naquilo que estou a fazer. Imagino-me a dar concertos gigantes. 



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